Cartas - Livro VII 29
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio a seu caro Montano, saudações.
Vais rir, depois te indignar, depois rir de novo, se leres algo que, se não o leres, não podes acreditar.
Há, na via Tiburtina, antes da primeira milha, eu reparei há pouco, um monumento de Palas com esta inscrição: 'A este, pela lealdade e dedicação para com os patronos, o senado decretou as insígnias pretorianas e quinze milhões de sestércios, contentando-se ele com a honraria.'
Eu nunca me admirei com coisas que vêm mais da sorte do que do mérito; mas esta inscrição, sobretudo, me lembrou de quão burlescas e tolas são as honrarias que às vezes se jogam nesta lama, nesta imundície, e que aquele patife ousou aceitar e recusar, e ainda transmitir à posteridade como exemplo de moderação.
Mas por que me indignar? Melhor é rir, para que não pensem ter alcançado algo grande os que, pela sorte, chegam ao ponto de serem motivo de riso. Adeus.