Cartas - Livro II 12
Cartas sobre oratória, heranças, a morte de amigos e o cotidiano da elite romana
Caio Plínio ao seu caro Arriano, saudações.
Aquele assunto que, como lhe escrevi há pouco, restava da causa de Mário Prisco, não sei se foi resolvido por completo, mas pelo menos foi aparado e cortado.
Firmino, apresentado ao senado, respondeu à acusação já conhecida. Seguiram-se propostas divergentes dos cônsules designados. Cornuto Tertulo propôs que ele fosse expulso da ordem; Acúcio Nerva, que não se levasse em conta sua candidatura no sorteio de uma província. Essa proposta, por parecer mais branda, venceu, embora seja, na verdade, mais dura e mais severa.
Pois o que há de mais miserável do que, cortado e excluído das honras senatoriais, não se ver livre do trabalho e do incômodo? E o que há de mais grave do que, atingido por tamanha desonra, não poder esconder-se na solidão, mas ter de se expor à vista e ao dedo de todos, nesse posto tão elevado?
Além disso, o que há de menos conveniente ou decoroso, do ponto de vista público, do que um homem censurado pelo senado assentar-se no senado, igualar-se aos mesmos que o censuraram; afastado do proconsulado porque se conduzira torpemente numa legação, julgar procônsules; e, condenado por desonestidade, condenar ou absolver outros?
Mas isso pareceu melhor à maioria. Pois os votos se contam, não se pesam; e nada mais se pode fazer num conselho público, onde nada é tão desigual quanto a própria igualdade. Pois, embora a prudência seja desigual, o direito de todos é igual.
Cumpri a promessa e saldei o compromisso da carta anterior, que, pelo tempo decorrido, calculo que você já tenha recebido, pois a entreguei a um mensageiro veloz e cuidadoso, a não ser que tenha sofrido algum obstáculo no caminho.
Cabe agora a você recompensar primeiro aquela e depois esta carta com escritos tão completos quanto os que podem vir daí. Passe bem.