A Cidade de Deus - Livro II 15

Livro II: os males morais que os deuses de Roma trouxeram ao povo antes da vinda de Cristo

Que foi a vaidade, não a razão, que criou alguns dos deuses romanos

Mas não é manifesto que foi a vaidade, e não a razão, que regulou a escolha de alguns dos seus falsos deuses? A este Platão, a quem consideram um semideus, e que empregou toda a sua eloquência para preservar os homens das mais perigosas calamidades espirituais, nem sequer foi julgado digno de um pequeno santuário; ao passo que Rômulo, por poderem chamá-lo seu, estimaram-no mais altamente do que muitos deuses, embora a sua doutrina secreta lhe possa conceder apenas a categoria de semideus.
A ele destinaram um flâmine, isto é, um sacerdote de uma classe tão altamente estimada em sua religião (distinguidos, ademais, por suas mitras cônicas), que somente para três de seus deuses foram designados flâmines: o Flâmine Dial para Júpiter, o Marcial para Marte, e o Quirinal para Rômulo (pois, quando o ardor de seus concidadãos concedeu a Rômulo um assento entre os deuses, deram-lhe este novo nome de Quirino). E assim, por esta honra, Rômulo foi preferido a Netuno e a Plutão, irmãos de Júpiter, e ao próprio Saturno, pai deles.
Atribuíram-lhe o mesmo sacerdócio para servi-lo que para servir a Jove; e, ao conceder a Marte (o suposto pai de Rômulo) a mesma honra, não é isto antes em razão de Rômulo do que para honrar a Marte?