Cartas - Livro VI 6

Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)

Caio Plínio ao seu caro Fundano, saudações.

Se em algum momento desejei você em Roma, é agora especialmente, e peço que venha. Preciso de um companheiro para meu voto, meu esforço e minha inquietação. Júlio Naso disputa um cargo; disputa com muitos e bons candidatos, que é tão glorioso quanto difícil superar.
Por isso fico em suspense, agitado pela esperança, abalado pelo medo, e não sinto que fui cônsul; pois de novo me parece ser candidato a todos os cargos que percorri.
Ele merece esse cuidado, por sua longa afeição a mim. Não tenho com ele propriamente uma amizade herdada do pai (nem poderia ter, por causa da minha idade); mesmo assim, quando eu mal era um rapazinho, costumavam me apontar o pai dele com grandes elogios. Era apaixonadíssimo não pelos estudos mas também pelos estudiosos, e quase todo dia ia ouvir aqueles que eu então frequentava, Quintiliano e Nicetes Sacerdote, sendo aliás homem ilustre e respeitável, cuja memória deve favorecer o filho.
Mas agora no senado muitos que não o conheceram, muitos que o conheceram, mas respeitam os vivos. Por isso ele tem mais que se esforçar e trabalhar por conta própria, deixando de lado a glória do pai, na qual grande ornamento, mas pouco peso prático.
E isso ele sempre fez com diligência, como se previsse este momento: arranjou amigos, cultivou os que tinha arranjado e, a mim certamente, assim que se permitiu julgar por si, escolheu para amar e imitar.
Quando advogo, ele me assiste preocupado; senta-se ao meu lado quando faço uma leitura; está presente também nos meus trabalhinhos desde os primeiros rascunhos. Agora faz isso sozinho, antes com o irmão, cujo lugar, agora que ele morreu pouco, devo assumir e cuja função devo cumprir.
Pois me dói tanto que aquele tenha sido arrebatado por uma morte prematura e indigníssima, quanto que este tenha ficado privado do apoio de um ótimo irmão e entregue aos amigos.
Por essas razões insisto que venha e una o seu apoio ao meu. Importa-me muito exibir você, andar com você pela cidade. Tal é a sua autoridade, que penso que pedirei com mais eficácia até aos meus próprios amigos estando com você.
Rompa o que o retiver: meu momento exige isto, minha lealdade exige isto, minha dignidade também. Assumi um candidato, e é sabido que o assumi; sou eu que disputo, sou eu que arrisco; em suma, se for concedido a Naso o que pede, a honra é dele; se for negado, a derrota é minha. Adeus.