A Guerra dos Judeus - Livro VII 2

Livro VII: o triunfo em Roma e Massada

Como Tito ofereceu todo tipo de espetáculo em Cesareia de Filipe. Sobre o tirano Simão, como foi capturado e reservado para o triunfo.

No mesmo período em que César Tito conduzia o cerco de Jerusalém, Vespasiano embarcou num navio mercante e velejou de Alexandria até Rodes. De seguiu em embarcações de três fileiras de remos. Como tocava em várias cidades pelo caminho, foi recebido com alegria por todas elas, e assim passou da Jônia para a Grécia. Em seguida zarpou de Corcira rumo ao promontório de Iápige, de onde prosseguiu a viagem por terra. Tito, por sua vez, partiu daquela Cesareia que ficava junto ao mar e chegou à que se chama Cesareia de Filipe, onde permaneceu por um tempo considerável e ofereceu espetáculos de todo tipo. Ali um grande número de cativos foi morto: alguns foram lançados às feras, e outros, em multidões, foram obrigados a se matar uns aos outros, como se fossem inimigos. Foi também ali que Tito recebeu a notícia da captura de Simão, filho de Giora, que aconteceu da seguinte maneira. Durante o cerco de Jerusalém, esse Simão estava na cidade alta. Mas quando o exército romano penetrou as muralhas e começou a devastar a cidade, ele reuniu os mais fiéis de seus amigos, entre eles alguns cortadores de pedra, com as ferramentas de ferro próprias do ofício, e levou consigo a maior quantidade de provisões que pudesse bastar por muito tempo. Então desceu, com todos eles, para certa caverna subterrânea que não era visível acima do solo. Pela parte que havia sido escavada em tempos antigos avançaram sem dificuldade, mas onde encontraram terra firme cavaram uma galeria por baixo do chão. A esperança era conseguir avançar o suficiente para emergir num lugar seguro e, por esse meio, escapar. Quando puseram o plano à prova, no entanto, viram a esperança frustrada. Os escavadores faziam pequenos progressos, e ainda assim com dificuldade. Por isso as provisões, mesmo distribuídas com medida, começaram a faltar. Simão, então, achando que talvez conseguisse espantar e enganar os romanos, vestiu uma túnica branca, prendeu sobre ela um manto púrpura e surgiu do chão no lugar onde antes ficava o templo. De início, os que o viram ficaram muito espantados e pararam onde estavam. Depois, no entanto, se aproximaram dele e perguntaram quem era. Simão não quis dizer, mas mandou que chamassem o comandante. Quando correram para chamá-lo, Terêncio Rufo, que tinha ficado no comando do exército ali, veio até Simão, soube dele toda a verdade, manteve-o em correntes e avisou César de que ele havia sido capturado. Assim Deus fez com que esse homem fosse punido pela tirania amarga e selvagem que exercera contra seus próprios compatriotas, e isso pelas mãos dos seus piores inimigos. E não foi subjugado pela força: entregou-se a eles por vontade própria para ser punido, justamente pelo mesmo motivo que o levara a levantar falsas acusações contra muitos judeus, como se estivessem passando para o lado dos romanos, e a matá-los de modo bárbaro. Pois as ações más não escapam à ira divina, e a justiça não é fraca demais para punir os culpados. Com o tempo ela alcança os que transgridem suas leis e aplica seus castigos aos ímpios de maneira tanto mais severa quanto mais eles esperavam escapar, por não terem sido punidos de imediato. Simão tomou consciência disso ao cair sob a indignação dos romanos. Esse surgimento dele do chão também provocou a descoberta de muitos outros sediciosos que, naquela ocasião, estavam escondidos no subterrâneo. Quanto a Simão, foi levado acorrentado a César, depois que este voltou àquela Cesareia que ficava junto ao mar. César ordenou que ele fosse mantido vivo para o triunfo que iria celebrar em Roma por causa dessa vitória.