A Guerra dos Judeus - Livro III 6

Livro III: Vespasiano na Galileia e o cerco de Jotapata

Plácido tenta tomar Jotapata e é repelido. Vespasiano marcha para a Galileia.

Vespasiano e seu filho Tito permaneceram algum tempo em Ptolemaida, organizando o exército. Plácido, por sua vez, havia percorrido a Galileia e matado muitos dos que capturara (apenas a parte mais fraca dos galileus, gente de ânimo medroso). Ele percebeu que os combatentes corriam sempre para as cidades cujas muralhas Josefo construíra, e marchou com fúria contra Jotapata, a mais forte de todas. Imaginava que a tomaria com facilidade num ataque de surpresa, que assim conquistaria grande honra entre os comandantes e traria grande vantagem para a campanha que viria. Afinal, se a mais forte de todas aquelas posições fosse tomada, as demais ficariam tão apavoradas que se renderiam. Mas ele se enganou redondamente nesse plano. Os homens de Jotapata foram avisados de que ele vinha atacá-los, saíram da cidade e o esperaram do lado de fora. Combateram os romanos com vigor quando estes menos esperavam. Eram muitos, estavam prontos para a luta e cheios de disposição, pois consideravam que sua terra, suas mulheres e seus filhos corriam perigo. Puseram os romanos em fuga sem dificuldade, feriram muitos deles e mataram sete. A retirada romana não foi desordenada, e os golpes atingiam a superfície dos corpos, cobertos por armadura em todas as partes. Além disso, os judeus preferiam arremessar suas armas de longa distância a arriscar o combate corpo a corpo, e usavam apenas armadura leve, enquanto os outros estavam plenamente armados. Ainda assim, três homens do lado judeu foram mortos e alguns ficaram feridos. Plácido, vendo-se incapaz de assaltar a cidade, fugiu.
Como Vespasiano estava muito decidido a atacar a Galileia, partiu de Ptolemaida, dispondo o exército na ordem em que os romanos costumavam marchar. Mandou seguir à frente as tropas auxiliares de armadura leve e os arqueiros, para impedir qualquer investida súbita do inimigo e para vasculhar os bosques que pareciam suspeitos e podiam esconder emboscadas. Depois deles vinha a parte dos romanos plenamente armada, tanto a infantaria quanto a cavalaria. Em seguida marchavam dez homens de cada centena, carregando suas armas e o necessário para demarcar um acampamento. Atrás destes iam os encarregados de nivelar e endireitar o caminho: onde fosse acidentado e difícil de atravessar, aplainavam o terreno e derrubavam os bosques que estorvavam a marcha, para que o exército não passasse aperto nem se cansasse no percurso. Atrás destes ele colocou as bagagens do exército, tanto as suas quanto as dos outros comandantes, com um número considerável de cavaleiros para protegê-las. Depois marchava o próprio Vespasiano, levando consigo um corpo seleto de infantes, cavaleiros e lanceiros. Depois deles vinha a cavalaria específica da sua própria legião, pois havia cento e vinte cavaleiros que pertenciam exclusivamente a cada legião. Em seguida vinham as mulas que carregavam as máquinas de cerco e as outras máquinas de guerra desse tipo. Depois vinham os comandantes das coortes e os tribunos, acompanhados de soldados escolhidos entre os demais. Então vinham os porta-estandartes ao redor da águia, que vai à frente de toda legião romana: a águia, rei e a mais forte de todas as aves, que para eles é um sinal de domínio e um presságio de que vencerão todos contra quem marcham. Esses estandartes sagrados eram seguidos pelos trombeteiros. Depois vinha o grosso do exército em seus esquadrões e batalhões, com seis homens de profundidade, seguidos por fim por um centurião que, conforme o costume, vigiava os demais. Quanto aos serviçais de cada legião, todos seguiam a infantaria e conduziam a bagagem dos soldados, carregada pelas mulas e outros animais de carga. Mas atrás de todas as legiões vinha a multidão inteira dos mercenários, e os que fechavam a coluna vinham por último de tudo, para a segurança do exército inteiro, sendo tanto infantes (também de armadura) quanto um grande número de cavaleiros.
Foi assim que Vespasiano marchou com seu exército e chegou aos limites da Galileia, onde montou o acampamento e conteve seus soldados, ávidos por guerra. Ele também exibiu o exército ao inimigo para amedrontá-lo e dar-lhe um momento de arrependimento, para ver se mudavam de ideia antes de chegar à batalha. Ao mesmo tempo, preparava o necessário para sitiar as fortalezas. De fato, essa visão do general levou muitos a se arrependerem da revolta e lançou todos em consternação. Os que estavam no acampamento de Josefo, junto à cidade chamada Garis, não longe de Séforis, ao ouvirem que a guerra se aproximava deles e que os romanos logo os enfrentariam corpo a corpo, dispersaram-se e fugiram não antes da batalha, mas antes mesmo de o inimigo aparecer. Josefo e poucos outros ficaram para trás. Vendo que não tinha exército suficiente para enfrentar o inimigo, que o ânimo dos judeus estava por terra e que a maior parte aceitaria de bom grado um acordo, se pudessem confiar nele, Josefo desesperava do êxito de toda a guerra e decidiu afastar-se o máximo possível do perigo. Reuniu então os que haviam permanecido com ele e fugiu para Tiberíades.