Cartas - Livro II 13
Cartas sobre oratória, heranças, a morte de amigos e o cotidiano da elite romana
Caio Plínio ao seu caro Prisco, saudações.
Você agarra com avidez as ocasiões de me obrigar, e não há ninguém a quem eu deva favores com mais gosto.
Por duas razões, então, decidi pedir justamente a você o que mais desejo obter. Você comanda um exército enorme: daí lhe vem ampla matéria para conceder favores, e além disso já teve tempo longo para distinguir seus amigos. Volte-se agora para os meus, e não são muitos.
Você preferiria que fossem muitos; mas, para o meu pudor, basta um ou dois, ou melhor, um só.
Esse será Vocônio Romano. O pai dele teve posição ilustre na ordem equestre; o padrasto, ou melhor, seu segundo pai (pois também sucedeu nesse nome, por afeto), foi ainda mais ilustre; a mãe vinha de uma das principais famílias. Ele mesmo foi recentemente flâmine da Hispânia Citerior, e você sabe que peso e gravidade tem o juízo daquela província.
A esse homem, quando estudávamos juntos, amei de modo íntimo e familiar; foi meu companheiro na cidade e no retiro, com ele compartilhei tanto as coisas sérias quanto as brincadeiras.
Pois o que há de mais fiel como amigo ou mais agradável como companheiro? Há nele um encanto admirável na conversa e admirável também no próprio rosto e semblante.
A isso se acrescenta um talento elevado, fino, suave, fácil e culto na defesa das causas; quanto às cartas, escreve-as de modo que você acreditaria que as próprias Musas falam latim. Eu o amo muitíssimo, e ele não fica atrás.
Quando jovem, logo me dediquei a ele, também jovem, com toda a avidez que a idade permitia, e há pouco obtive do excelente príncipe o direito dos três filhos para ele; embora o concedesse com parcimônia e seleção, concedeu-mo como se ele próprio fizesse a escolha.
Esses meus favores não posso preservar de modo melhor do que aumentando-os, sobretudo porque ele os recebe com tanta gratidão que, ao receber os anteriores, merece os seguintes.
Você já sabe quem ele é, quão estimado e querido nos é; peço que o distinga conforme seu talento e sua fortuna. Acima de tudo, ame este homem; pois, ainda que lhe conceda o maior favor que pode, nada lhe pode dar maior que sua amizade. Para que você soubesse melhor que ele é capaz dessa amizade até a mais íntima familiaridade, descrevi-lhe em poucas palavras seus estudos, seus costumes, enfim toda a sua vida.
Eu prolongaria os pedidos, se você não detestasse ser solicitado por muito tempo e se eu mesmo não o tivesse feito por toda esta carta; pois pede, e do modo mais eficaz, quem expõe as razões de pedir. Passe bem.