Cartas - Livro VII 33

Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras

Caio Plínio a seu caro Tácito, saudações.

Pressinto, e o pressentimento não me engana, que as tuas histórias serão imortais; por isso desejo ainda mais, confesso com franqueza, ser nelas inserido.
Pois, se costumamos cuidar para que o nosso rosto seja retratado pelo melhor dos artistas, não devemos desejar que aos nossos feitos toque um escritor e divulgador semelhante a ti?
Aponto, então, embora não possa escapar à tua diligência, que consta nos registros públicos, mas aponto, para que creias mais, que me será agradável se ornares com o teu talento e o teu testemunho um feito meu que, pelo perigo, ganhou grandeza.
O senado havia me designado, com Herênio Senécio, advogado da província da Bética contra Bébio Massa; e, condenado Massa, decretou que seus bens fossem guardados sob custódia pública. Senécio, tendo apurado que os cônsules estariam livres para ouvir petições, procurou-me e disse: 'Com a mesma concórdia com que cumprimos a acusação que nos foi imposta, vamos aos cônsules e peçamos que não deixem dilapidar os bens que devem estar sob custódia.'
Respondi: 'Como fomos designados advogados pelo senado, considera se não julgas cumprida a nossa parte, encerrado o julgamento pelo senado.' E ele: 'Tu fixarás para ti o limite que quiseres, pois nenhum vínculo tens com a província a não ser o do teu favor, e este recente; eu mesmo nasci e fui questor naquela província.'
Então eu: 'Se isso está firme e resolvido para ti, vou te seguir, para que, se daí surgir algum ódio, não recaia sobre ti.'
Fomos aos cônsules; Senécio diz o que o caso exigia, eu acrescento algo. Mal nos calamos, e Massa, queixando-se de que Senécio havia agido não com a lealdade de um advogado, mas com a amargura de um inimigo, o acusa de crime de deslealdade.
Pavor de todos; mas eu disse: 'Temo, ilustríssimos cônsules, que Massa, com o seu silêncio, me tenha imputado conivência, por não ter acusado também a mim.' Essa frase foi logo recolhida e, depois, muito comentada.
O divino Nerva, pois mesmo como particular ele observava o que se fazia retamente em público, enviou-me uma carta dos mais elogiosos termos e felicitou não a mim, mas também a época, a quem coubera, assim escreveu, um exemplo semelhante aos antigos.
Tudo isto, como quer que seja, tu o tornarás mais conhecido, mais ilustre, maior; embora eu não te peça que ultrapasses a medida do que de fato aconteceu. Pois a história não deve sair da verdade, e para os feitos honrados a verdade basta. Adeus.