Cartas - Livro VIII 5
Viagens, propriedades rurais, escravos e o exercício da virtude
Caio Plínio ao seu Gemino, saudações.
Nosso amigo Macrino recebeu um golpe pesado: perdeu a esposa, mulher de exemplo singular, que mereceria louvor mesmo se tivesse vivido nos tempos antigos. Viveu com ele trinta e nove anos, sem briga, sem ofensa. Quanto respeito ela demonstrou ao marido, quando ela mesma merecia o maior respeito! Quantas e quão grandes virtudes, próprias de idades diferentes, ela reuniu e combinou!
Macrino tem, é verdade, um grande consolo: possuiu por tanto tempo um bem tão grande. Mas justamente por isso fica mais amargurado por tê-la perdido; pois a dor da perda cresce na medida dos prazeres desfrutados.
Vou ficar apreensivo com meu amigo tão querido até que ele possa admitir distrações e suportar a cicatriz, coisa que nada produz tão bem quanto a própria necessidade, o passar dos dias e a saciedade da dor. Adeus.