Cartas - Livro IX 2
As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero
Caio Plínio ao seu Sabino, saudações.
Você faz algo agradável ao me pedir não só muitas cartas minhas, mas também as mais longas possíveis. Tenho sido mais econômico nisso, em parte porque receava atrapalhar suas ocupações, em parte porque eu mesmo andava muito tomado por afazeres em geral enfadonhos, que ao mesmo tempo distraem e enfraquecem o espírito. Além disso, não havia assunto para escrever mais.
Pois a minha situação não é a mesma de Marco Túlio, cujo exemplo você me propõe. Ele tinha um talento abundantíssimo, e à altura do talento dispunha com larga abundância da variedade e da grandeza dos assuntos;
já a mim, em que estreitos limites estou confinado, você percebe mesmo que eu me cale, a não ser que eu queira lhe enviar cartas de erudição escolar e, por assim dizer, de gabinete.
Mas nada me parece menos apropriado, quando penso nas suas armas, no acampamento, enfim nos clarins, nas trombetas, no suor, na poeira, no sol escaldante.
Você tem, creio, uma desculpa legítima da minha parte, mas não sei se quero que você a aceite. Pois é sinal do mais alto afeto não perdoar as cartas curtas dos amigos, ainda que você saiba que eles têm boa razão para isso. Adeus.