Cartas - Livro IX 22

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio a seu caro Severo, saudações.

A saúde de Passeno Paulo me deixou muito preocupado, e por muitíssimas razões justas. É um homem excelente, honestíssimo, e que muito me estima. Além disso, nas letras ele imita, reproduz e faz reviver os antigos, sobretudo Propércio, de quem descende: é seu verdadeiro descendente, e por isso parecidíssimo com ele justamente naquilo em que Propércio foi mais notável.
Se pegares nas mãos as elegias dele, vais ler uma obra polida, suave e encantadora, escrita claramente dentro da casa de Propércio. pouco passou para a lírica, e nela reproduz Horácio como reproduzia aquele outro: pensarias, se a parentela conta em alguma coisa nos estudos, que ele também é aparentado de Horácio. grande variedade, grande agilidade: ama como quem ama com toda a sinceridade, sofre como quem sofre com toda a impaciência, louva como quem louva com toda a benevolência, brinca como quem brinca com toda a graça, e enfim leva tudo à perfeição como se cada coisa fosse a única.
Por esse amigo, por esse talento, eu adoeci na alma tanto quanto ele no corpo. Por fim ele se recuperou e por fim eu me recuperei. Felicita-me, e felicita também as próprias letras, que do perigo dele correram tanto risco quanto da sua recuperação alcançarão glória. Adeus.