Cartas - Livro VI 17
Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)
Caio Plínio ao seu caro Restituto, saudações.
Não consigo me conter para não despejar com você, por carta, já que não foi possível pessoalmente, a pequena indignação que senti no auditório de certo amigo. Lia-se um livro perfeitíssimo.
Dois ou três homens eloquentes, ao menos como eles e uns poucos se consideram, ouviam-no parecidos com surdos-mudos. Não abriram os lábios, não moveram a mão, enfim nem se levantaram, ao menos pelo cansaço de ficar sentados.
Que gravidade é essa? que sabedoria é essa? ou antes, que preguiça, que arrogância, que perversidade, ou melhor, que loucura, gastar nisso o dia inteiro para ofender, para deixar inimigo aquele a quem você veio como amicíssimo? Você é mais eloquente?
Razão a mais para não invejar; pois quem inveja é menor. Enfim, quer você valha mais, menos ou o mesmo, elogie o inferior, o superior ou o igual: o superior, porque, se ele não for elogiado, você não pode ser elogiado; o inferior ou o igual, porque interessa à sua glória parecer o maior possível aquele que você precede ou iguala.
De minha parte, costumo venerar e até admirar todos os que fazem algo nos estudos; pois é coisa difícil, árdua, exigente, e que, por sua vez, despreza quem a despreza. A não ser que você julgue diferente. Mas quem é mais reverente que você diante deste trabalho, quem é avaliador mais benigno?
Por essa razão revelei a você, mais que a qualquer um, a minha indignação, tendo você como o melhor companheiro possível. Adeus.