Cartas - Livro VI 5
Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)
Caio Plínio ao seu caro Urso, saudações.
Eu havia escrito que Vareno conseguira permissão para convocar testemunhas em sua defesa; isso pareceu justo à maioria, mas iníquo a alguns, e com insistência, sobretudo a Licínio Nepos, que, na sessão seguinte do senado, quando se tratava de outros assuntos, discursou sobre o decreto da sessão anterior e reabriu uma causa já encerrada.
Acrescentou ainda que se devia pedir aos cônsules que propusessem, tomando por modelo a lei sobre a corrupção eleitoral, a respeito da lei sobre concussão, se pareceria bem acrescentar no futuro a essa lei que, assim como os acusadores têm por ela o poder de investigar e intimar testemunhas, o mesmo fosse concedido também aos réus.
Houve quem desaprovasse esse discurso dele por tardio, inoportuno e fora de hora, já que, deixando passar o momento de fazer oposição, censurava o que já estava decidido, ao qual poderia ter se oposto.
O pretor Juvêncio Celso, então, repreendeu-o com muitas palavras e veemência, como se ele quisesse reformar o senado. Nepos respondeu, e de novo Celso; nenhum dos dois se conteve nos insultos.
Não quero repetir o que ouvi deles com desgosto. Mais ainda desaprovei alguns dos nossos, que ora corriam para Celso, ora para Nepos, conforme um ou outro falasse, por avidez de ouvir, e ora pareciam atiçar e inflamar, ora reconciliar e apaziguar, e mais frequentemente para cada um, às vezes para os dois, suplicavam que César lhes fosse favorável, como num espetáculo.
Para mim foi de fato muito penoso que cada um soubesse o que o outro estava preparando. Pois Celso respondeu a Nepos a partir de um caderno, e Nepos a Celso a partir de tabuinhas.
Tamanha foi a tagarelice dos amigos que homens prestes a brigar sabiam de antemão o que o outro ia dizer, como se tivessem combinado. Adeus.