Cartas - Livro VII 31
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio a seu caro Cornuto, saudações.
Cláudio Polião deseja ser amado por ti, digno disso já pelo próprio desejo, depois porque ele mesmo te estima; pois quase ninguém pede isso a não ser quem o faz. É, de resto, um homem reto, íntegro, tranquilo e modesto quase além da medida, se é que alguém pode sê-lo além da medida.
A ele, quando servíamos juntos no exército, observei não só como companheiro de armas. Comandava uma ala miliária; eu, encarregado pelo legado consular de examinar as contas das alas e das coortes, descobri tanto a grande e vergonhosa avareza de alguns, e igual negligência, quanto a suma integridade dele e o seu cuidado escrupuloso.
Depois, promovido às mais altas procuradorias, por nenhuma ocasião corrompido, não se desviou do amor inato à honestidade; nunca se ensoberbeceu na prosperidade; nunca, em meio à variedade dos cargos, quebrou a constante reputação de humanidade, e suportou os trabalhos com a mesma firmeza de ânimo com que agora suporta o ócio.
Esse ócio, aliás, ele o interrompeu e deixou por algum tempo, com grande louvor seu, tomado como auxiliar pelo nosso Corélio, por liberalidade do imperador Nerva, para comprar e distribuir terras. Pois de que glória não é digno ter agradado especialmente a um homem tão grande, com tamanha liberdade de escolha!
Com quanto respeito e quanta lealdade ele cultiva os amigos, podes crer pelos últimos juízos de muitos, entre eles o de Ânio Basso, cidadão dos mais respeitáveis, cuja memória ele prolonga e estende com louvor tão grato que publicou um livro sobre a vida dele, pois também venera os estudos, como as demais boas artes.
Belo gesto, e digno de aprovação pela própria raridade, já que a maioria só se lembra dos mortos para deles se queixar.
A este homem, que tanto te deseja, acredita em mim, abraça, toma para ti, antes mesmo convida, e ama-o como quem retribui um favor. Pois não deve ser obrigado, mas recompensado no dever da amizade quem deu o primeiro passo. Adeus.