Cartas - Livro VII 3
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio ao seu Presente, saudações.
Tanta persistência, você ora na Lucânia, ora na Campânia? 'É que eu próprio', você diz, 'sou lucano, e minha esposa é campânia.'
Causa justa para uma ausência mais longa, mas não permanente. Por que então não volta enfim à cidade? Onde há dignidade, honra e amizades, tanto com os superiores quanto com os inferiores. Até quando você vai reinar? Até quando vai acordar quando quiser, dormir o quanto quiser? Até quando sem nenhum calçado, a toga em férias, o dia inteiro livre?
É hora de você revisitar nossos incômodos, ainda que só por isto: para que esses prazeres não se enfraqueçam pela saciedade. Cumprimente os outros por um tempo, para que lhe seja mais agradável ser cumprimentado; deixe-se esfregar nesta multidão, para que a solidão lhe agrade.
Mas o que faço eu, sem perceber, tentando chamá-lo de volta e ao mesmo tempo segurando? Pois talvez com esses próprios argumentos você se sinta levado a se embrulhar cada vez mais no ócio, o qual eu não quero romper, mas interromper.
Pois, assim como, se eu preparasse um jantar para você, misturaria aos pratos doces os ácidos e picantes, para que o estômago, entorpecido e enjoado por aqueles, fosse despertado por estes, assim agora exorto você a temperar esse modo de vida tão agradável com alguns acidulados, de vez em quando. Adeus.