Cartas - Livro VII 30

Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras

Caio Plínio a seu caro Genitor, saudações.

Atormenta-me que tenhas perdido, como escreves, um discípulo da melhor esperança. Como eu não saberia que a doença e a morte dele perturbaram os teus estudos, sendo tu o mais zeloso de todos os deveres e amando com o maior afeto todos os que aprovas?
A mim, até aqui me perseguem os negócios da cidade; pois não faltam quem me nomeie juiz ou árbitro.
Somam-se as queixas dos camponeses, que, depois de muito tempo, abusam por direito dos meus ouvidos. Pressiona também a necessidade de arrendar as terras, tarefa muito incômoda: tão raro é encontrar arrendatários adequados.
Por essas razões, estudo precariamente, mas estudo. Pois escrevo algo e leio; mas, quando leio, sinto pela comparação como escrevo mal, ainda que tu me dês ânimo,
tu que comparas os meus opúsculos sobre a vingança de Helvídio com o discurso de Demóstenes contra Mídias. A esse discurso, de fato, tinha eu em mãos quando compunha aqueles textos, não para rivalizar, o que seria insolente e quase insano, mas para imitar e seguir, na medida em que a diferença entre o maior e o menor dos talentos, ou a dessemelhança dos assuntos, permitisse. Adeus.