A Cidade de Deus - Livro IV 34

Livro IV: que o império foi dado a Roma pelo único Deus verdadeiro, não pelos deuses pagãos

Sobre o reino dos judeus, que foi fundado pelo único e verdadeiro Deus e por Ele preservado enquanto permaneceram na verdadeira religião

Portanto, para que se soubesse que esses bens terrenos, pelos quais suspiram aqueles que não conseguem imaginar bens melhores, permanecem no poder do único Deus, e não dos muitos deuses falsos que outrora os romanos julgaram dignos de adoração, Ele multiplicou o seu povo no Egito, de pouquíssimos que eram, e o libertou de por sinais maravilhosos. Nem as suas mulheres invocaram Lucina quando a sua descendência se multiplicava incrivelmente; e, tendo aquela nação crescido de modo incrível, Ele mesmo a libertou, Ele mesmo a salvou das mãos dos egípcios, que a perseguiam e desejavam matar todas as suas crianças.
Sem a deusa Rumina mamaram; sem Cunina foram embalados no berço; sem Educa e Potina tomaram alimento e bebida; sem todos aqueles deuses pueris foram educados; sem os deuses nupciais casaram-se; sem o culto de Priapo tiveram relação conjugal; sem invocação de Netuno o mar dividido lhes abriu um caminho por onde passar, e, com suas ondas que retornavam, submergiu os seus inimigos que os perseguiam. Tampouco consagraram qualquer deusa Mannia quando receberam o maná do céu; nem, quando a rocha ferida lhes fez jorrar água ao terem sede, adoraram as Ninfas e as Linfas.
Sem os ritos furiosos de Marte e Belona fizeram guerra; e, embora de fato não vencessem sem a vitória, contudo não a tinham por deusa, mas por dom do seu Deus. Sem Segetia tiveram colheitas; sem Bubona, bois; mel sem Melona; maçãs sem Pomona: e, numa palavra, tudo aquilo pelo que os romanos pensavam que deviam suplicar a tão grande multidão de deuses falsos, eles o receberam muito mais felizmente do único e verdadeiro Deus.
E se eles não tivessem pecado contra Ele com uma curiosidade ímpia, que os seduziu como as artes mágicas e os arrastou a deuses estranhos e a ídolos, e por fim os levou a matar a Cristo, o seu reino lhes teria permanecido e teria sido, se não mais vasto, ao menos mais feliz do que o de Roma.
E agora que estão dispersos por quase todas as terras e nações, isso se pela providência daquele único e verdadeiro Deus; para que, ao passo que as imagens, os altares, os bosques sagrados e os templos dos deuses falsos são por toda parte derrubados, e os seus sacrifícios proibidos, se possa mostrar a partir dos livros deles como tudo isso foi predito pelos seus profetas tanto tempo antes; para que, talvez, quando essas predições fossem lidas nos nossos livros, não parecessem inventadas por nós. Mas agora, reservando o que se segue para o livro seguinte, devemos pôr aqui um limite à prolixidade deste.