Cartas - Livro III 13
Retratos de homens ilustres, processos no senado e reflexões sobre a vida literária
Caio Plínio a seu caro Vocônio Romano, saudações.
O discurso em que recentemente, como cônsul, agradeci ao ótimo imperador, eu lhe enviei a seu pedido, e teria enviado mesmo que você não tivesse pedido.
Nele, gostaria que você considerasse tanto a beleza do tema como a sua dificuldade. Nos demais discursos a própria novidade mantém o leitor atento; neste, tudo o que se diz é conhecido, comum, já dito. Por isso o leitor, como que ocioso e despreocupado, presta atenção só à expressão, na qual é mais difícil satisfazer quando ela é avaliada sozinha.
E quem dera ao menos a ordenação, as transições e as figuras fossem observadas ao mesmo tempo! Pois conceber ideias brilhantes e enunciá-las com grandeza às vezes até os bárbaros costumam fazer, mas dispor com acerto e variar as figuras só é dado aos cultos.
E também não se deve buscar sempre o elevado e o sublime. Pois, assim como na pintura nada realça mais a luz do que a sombra, assim convém ao discurso tanto baixar de tom como elevar-se.
Mas por que digo isso a um homem tão douto? Antes isto: anote o que achar que deve ser corrigido. Pois acreditarei mais que o resto lhe agrada se souber que algumas coisas não agradaram. Adeus.