Cartas - Livro VII 18
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio ao seu Canínio, saudações.
Você delibera comigo como o dinheiro que ofereceu aos nossos concidadãos para um banquete possa ficar seguro também depois de você. Consulta honrosa, decisão não fácil. Se você entregar a soma à cidade, há o risco de que se dissipe. Se der terras, serão negligenciadas como bens públicos.
Quanto a mim, nada encontro mais conveniente do que o que eu próprio fiz. Pois, em vez dos quinhentos mil sestércios que eu havia prometido para o sustento de meninos e meninas de nascimento livre, transferi ao agente público uma terra das minhas, de valor muito maior; recebi-a de volta, depois de imposto um aluguel, comprometendo-me a pagar trinta mil por ano.
Pois, com isso, o capital da cidade fica em segurança, a renda não é incerta, e a própria terra, porque excede em muito o aluguel, sempre encontrará um dono que a cultive.
E não ignoro que gastei bem mais do que pareço ter doado, já que a obrigação do aluguel reduziu o preço de uma belíssima terra.
Mas convém preferir os interesses públicos aos privados, os eternos aos mortais, e cuidar com muito mais zelo do uso de um benefício do que dos próprios recursos. Adeus.