Cartas - Livro VI 4
Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)
Caio Plínio à sua cara Calpúrnia, saudações.
Nunca me queixei tanto das minhas ocupações, que não me permitiram nem acompanhar você quando partiu para a Campânia por causa da saúde, nem seguir logo atrás depois que partiu.
Pois agora, mais do que nunca, eu desejava estar junto, para ver com meus próprios olhos quanto você recupera em forças e neste corpinho frágil, e enfim se aproveita sem percalços os prazeres do retiro e a fartura da região.
Na verdade, mesmo forte, eu sentiria sua falta com preocupação; pois é angustiante e aflitivo às vezes não saber nada de quem se ama com ardor.
Mas agora, a ideia tanto da sua ausência quanto da sua fraqueza me aterroriza com uma inquietação incerta e variada. Temo tudo, imagino tudo, e, como é próprio dos que sentem medo, sobretudo crio em mim aquilo que mais detesto.
Por isso peço com mais insistência que cuide do meu medo escrevendo todo dia uma ou até duas cartas. Pois ficarei mais tranquilo enquanto leio, e logo voltarei a temer assim que tiver lido. Adeus.