Cartas - Livro V 21
As villas, os testamentos, a educação e a memória dos mortos
Caio Plínio ao seu amigo Pompeu Saturnino, saudações.
A sua carta me afetou de modos diversos; pois continha em parte notícias alegres, em parte tristes: alegres, porque anunciavam que você está retido na cidade ('não queria', você diz; mas eu quero), e, além disso, porque prometiam que você recitaria assim que eu chegasse; agradeço por ser esperado.
A notícia triste é que Júlio Valente está gravemente doente; embora nem isso seja triste, se for avaliado pelo interesse dele, a quem convém livrar-se o quanto antes de uma doença sem solução.
O que é, sem dúvida, não só triste, mas até luto, é que Júlio Avito faleceu enquanto voltava da questura; faleceu no navio, longe de um irmão amantíssimo, longe da mãe e das irmãs
(nada disso importa ao morto, mas importou quando morria, e importa a estes que ficaram); e ainda que se apagou na primeira flor da vida um jovem de tão grande índole, que teria alcançado o mais alto se as suas virtudes tivessem amadurecido.
Com que amor aos estudos ele ardia! Quanto leu, quanto até escreveu! Tudo isso agora se foi com ele, sem fruto para a posteridade.
Mas por que me deixo levar pela dor? Se você lhe solta as rédeas, não há assunto que não vire o maior dos assuntos. Vou pôr fim à carta, para poder pôr fim também às lágrimas que a carta fez brotar. Até logo.