A Cidade de Deus - Livro IV 25
Livro IV: que o império foi dado a Roma pelo único Deus verdadeiro, não pelos deuses pagãos
Sobre o único Deus que se deve adorar, o qual, embora desconhecido o seu nome, é tido como o doador da felicidade
Tendo-nos sido apresentada aquela razão, talvez muito mais facilmente persuadamos, como desejamos, aqueles cujo coração não se tornou demasiadamente endurecido.
Pois se até agora a fraqueza humana percebeu que a felicidade não pode ser dada senão por algum deus; se isto foi percebido por aqueles que adoravam tantos deuses, à frente dos quais punham o próprio Júpiter; se, em sua ignorância do nome daquele por quem a felicidade era dada, concordaram em chamá-lo pelo nome daquela mesma coisa que acreditavam que ele dava; então segue-se que pensavam que a felicidade não podia ser dada nem mesmo pelo próprio Júpiter, a quem já adoravam, mas certamente por aquele a quem julgaram digno de adorar sob o nome da própria Felicidade.
Afirmo plenamente a declaração de que acreditavam que a felicidade era dada por um certo Deus que não conheciam: que ele, portanto, seja buscado, que seja adorado, e isto basta. Que a multidão de inumeráveis demônios seja repudiada, e que este Deus baste a todo homem a quem o seu dom basta. Para aquele, digo eu, não bastará adorar a Deus, doador da felicidade, para quem a própria felicidade não basta para receber. Mas aquele a quem ela basta (e o homem nada mais tem que devesse desejar) sirva ao único Deus, o doador da felicidade. Este Deus não é aquele a quem chamam Júpiter.
Pois se reconhecessem ser ele o doador da felicidade, não buscariam, sob o nome da própria Felicidade, outro deus ou deusa por quem a felicidade pudesse ser dada; nem poderiam tolerar que o próprio Júpiter fosse adorado com atributos tão infames. Pois dele se diz que é o corruptor das esposas alheias; ele é o amante descarado e raptor de um belo rapaz.