Cartas - Livro VI 21
Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)
Caio Plínio a seu Canínio, saudações.
Sou daqueles que admiram os antigos, mas não, como alguns, desprezo os talentos do nosso tempo. Pois a natureza não é tão cansada e esgotada a ponto de não produzir mais nada digno de louvor.
Aliás, há pouco ouvi Virgílio Romano ler diante de poucos uma comédia escrita no modelo da comédia antiga, tão bem feita que ela mesma poderá um dia servir de modelo.
Não sei se você conhece o homem, embora deva conhecê-lo; pois ele se destaca pela retidão dos costumes, pela elegância do talento e pela variedade das obras.
Escreveu mimiambos com finura, agudeza e graça, e nesse gênero com a maior eloquência; pois não há gênero que, levado à perfeição, não possa ser chamado de eloquentíssimo. Escreveu comédias imitando Menandro e outros poetas da mesma época; você pode contá-las entre as de Plauto e as de Terêncio.
Agora, pela primeira vez, ele se apresenta na comédia antiga, mas não como quem está começando. Não lhe faltou força, nem grandeza, nem sutileza, nem amargor, nem doçura, nem graça: enalteceu as virtudes, atacou os vícios; usou nomes fictícios com decoro e nomes reais com propriedade.
Só em relação a mim, por excesso de bondade, passou da medida, mas, afinal, aos poetas é permitido mentir.
Em suma, vou arrancar dele o livro e enviá-lo a você para que o leia, ou melhor, para que o decore; pois não duvido de que, se você o tomar uma vez, não vá deixá-lo de lado. Adeus.