A Guerra dos Judeus - Livro VII 6

Livro VII: o triunfo em Roma e Massada

Dentro desse palácio crescia uma espécie de arruda digna de admiração pelo tamanho. Não era de modo algum inferior a qualquer figueira, seja em altura, seja em grossura. Conta-se que ela durava desde os tempos de Herodes, e provavelmente teria durado muito mais se não fosse cortada pelos judeus que depois tomaram o lugar. No vale que cerca a cidade pelo lado norte um certo lugar chamado Baaras, que produz uma raiz com o mesmo nome. Sua cor é parecida com a da chama, e ao anoitecer emite um certo raio semelhante a um relâmpago. Não é fácil de colher por quem tenta, pois recua das mãos e não se deixa apanhar com tranquilidade, a menos que se derrame sobre ela urina de mulher ou seu sangue menstrual. E mesmo então é morte certa para quem a toca, a não ser que a pessoa pegue a raiz e a deixe pendurada da mão, carregando-a assim. ainda outro modo de colhê-la sem perigo, que é este: cavam uma vala em volta dela até que a parte oculta da raiz fique bem fina. Depois amarram um cão a ela. Quando o cão se esforça por seguir quem o amarrou, a raiz é facilmente arrancada, mas o cão morre na hora, como se morresse no lugar do homem que ia retirar a planta. Depois disso ninguém precisa ter medo de pegá-la nas mãos. Apesar de todo esse trabalho para obtê-la, ela vale por uma virtude que possui: se for apenas levada aos doentes, logo expulsa os chamados demônios, que nada mais são que os espíritos dos maus, que entram em pessoas vivas e as matam, a menos que estas consigam algum socorro contra eles. também ali fontes de água quente que brotam desse lugar, e têm sabor muito diferente umas das outras. Algumas são amargas, outras claramente doces. também muitos jorros de águas frias, e isso não nos lugares mais baixos, onde as fontes ficam próximas umas das outras, mas, o que é ainda mais admirável, vê-se ali perto uma certa gruta, cuja cavidade não é profunda, coberta por uma rocha saliente. Acima dessa rocha erguem-se dois [montes ou] seios, por assim dizer, um pouco afastados um do outro. Um deles lança uma fonte muito fria, e o outro lança uma muito quente. Essas águas, quando se misturam, formam um banho dos mais agradáveis. São de fato medicinais para outras enfermidades, mas especialmente boas para fortalecer os nervos. Esse lugar também tem minas de enxofre e de alúmen.