A Guerra dos Judeus - Livro VII 5

Livro VII: o triunfo em Roma e Massada

Sobre o rio sabático que Tito viu ao atravessar a Síria. E como o povo de Antioquia veio a Tito com uma petição contra os judeus, mas foi recusado por ele. Também sobre o triunfo de Tito e Vespasiano.

Tito César ficou algum tempo em Berito, como dissemos. De partiu e ofereceu espetáculos magníficos em todas as cidades da Síria por onde passou, usando os judeus cativos como demonstração pública da destruição daquela nação. No caminho, viu um rio cuja natureza merece ser registrada na história. Ele corre bem no meio, entre Arcea, que pertence ao reino de Agripa, e Rafaneia, e tem uma característica muito peculiar. Quando corre, sua correnteza é forte e a água é abundante. Depois disso, suas nascentes secam por seis dias seguidos e deixam o leito sem água, como qualquer um pode ver. Passados esses dias, no sétimo dia ele volta a correr como antes, como se não tivesse passado por nenhuma mudança. Observou-se também que ele mantém essa ordem perpetuamente e com exatidão. Por isso o chamam de rio sabático, nome tirado do sagrado sétimo dia dos judeus.
Quando o povo de Antioquia soube que Tito se aproximava, ficou tão feliz que não conseguiu permanecer dentro das muralhas, mas saiu apressado ao seu encontro. Avançaram até trinta estádios e mais com essa intenção. E não eram os homens: uma multidão de mulheres com seus filhos fez o mesmo. Quando o viram chegando, postaram-se dos dois lados do caminho, estendendo a mão direita, saudando-o, fazendo todo tipo de aclamação, e voltaram junto com ele. Em meio às aclamações, suplicaram durante todo o trajeto que ele expulsasse os judeus da cidade. Mas Tito não cedeu a esse pedido. Apenas os ouviu com calma. Os judeus, no entanto, ficaram tomados de grande medo, na incerteza sobre qual seria a opinião dele e o que faria com eles. Tito não permaneceu em Antioquia, mas seguiu de imediato para Zeugma, que fica às margens do Eufrates. Ali chegaram a ele mensageiros de Vologeso, rei da Pártia, trazendo uma coroa de ouro pela vitória que ele obtivera sobre os judeus. Tito a aceitou, ofereceu um banquete aos mensageiros do rei e voltou a Antioquia. Quando o senado e o povo de Antioquia lhe pediram com insistência que comparecesse ao teatro deles, onde toda a multidão estava reunida e o esperava, ele atendeu com grande gentileza. Mas quando o pressionaram com muito empenho e imploraram sem parar que expulsasse os judeus da cidade, ele lhes deu esta resposta bastante apropriada: "Como isso poderia ser feito? O país deles, para onde os judeus teriam então de se retirar, está destruído, e nenhum outro lugar os receberia." Diante disso, o povo de Antioquia, frustrado nesse primeiro pedido, fez um segundo. Quiseram que ele mandasse remover as placas de bronze nas quais estavam gravados os privilégios dos judeus. Mas Tito também não concedeu isso. Permitiu que os judeus de Antioquia continuassem a gozar na cidade exatamente dos mesmos privilégios que tinham antes, e então partiu para o Egito. Na sua passagem, chegou a Jerusalém e comparou a condição lamentável em que a viu naquele momento com a antiga glória da cidade. Lembrando-se da grandeza das ruínas presentes e também do antigo esplendor, não pôde deixar de lamentar a destruição da cidade. Estava muito longe de se vangloriar de ter tomado à força uma cidade tão grande e bela. Ao contrário, amaldiçoou repetidamente os que tinham sido os autores da revolta e atraído tal castigo sobre a cidade. Ficou claro a todos que ele não desejava que uma calamidade daquele tamanho, o castigo que recaíra sobre eles, servisse de prova de sua coragem. Ainda assim, encontrou-se entre as ruínas uma quantidade nada pequena das riquezas que havia naquela cidade. Os romanos desenterraram boa parte delas, mas a maior parte foi descoberta pelos cativos, que a levaram embora: o ouro, a prata e o restante daqueles objetos preciosíssimos que os judeus possuíam e que os donos haviam guardado debaixo da terra, contra os acasos incertos da guerra.
Tito empreendeu então a viagem que pretendia ao Egito. Atravessou o deserto com grande rapidez, chegou a Alexandria e tomou a decisão de ir a Roma por mar. Como o acompanhavam duas legiões, mandou cada uma de volta aos lugares de onde tinham vindo: a quinta para a Mísia e a décima quinta para a Panônia. Quanto aos líderes dos cativos, Simão e João, junto com os outros setecentos homens que ele havia selecionado por serem notavelmente altos e de belo corpo, deu ordem para que fossem logo levados à Itália, resolvido a exibi-los em seu triunfo. Depois de uma travessia próspera, como desejava, a cidade de Roma o recebeu, indo ao seu encontro a distância, como fizera no caso de seu pai. Mas o que mais agradou a Tito foi o momento em que seu pai veio ao seu encontro e o recebeu. Ainda assim, a multidão dos cidadãos sentiu a maior alegria ao ver os três juntos, como aconteceu nessa ocasião. E não muitos dias se passaram até que decidissem realizar um único triunfo, comum a ambos, pelos feitos gloriosos que tinham realizado, embora o senado tivesse decretado a cada um deles um triunfo separado. Quando foi anunciado com antecedência o dia marcado para essa solene cerimônia em homenagem às vitórias, ninguém daquela imensa multidão permaneceu na cidade. Todos saíram, ainda que apenas para conseguir um lugar onde pudessem ficar de pé, deixando livre a passagem necessária para que avançassem aqueles que deviam ser vistos.
Toda a soldadesca saíra de antemão em companhias, em suas várias fileiras, sob seus respectivos comandantes, ainda de noite, e se postou junto às portas, não as dos palácios mais altos, mas as que ficam perto do templo de Ísis. Foi ali que os imperadores haviam descansado na noite anterior. Assim que amanheceu, Vespasiano e Tito saíram, coroados de louros e vestidos com aquelas antigas vestes de púrpura próprias de sua família, e foram até os pórticos de Otávio. Foi ali que o senado, os principais governantes e os que estavam registrados na ordem equestre os aguardavam. Um tribunal havia sido erguido diante das galerias, e cadeiras de marfim tinham sido colocadas sobre ele. Quando chegaram, sentaram-se nelas. A soldadesca de imediato fez uma aclamação de alegria a eles, e todos deram testemunho de seu valor, enquanto eles próprios estavam sem armas, apenas com suas vestes de seda e coroados de louros. Vespasiano aceitou essas aclamações. Mas como eles ainda queriam continuar a aclamar, ele lhes deu o sinal de silêncio. Quando todos se calaram por completo, levantou-se e, cobrindo a maior parte da cabeça com o manto, fez as orações solenes de costume. Tito também fez as mesmas orações. Depois, Vespasiano dirigiu um breve discurso a todo o povo e em seguida dispensou os soldados para um jantar preparado para eles pelos imperadores. Ele se retirou então para a porta chamada porta da pompa, porque os cortejos solenes sempre passam por ela. Foi ali que provaram algum alimento. Depois de vestirem as roupas triunfais e oferecerem sacrifícios aos deuses postados na porta, deram início ao desfile do triunfo e marcharam pelos teatros, para que pudessem ser vistos mais facilmente pelas multidões.
É impossível descrever como mereceriam a quantidade dos espetáculos e a magnificência de todos eles, algo que um homem dificilmente conseguiria imaginar, fosse pelo trabalho dos artesãos, pela variedade das riquezas ou pelas raridades da natureza. Quase todas as preciosidades que os homens mais afortunados conseguem reunir aos poucos estavam ali amontoadas umas sobre as outras, todas admiráves e custosas por natureza, e, reunidas naquele dia, demonstravam a vastidão dos domínios dos romanos. Via-se ali uma imensa quantidade de prata, ouro e marfim, moldados em todo tipo de objeto. Aquilo não parecia ser levado apenas em cortejo solene, mas, por assim dizer, corria como um rio. Algumas partes eram feitas das mais raras tapeçarias de púrpura, levadas dessa forma, e outras representavam fielmente, com perfeição, o que fora bordado pela arte dos babilônios. Havia também pedras preciosas transparentes, algumas engastadas em coroas de ouro e outras em diferentes joias, conforme os artesãos preferiram. E delas trouxe-se um número tão imenso que ali aprendemos como era vão imaginar que alguma fosse rara. Levavam-se também as imagens dos deuses, admiráveis pelo tamanho e feitas com grande perícia dos artesãos. Nenhuma dessas imagens era de material que não fosse muito custoso. Trouxe-se ainda muitas espécies de animais, cada um com seus ornamentos naturais. Os homens que conduziam cada um desses espetáculos eram em grande número e estavam adornados com vestes de púrpura toda entremeada de ouro. Os escolhidos para carregar esses cortejos solenes traziam consigo ornamentos tão magníficos que eram ao mesmo tempo extraordinários e surpreendentes. Além disso, podia-se ver que mesmo o grande número de cativos não estava sem adorno. A variedade de suas vestes e a fineza do tecido escondiam da vista a deformidade de seus corpos. Mas o que causava maior espanto de tudo era a estrutura dos andores que eram conduzidos. Quem os encontrava não podia deixar de temer que os carregadores não conseguissem sustentá-los com firmeza, de tão grandes que eram. Muitos deles eram feitos de modo a ter três ou até quatro andares, um sobre o outro. A magnificência de sua estrutura causava ao mesmo tempo prazer e espanto. Sobre muitos deles haviam sido estendidos tapetes de ouro. Havia também ouro lavrado e marfim fixados em todos eles. E muitas representações da guerra, de várias formas e com diversas invenções, ofereciam um retrato vivíssimo dela. Via-se um país próspero devastado, esquadrões inteiros de inimigos mortos, alguns fugindo e outros levados ao cativeiro, muralhas de grande altura e extensão derrubadas e arruinadas por máquinas, as mais fortes fortificações tomadas, as muralhas de cidades populosíssimas no alto das colinas dominadas e um exército se derramando para dentro das muralhas. Via-se também todo lugar cheio de matança e os inimigos suplicando, quando não conseguiam levantar as mãos em resistência. Representava-se ali o fogo lançado sobre os templos e as casas derrubadas, caindo sobre seus donos. Rios também, depois de saírem de um deserto vasto e melancólico, desciam não para uma terra cultivada nem como bebida para homens ou para o gado, mas atravessando uma terra ainda em chamas por todos os lados. Os judeus contavam que tinham passado por algo assim durante a guerra. A execução dessas representações era tão magnífica e viva, na construção das cenas, que mostrava a quem não tinha visto o que fora feito, como se estivessem ali realmente presentes. No alto de cada um desses andores estava posto o comandante da cidade tomada e a maneira como fora capturado. Seguia-se a esses andores um grande número de navios. E os demais despojos eram levados em grande abundância. Mas os que tinham sido tirados do templo de Jerusalém eram os que mais se destacavam de todos: a mesa de ouro, do peso de muitos talentos, e o candelabro, também feito de ouro, embora sua forma agora estivesse diferente daquela que usávamos. Seu eixo central estava fixado sobre uma base, e dele saíam os pequenos braços, prolongando-se bastante, dispostos como um tridente, cada um com um encaixe de bronze no topo para uma lâmpada. Essas lâmpadas eram sete e representavam a importância do número sete entre os judeus. E, por último de todos os despojos, levava-se a lei dos judeus. Depois desses despojos passavam muitos homens carregando as imagens da vitória, cuja estrutura era inteiramente de marfim ou de ouro. Em seguida, marchava em primeiro lugar Vespasiano, e Tito o seguia. Domiciano também cavalgava com eles, fazendo uma aparição gloriosa, montado num cavalo digno de admiração.
A última parte desse cortejo solene foi no templo de Júpiter Capitolino. Ao chegarem ali, pararam. Era antigo costume dos romanos esperar que alguém trouxesse a notícia de que o general inimigo tinha sido morto. Esse general era Simão, filho de Giora, que naquele momento havia sido conduzido no triunfo entre os cativos. Uma corda lhe fora posta no pescoço, e ele havia sido arrastado até um lugar próprio no fórum, sendo ainda atormentado pelos que o arrastavam. A lei dos romanos exigia que os criminosos condenados à morte fossem executados ali. Quando, portanto, anunciaram que ele estava morto e todo o povo soltou um grito de alegria, começaram a oferecer os sacrifícios que tinham consagrado, com as orações usadas nessas cerimônias. Terminado isso, retiraram-se para o palácio. Quanto a alguns dos espectadores, os imperadores os receberam em seu próprio banquete, e para todos os demais foram feitos nobres preparativos para festejar em casa. Aquele foi um dia de festa para a cidade de Roma: celebrado pela vitória que seu exército obtivera sobre os inimigos, pelo fim que se punha então às suas misérias civis e pelo começo de suas esperanças de prosperidade e felicidade futuras.
Terminados esses triunfos e firmados os assuntos dos romanos sobre as bases mais sólidas, Vespasiano resolveu construir um templo à Paz. Ele foi concluído em tão pouco tempo e de maneira tão gloriosa que superou toda expectativa e ideia humana. Como agora dispunha, por providência, de uma vasta quantidade de riqueza, além do que ganhara em seus outros feitos, mandou ornamentar esse templo com pinturas e estátuas. Nele foram reunidas e depositadas todas as raridades que outras pessoas costumavam percorrer o mundo habitado inteiro para ver, quando desejavam ver uma após outra. Ali ele também guardou aqueles vasos e instrumentos de ouro tirados do templo judaico, como insígnias de sua glória. Mas deu ordem para que a lei deles e os véus de púrpura do lugar santo fossem guardados no próprio palácio real e ali conservados.