A Cidade de Deus - Livro IV 17

Livro IV: que o império foi dado a Roma pelo único Deus verdadeiro, não pelos deuses pagãos

Se, pertencendo a Júpiter o poder supremo, também se deve adorar a Vitória

Ou dizem, talvez, que Júpiter envia a deusa Vitória, e que ela, como que agindo em obediência ao rei dos deuses, vai àqueles a quem ele a tenha despachado, e fixa seu posto do lado deles? Isto se diz com verdade, não de Jove, a quem eles, segundo sua própria imaginação, fingem ser o rei dos deuses, mas Daquele que é o verdadeiro e eterno Rei, porque Ele envia, não a Vitória, que não é pessoa alguma, mas o seu anjo, e faz vencer a quem lhe apraz; cujo desígnio pode estar oculto, mas não pode ser injusto.
Pois, se a Vitória é deusa, por que não é também o Triunfo um deus, unido à Vitória ou como marido, ou como irmão, ou como filho? Na verdade, eles imaginaram tais coisas a respeito dos deuses, que, se os poetas tivessem inventado o semelhante, e isso houvesse de ser discutido por nós, teriam respondido que eram ficções risíveis dos poetas, não atribuíveis às verdadeiras divindades. E, contudo, eles mesmos não riam quando, não lendo nos poetas, mas adorando nos templos, professavam tais loucuras delirantes. Portanto, deveriam suplicar a Jove somente todas as coisas, e a ele apenas dirigir as súplicas.
Pois, se a Vitória é deusa, e está sob ele como sob o seu rei, para onde quer que ele a tivesse enviado, ela não poderia ousar resistir e fazer a sua própria vontade em vez da dele.