A Cidade de Deus - Livro X 7

Livro X: Porfírio, o culto devido a Deus e a verdadeira via de redenção da alma

Do amor dos santos anjos, que os leva a desejar que adoremos o único Deus verdadeiro, e não a eles mesmos

É muito justo que estes espíritos bem-aventurados e imortais, que habitam as moradas celestiais e se alegram nas comunicações da plenitude de seu Criador, firmes em sua eternidade, seguros em sua verdade, santos por sua graça, visto que nos contemplam, a nós míseros mortais, com compaixão e ternura, e desejam que nos tornemos imortais e felizes, não queiram que sacrifiquemos a eles mesmos, mas Àquele de quem sabem ser, juntamente conosco, o sacrifício. Pois nós e eles juntos somos a única cidade de Deus, à qual se diz no salmo: "Coisas gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus"; a parte humana peregrinando aqui em baixo, a parte angélica auxiliando do alto.
Pois daquela cidade celestial, na qual a vontade de Deus é a lei inteligível e imutável, daquela câmara celestial de conselho (pois eles tomam assento em conselho a nosso respeito), desceu até nós, pelo ministério dos anjos, aquela santa Escritura na qual está escrito: "Aquele que sacrificar a qualquer deus, exceto unicamente ao Senhor, será de todo destruído"; esta Escritura, esta lei, estes preceitos foram confirmados por tais milagres, que se torna suficientemente evidente a quem estes espíritos imortais e bem-aventurados, que desejam que sejamos semelhantes a eles, querem que sacrifiquemos.