Cartas - Livro I 24

As primeiras cartas literárias publicadas: retórica, amizade e a vida pública e privada de um senador romano

Caio Plínio ao seu Bébio Hispano, saudações.

Meu companheiro Tranquilo quer comprar um pequeno terreno que, dizem, seu amigo está pondo à venda.
Peço que você cuide de que ele compre por um preço justo; pois assim ficará satisfeito de ter comprado. Uma compra é sempre desagradável, sobretudo porque parece censurar a tolice do dono.
Nesse pequeno terreno, contanto que o preço agrade, muitas coisas atraem o gosto do meu Tranquilo: a proximidade da cidade, a comodidade da estrada, o tamanho modesto da casa de campo e a medida do terreno, suficiente para distrair mais do que para afligir.
Aos donos eruditos, como este é, basta de sobra apenas o tanto de terra para refrescar a cabeça, repousar os olhos, perambular pelas divisas, percorrer uma única vereda, conhecer todas as suas videirinhas e contar as árvores. Expus-lhe isto para que soubesse melhor quanto ele me ficaria devendo e quanto eu lhe ficaria devendo a você, se comprasse essa propriedadezinha, recomendada por esses dotes, de modo tão vantajoso que não deixasse lugar ao arrependimento. Adeus.