Cartas - Livro VI 31
Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)
Caio Plínio a seu Corneliano, saudações.
Convocado pelo nosso César para o conselho em Centum Cellae, esse é o nome do lugar, tive grande prazer.
Pois o que há de mais agradável do que observar a justiça, a seriedade e a cordialidade do príncipe mesmo no seu retiro, onde essas qualidades mais se revelam? Houve causas variadas e capazes de pôr à prova as virtudes do juiz em vários aspectos.
Defendeu sua causa Cláudio Aristão, o principal cidadão de Éfeso, homem generoso e popular sem culpa; daí a inveja, e, da parte de gente que em nada se parecia com ele, um delator foi instigado. E assim ele foi absolvido e teve sua honra restaurada.
No dia seguinte ouviu-se Galita, ré de adultério. Casada com um tribuno militar que ia se candidatar a cargos públicos, ela manchara a própria dignidade e a do marido com o amor de um centurião. O marido escrevera ao legado consular, e este, a César.
César, examinadas as provas, destituiu o centurião e ainda o desterrou. Restava ao crime, que só podia ser de dois, a outra parte da punição; mas o amor pela esposa, não sem alguma censura à sua tolerância, retardava o marido, que de fato a mantivera em casa mesmo depois de denunciado o adultério, como que contente por ter afastado o rival.
Advertido a levar a acusação até o fim, levou-a a contragosto. Mas era necessário que ela fosse condenada mesmo contra a vontade do acusador: foi condenada e entregue às penas da lei Júlia. César acrescentou à sentença tanto o nome do centurião quanto a menção à disciplina militar, para que não parecesse chamar a si todas as causas desse tipo.
No terceiro dia abriu-se a investigação, muito comentada e cercada de boatos variados, sobre os codicilos de Júlio Tirão, que se sabia serem em parte verdadeiros e em parte se diziam falsos.
Eram acusados Semprônio Senecião, cavaleiro romano, e Euritmo, liberto e procurador de César. Os herdeiros, quando César estava na Dácia, escrevendo uma carta em comum, haviam pedido que ele assumisse a investigação.
Ele assumira; de volta, marcara o dia, e, como alguns dos herdeiros desistissem da acusação como que por respeito a Euritmo, dissera de modo belíssimo: 'Nem ele é Policleto, nem eu sou Nero.' Mesmo assim concedera aos que pediam um adiamento, esgotado o prazo do qual sentara-se para julgar.
Da parte dos herdeiros, apenas dois entraram; pediram que todos os herdeiros fossem obrigados a prosseguir, já que todos haviam denunciado, ou que a eles também fosse permitido desistir.
César falou com a máxima seriedade e a máxima moderação, e, quando o advogado de Senecião e Euritmo disse que os réus ficariam sob suspeita se não fossem ouvidos, ele respondeu: 'Não me importa se eles ficam sob suspeita; eu é que fico.'
Depois, voltando-se para nós: 'Considerem o que devemos fazer; pois estes querem se queixar de que lhes foi permitido não serem acusados.' Então, conforme o parecer do conselho, mandou notificar todos os herdeiros para que ou prosseguissem ou cada um expusesse as razões de não prosseguir; do contrário, ele se pronunciaria até por calúnia.
Você vê quão honrados e quão sérios foram os dias; e eles eram seguidos pelos mais agradáveis descansos. Éramos convidados todos os dias para o jantar; era modesto, se você pensar que era de um príncipe. Às vezes ouvíamos apresentações, às vezes a noite se passava nas mais agradáveis conversas.
No último dia, ao partirmos, tão diligente é a gentileza de César, foram-nos enviados presentes. Mas, assim como a seriedade dos julgamentos, a honra do conselho e a doçura e simplicidade do convívio, também o próprio lugar me foi muito agradável.
Uma villa belíssima é cercada por campos verdejantes e domina o litoral, em cuja enseada está sendo construído agora mesmo um porto. O braço esquerdo dele está fortificado com obra solidíssima; o direito está sendo trabalhado.
Na entrada do porto ergue-se uma ilha que, posta diante, quebra o mar empurrado pelo vento e garante às naves uma passagem segura de ambos os lados. Ela se ergue por uma arte digna de se ver: uma barca larguíssima leva enormes pedras contra a corrente; essas pedras, lançadas umas sobre as outras, mantêm-se pelo próprio peso e aos poucos vão se erguendo como uma espécie de dique.
Já se destaca e aparece um dorso de pedra que, golpeando as ondas que se chocam, dispersa-as imensamente e as lança ao alto; ali há um estrondo enorme e o mar ao redor fica branco. Depois serão acrescentados pilares às pedras, que com o tempo imitem uma ilha formada naturalmente. Este porto terá, e já tem, o nome do seu autor, e será extremamente útil; pois, por um longuíssimo trecho, o litoral sem portos terá esse refúgio. Adeus.