A Cidade de Deus - Livro IV 33

Livro IV: que o império foi dado a Roma pelo único Deus verdadeiro, não pelos deuses pagãos

Que os tempos de todos os reis e reinos são ordenados pelo juízo e poder do verdadeiro Deus

Portanto, esse Deus, autor e doador da felicidade, porque Ele é o verdadeiro Deus, Ele mesmo concede os reinos terrenos tanto aos bons quanto aos maus. E não faz isso de modo temerário e, por assim dizer, fortuito (porque é Deus, e não a fortuna), mas segundo a ordem das coisas e dos tempos, que nos é oculta, mas a Ele perfeitamente conhecida. E a essa mesma ordem dos tempos, contudo, Ele não serve como sujeito a ela, mas Ele próprio a governa como senhor e a dispõe como regente. A felicidade, porém, Ele a somente aos bons. Quer um homem seja súdito, quer seja rei, não faz diferença: igualmente pode possuí-la ou não possuí-la.
E ela será plena naquela vida em que não existirão reis nem súditos. E por isso os reinos terrenos são por Ele concedidos tanto aos bons quanto aos maus, para que os seus adoradores, ainda conduzidos por uma mente muito fraca, não cobicem dEle esses dons como se fossem algo de grande. E este é o mistério do Antigo Testamento, no qual o Novo estava oculto, isto é, que ali se prometem até dons terrenos: pois aqueles que eram espirituais compreendiam, então, embora ainda não o declarando abertamente, tanto a eternidade que era simbolizada por essas coisas terrenas, quanto em quais dons de Deus se podia encontrar a verdadeira felicidade.