Antiguidades Judaicas - Livro XIV 15

Livro XIV: Pompeu, Roma e a ascensão de Herodes

Como Herodes navegou da Itália para a Judeia e lutou contra Antígono, e que outras coisas aconteceram na Judeia por essa época.

A essa altura Herodes havia navegado da Itália para Ptolemaida e reunido um exército nada pequeno, formado tanto por estrangeiros quanto por compatriotas seus, e marchou pela Galileia contra Antígono. Sílon e Vêntidio também vieram ajudá-lo, persuadidos por Délio, que Marco Antônio enviara para colaborar no retorno de Herodes. Vêntidio estava encarregado de conter as perturbações provocadas nas cidades pelos partos. Sílon estava de fato na Judeia, mas fora corrompido por Antígono. Mesmo assim, à medida que Herodes avançava, seu exército crescia a cada dia, e toda a Galileia, com poucas exceções, juntou-se a ele. Quando ele marchava para socorrer os que estavam em Masada, pois precisava tentar salvar os que estavam naquela fortaleza, agora sitiados, que eram seus parentes, Jope tornou-se um obstáculo. Era necessário tomar primeiro aquele lugar, uma cidade que lhe era hostil, para que nenhuma fortaleza ficasse nas mãos dos inimigos às suas costas quando ele fosse a Jerusalém. E quando Sílon usou isso como pretexto para se retirar de Jerusalém, sendo então perseguido pelos judeus, Herodes caiu sobre eles com um pequeno grupo de homens, pôs os judeus em fuga e salvou Sílon, que mal conseguia se defender. Depois de tomar Jope, Herodes apressou-se a libertar os familiares que estavam em Masada. Parte da população do país juntou-se a ele pela amizade que tinham tido com seu pai, parte pela imagem esplêndida que ele apresentava, e outros em retribuição aos benefícios que haviam recebido de ambos. Mas a maioria veio a ele na esperança de obter algo dele mais tarde, caso ele se firmasse no reino.
Herodes tinha agora um exército forte. À medida que avançava, Antígono armava ciladas e emboscadas nos desfiladeiros e nos lugares mais apropriados para isso. Mas, na verdade, com isso causou pouco ou nenhum dano ao inimigo. Assim Herodes recuperou os familiares que estavam em Masada e na fortaleza de Ressa, e então seguiu rumo a Jerusalém. Os soldados que estavam com Sílon o acompanharam por todo o caminho, assim como muitos dos cidadãos, com medo de seu poder. Logo que acampou no lado oeste da cidade, os soldados encarregados de guardar aquela parte dispararam suas flechas e lançaram seus dardos contra ele. E quando alguns saíram em massa e vieram lutar corpo a corpo com as primeiras fileiras do exército de Herodes, ele ordenou que, antes de tudo, fizessem uma proclamação junto à muralha: que "ele vinha para o bem do povo e para a preservação da cidade, e não para guardar nenhum rancor antigo nem mesmo contra seus inimigos mais declarados, mas estava disposto a esquecer as ofensas que seus maiores adversários lhe haviam feito". Mas Antígono, respondendo ao que Herodes mandara proclamar, e isso diante dos romanos e também de Sílon, disse que "não agiriam com justiça se entregassem o reino a Herodes, que não passava de um homem comum e idumeu, ou seja, um meio judeu, quando deveriam concedê-lo a alguém da família real, como era seu costume. Pois, ainda que no momento tivessem vontade contra ele e tivessem resolvido privá-lo do reino por tê-lo recebido dos partos, havia muitos outros de sua família que poderiam tomá-lo segundo a lei, pessoas que em nada haviam ofendido os romanos, e que, sendo da família sacerdotal, seria indigno preterir". Enquanto diziam essas coisas uns aos outros e começavam a se acusar mutuamente de ambos os lados, Antígono permitiu que seus próprios homens, que estavam sobre a muralha, se defendessem. Estes, usando seus arcos e mostrando grande ardor contra os inimigos, facilmente os afastaram das torres.
E foi então que Sílon revelou que havia aceitado subornos. Pois pôs um bom número de seus soldados a reclamar em voz alta da falta de mantimentos em que se encontravam, a exigir dinheiro para comprar comida, e a dizer que era conveniente deixá-los ir para lugares apropriados a quartéis de inverno, que as regiões próximas à cidade estavam desertas, porque os soldados de Antígono haviam levado tudo embora. Assim ele pôs o exército em movimento e tentou partir. Mas Herodes insistiu com Sílon para que não fosse embora, e exortou os capitães e soldados de Sílon a não o abandonarem, depois que César, Marco Antônio e o senado o haviam enviado até ali. Disse que lhes forneceria fartura de tudo o que precisassem e facilmente lhes conseguiria grande abundância do que requeressem. Após esse apelo, ele saiu imediatamente para o campo e não deixou a Sílon o menor pretexto para partir. Pois trouxe uma quantidade inesperada de mantimentos e mandou aos amigos que moravam em torno de Samaria que levassem trigo, vinho, azeite, gado e todos os outros mantimentos a Jericó, para que não houvesse falta de suprimentos aos soldados dali em diante. Antígono percebeu isso e logo enviou pelo país homens que pudessem conter e emboscar os que saíam em busca de mantimentos. Esses homens obedeceram às ordens de Antígono, reuniram um grande número de homens armados em torno de Jericó, postaram-se nos montes e vigiavam os que traziam os mantimentos. No entanto, Herodes não ficou ocioso nesse meio-tempo. Pegou dez coortes de soldados, das quais cinco eram de romanos e cinco de judeus, com alguns mercenários entre eles e uns poucos cavaleiros, e veio a Jericó. E como encontraram a cidade abandonada, mas quinhentos deles haviam se instalado nos topos das colinas com suas mulheres e filhos, ele os capturou e os deixou partir. Mas os romanos caíram sobre a cidade e a saquearam, e encontraram as casas cheias de toda sorte de coisas boas. Então o rei deixou uma guarnição em Jericó e voltou, e enviou o exército romano para tomar seus quartéis de inverno nas regiões que haviam passado para o seu lado: Judeia, Galileia e Samaria. E Antígono conseguiu de Sílon, em troca dos subornos que lhe deu, que parte do exército ficasse acampada em Lida, a fim de agradar a Marco Antônio. Assim os romanos depuseram as armas e viveram em abundância de tudo.
Mas Herodes não se contentava em ficar parado, e enviou seu irmão José contra a Idumeia com dois mil soldados de infantaria e quatrocentos cavaleiros. Ele mesmo, por sua vez, foi a Samaria, deixou ali sua mãe e seus outros parentes, pois haviam saído de Masada, e entrou na Galileia para tomar certos lugares que estavam ocupados pelas guarnições de Antígono. Avançou até Séforis enquanto Deus enviava uma nevada, e as guarnições de Antígono se retiraram, e ele encontrou grande fartura de mantimentos. De também partiu, resolvido a destruir os bandidos que viviam nas cavernas e causavam muito estrago no país. Por isso enviou contra eles um destacamento de cavaleiros e três companhias de infantaria armada. Eles estavam bem perto de uma aldeia chamada Arbela. E no quadragésimo dia ele mesmo chegou, com todo o seu exército. E como o inimigo saiu com audácia contra ele, a ala esquerda de seu exército cedeu. Mas ele, surgindo com um grupo de homens, pôs em fuga os que se davam por vencedores e fez voltar os seus que estavam fugindo. Também pressionou os inimigos e os perseguiu até o rio Jordão, embora eles fugissem por caminhos diferentes. Assim trouxe para o seu lado toda a Galileia, exceto os que viviam nas cavernas, e distribuiu dinheiro a cada um de seus soldados, dando a cada um cento e cinquenta dracmas, e muito mais aos seus capitães, e os enviou para os quartéis de inverno. Nessa ocasião Sílon veio a ele, com seus comandantes, porque Antígono não lhes daria mais mantimentos, pois os abastecera por um único mês. Mais ainda, ele mandara a toda a região ao redor que levasse embora os mantimentos que ali havia e se retirasse para os montes, para que os romanos não tivessem suprimentos com que viver e assim perecessem pela fome. Mas Herodes confiou o cuidado daquela questão a Feroras, seu irmão mais novo, e ordenou-lhe que também reconstruísse Alexandreion. Feroras logo fez os soldados terem grande abundância de mantimentos e reconstruiu Alexandreion, que antes estava desolada.
Por essa época Marco Antônio permaneceu algum tempo em Atenas, e Vêntidio, que estava agora na Síria, mandou chamar Sílon e ordenou-lhe que ajudasse Herodes, em primeiro lugar, a concluir a guerra presente, e depois convocasse os aliados para a guerra em que eles mesmos estavam envolvidos. Quanto a Herodes, ele marchou às pressas contra os bandidos que estavam nas cavernas, e enviou Sílon de volta a Vêntidio enquanto ele avançava contra eles. Essas cavernas ficavam em montes extremamente escarpados, e no meio deles não havia senão precipícios, com certas entradas para as cavernas, e essas cavernas eram cercadas por rochas pontiagudas. E nelas se escondiam os bandidos, com todas as suas famílias ao redor. Mas o rei mandou construir certas caixas, a fim de destruí-los, para serem baixadas presas por correntes de ferro, por meio de uma máquina, do alto do monte. Pois não era possível subir até eles por causa da inclinação acentuada dos montes, nem descer até eles por cima. Ora, essas caixas foram enchidas de homens armados, que tinham ganchos longos nas mãos, com os quais podiam puxar para fora os que lhes resistiam e então lançá-los para baixo, matando-os assim. Mas baixar as caixas mostrou-se uma operação de grande perigo, por causa da enorme profundidade até onde tinham de ser descidas, embora tivessem seus mantimentos dentro das próprias caixas. Quando as caixas foram baixadas e nenhum dos que estavam nas bocas das cavernas ousou se aproximar delas, mas ficaram imóveis de medo, alguns dos homens armados afivelaram suas armaduras e, com ambas as mãos, agarraram a corrente pela qual as caixas eram baixadas e entraram nas bocas das cavernas, irritados com toda aquela demora causada pelos bandidos que não ousavam sair das cavernas. E quando chegavam a alguma dessas bocas, primeiro mataram com seus dardos muitos dos que estavam nas entradas, e depois puxaram para si com os ganchos os que lhes resistiam, lançaram-nos pelos precipícios, em seguida entraram nas cavernas, mataram muitos mais, e então voltaram para suas caixas e ali ficaram imóveis. Diante disso, o terror tomou conta dos demais, quando ouviram os lamentos que eram feitos, e perderam a esperança de escapar. No entanto, quando a noite chegou, pôs fim a todo o trabalho. E como o rei proclamou perdão, por meio de um arauto, aos que se entregassem a ele, muitos aceitaram a oferta. O mesmo método de ataque foi usado no dia seguinte, e eles foram mais longe, saíram em cestos para combatê-los, lutaram contra eles em suas portas, atiraram fogo entre eles e incendiaram suas cavernas, pois havia muito material combustível dentro delas. Ora, havia um velho que foi cercado dentro de uma dessas cavernas, com sete filhos e uma esposa. Estes lhe suplicaram que os deixasse sair e se entregar ao inimigo, mas ele postou-se à boca da caverna e matava sempre o filho que saísse, até destruir cada um deles, e depois matou a esposa, lançou os corpos pelo precipício e a si mesmo após eles, e assim enfrentou a morte em vez da escravidão. Mas, antes de fazer isso, ele censurou duramente Herodes pela baixa condição de sua família, embora ele fosse rei. Herodes também viu o que ele fazia, estendeu a mão e ofereceu-lhe toda sorte de garantia de vida. Por esse meio todas essas cavernas foram por fim inteiramente subjugadas.
E depois que o rei pôs Ptolomeu como seu general sobre aquelas partes do país, foi a Samaria com seiscentos cavaleiros e três mil soldados de infantaria armada, com a intenção de combater Antígono. Mas esse comando do exército não correu bem para Ptolomeu. Os que antes haviam sido motivo de transtorno na Galileia o atacaram e o mataram, e depois de fazê-lo fugiram para os lagos e lugares quase inacessíveis, devastando e saqueando tudo o que conseguiam alcançar naquelas regiões. Mas Herodes logo voltou e os puniu pelo que haviam feito. Pois matou alguns desses rebeldes, e a outros, que haviam fugido para as fortalezas, sitiou, matou-os e demoliu suas fortalezas. E depois de pôr fim assim à rebelião deles, impôs às cidades uma multa de cem talentos.
Nesse meio-tempo Pácoro caíra em batalha e os partos haviam sido derrotados, quando Vêntidio enviou Maquéras em socorro de Herodes, com duas legiões e mil cavaleiros, enquanto Marco Antônio o incentivava a se apressar. Mas Maquéras, por instigação de Antígono, sem a aprovação de Herodes, por ter sido corrompido com dinheiro, tratou de ir examinar a situação dele. Mas Antígono, desconfiando dessa intenção em sua vinda, não o admitiu na cidade, mas o manteve à distância, atirando-lhe pedras com fundas, e mostrou claramente o que ele próprio pretendia. Mas quando Maquéras se deu conta de que Herodes lhe dera um bom conselho e de que ele próprio errara ao não atender a esse conselho, retirou-se para a cidade de Emaús, e a todos os judeus que encontrava, ele os matava, fossem inimigos ou amigos, pela raiva em que estava pelas dificuldades que sofrera. O rei ficou irritado com essa conduta dele e foi a Samaria, resolvido a procurar Marco Antônio a respeito desses assuntos e a informá-lo de que não precisava de tais auxiliares, que lhe causavam mais dano do que aos inimigos, e que ele era capaz de derrotar Antígono por conta própria. Mas Maquéras o seguiu e pediu que ele não fosse procurar Marco Antônio, ou que, se estivesse resolvido a ir, juntasse a si seu irmão José e os deixasse combater contra Antígono. Assim ele se reconciliou com Maquéras, diante dos seus insistentes apelos. Por isso deixou José ali com seu exército, mas ordenou-lhe que não corresse riscos nem entrasse em conflito com Maquéras.
Quanto a ele próprio, apressou-se a ir até Marco Antônio (que estava então no cerco de Samósata, um lugar junto ao Eufrates), com suas tropas, tanto cavaleiros quanto soldados de infantaria, para servir-lhe de auxiliares. E quando chegou a Antioquia e encontrou ali um grande número de homens reunidos, muito desejosos de ir até Marco Antônio, mas que não ousavam partir por medo, porque os bárbaros atacavam os homens na estrada e matavam muitos, ele os encorajou e tornou-se seu condutor pelo caminho. Quando estavam a dois dias de marcha de Samósata, os bárbaros haviam armado ali uma emboscada para atacar os que vinham a Marco Antônio, e onde as matas tornavam os desfiladeiros estreitos, à medida que levavam às planícies, ali postaram não poucos de seus cavaleiros, que deviam ficar imóveis até que aqueles viajantes tivessem passado para o lugar amplo. Assim que as primeiras fileiras passaram (pois Herodes trazia a retaguarda), os que estavam emboscados, cerca de quinhentos, caíram sobre eles de repente. E quando puseram em fuga os da frente, o rei chegou cavalgando a toda velocidade, com as forças que estavam ao seu redor, e imediatamente fez o inimigo recuar. Por esse meio tornou corajosos os ânimos de seus próprios homens e os encorajou a prosseguir. De modo que os que antes haviam fugido agora voltavam, e os bárbaros eram mortos por todos os lados. O rei também continuou matando-os, recuperou toda a bagagem, entre a qual havia um grande número de animais de carga e de escravos, e prosseguiu em sua marcha. E como havia um grande número daqueles nas matas que os atacavam e estavam perto da passagem que levava à planície, ele fez uma investida também contra estes, com um forte grupo de homens, os pôs em fuga e matou muitos deles, e assim tornou seguro o caminho para os que vinham depois. E estes chamaram Herodes de seu salvador e protetor.
E quando ele estava perto de Samósata, Marco Antônio mandou seu exército, em todos os seus devidos uniformes, ao encontro dele, a fim de prestar a Herodes essa honra e por causa da ajuda que lhe dera. Pois tinha ouvido falar dos ataques que os bárbaros lhe haviam feito [na Judeia]. Ele também ficou muito contente em vê-lo ali, tendo sido informado das grandes ações que ele realizara pelo caminho. Por isso o recebeu com muita bondade e não pôde deixar de admirar sua coragem. Marco Antônio também o abraçou assim que o viu e o saudou da maneira mais afetuosa, e deu-lhe o lugar de honra, por ele próprio o ter feito rei pouco antes. E em pouco tempo Antíoco entregou a fortaleza, e por essa razão essa guerra chegou ao fim. Então Marco Antônio confiou o resto a Sósio e deu-lhe ordens para ajudar Herodes, e ele próprio foi ao Egito. Assim Sósio enviou duas legiões adiante para a Judeia, em socorro de Herodes, e ele mesmo o seguiu com o grosso do exército.
Ora, José fora morto na Judeia, da seguinte maneira. Ele esqueceu a ordem que seu irmão Herodes lhe dera, quando este foi até Marco Antônio. E depois de acampar entre os montes, pois Maquéras lhe emprestara cinco regimentos, com estes foi às pressas a Jericó, a fim de colher o trigo que ali pertencia. E como os regimentos romanos eram recém-recrutados e inexperientes na guerra, pois em grande parte tinham sido reunidos na Síria, ele foi atacado pelo inimigo e apanhado naqueles lugares difíceis, e ele mesmo foi morto, enquanto lutava com bravura, e todo o exército se perdeu. Pois seis regimentos foram mortos. E quando Antígono se apossou dos corpos, cortou a cabeça de José, embora seu irmão Feroras quisesse resgatá-la pelo preço de cinquenta talentos. Após essa derrota, os galileus se rebelaram contra seus comandantes, capturaram os do partido de Herodes e os afogaram no lago, e grande parte da Judeia caiu em sedição. Mas Maquéras fortificou o lugar chamado Gita [em Samaria].
Nesse momento mensageiros vieram a Herodes e o informaram do que havia acontecido. E quando ele chegou a Dafne, perto de Antioquia, contaram-lhe o triste destino que se abatera sobre seu irmão. Coisa que ele, no entanto, esperava, por certas visões que lhe haviam aparecido em sonhos e que claramente prenunciavam a morte do irmão. Por isso apressou sua marcha, e quando chegou ao monte Líbano recebeu cerca de oitocentos dos homens daquele lugar, tendo consigo também uma legião romana, e com estes veio a Ptolemaida. De também marchou de noite com seu exército e avançou ao longo da Galileia. Foi aqui que o inimigo o enfrentou, lutou com ele, foi derrotado e se trancou no mesmo lugar fortificado de onde havia saído no dia anterior. Então ele atacou o lugar pela manhã. Mas por causa de uma grande tempestade que então era muito violenta, não conseguiu fazer nada, e retirou seu exército para as aldeias vizinhas. Contudo, assim que a outra legião que Marco Antônio lhe enviara chegou em seu socorro, os que estavam de guarnição no lugar ficaram com medo e o abandonaram durante a noite. Então o rei marchou às pressas para Jericó, com a intenção de se vingar do inimigo pela morte de seu irmão. E quando armou suas tendas, fez um banquete para os principais comandantes, e depois que essa refeição terminou e ele dispensou seus convidados, retirou-se para seu próprio quarto. E aqui se pode ver que bondade Deus tinha para com o rei. Pois a parte superior da casa desabou quando não havia ninguém nela, e assim não matou ninguém, de modo que todo o povo acreditou que Herodes era amado por Deus, que escapara de um perigo tão grande e surpreendente.
Mas no dia seguinte seis mil inimigos desceram dos topos dos montes para combater os romanos, o que os aterrorizou muito. E os soldados que estavam em armamento leve aproximaram-se e atingiram com dardos e pedras os guardas do rei que haviam saído, e um deles o feriu no flanco com um dardo. Antígono também enviou contra Samaria um comandante chamado Papo, com algumas forças, desejoso de mostrar ao inimigo quão poderoso ele era e que tinha homens de sobra em sua guerra contra eles. Papo postou-se para se opor a Maquéras. Mas Herodes, depois de tomar cinco cidades, capturou os que restaram nelas, cerca de dois mil, matou-os e incendiou as próprias cidades, e então voltou para marchar contra Papo, que estava acampado numa aldeia chamada Isanas. E muitos de Jericó e da Judeia, perto dos quais ele estava, correram para se juntar a Papo, e o inimigo caiu sobre os homens de Herodes, tão ousados estavam naquele momento, e travou batalha com eles. Mas ele os derrotou no combate, e a fim de se vingar deles pela morte de seu irmão, perseguiu-os com afinco e os matou enquanto fugiam. E como as casas estavam cheias de homens armados, e muitos deles corriam até os topos das casas, ele os pôs sob o seu poder e derrubou os telhados das casas, e viu os cômodos inferiores cheios de soldados que haviam sido apanhados e jaziam todos amontoados. Então atiraram pedras sobre eles enquanto jaziam empilhados uns sobre os outros, e assim os mataram. Não houve em toda a guerra espetáculo mais aterrorizante do que este, onde, para além das muralhas, uma imensa multidão de mortos jazia amontoada uns sobre os outros. Foi principalmente essa ação que quebrou o ânimo do inimigo, que agora aguardava o que viria. Pois apareceu um número enorme de pessoas, vindas de lugares distantes, que estavam agora em torno da aldeia, mas então fugiram. E se não fosse pelo rigor do inverno, que então os conteve, o exército do rei teria ido logo a Jerusalém, tão corajoso estava com esse bom êxito, e toda a obra teria sido concluída imediatamente. Pois Antígono estava procurando como poderia fugir e abandonar a cidade.
Nesse momento o rei deu ordem para que os soldados fossem jantar, pois era tarde da noite, enquanto ele entrava num aposento para tomar banho, pois estava muito cansado. E foi aqui que ele correu o maior perigo, do qual, no entanto, escapou pela providência de Deus. Pois enquanto estava nu, com apenas um servo a acompanhá-lo, para estar com ele enquanto se banhava num cômodo interno, alguns dos inimigos, que estavam em armadura e haviam fugido para ali de medo, encontravam-se no local. E enquanto ele se banhava, o primeiro deles saiu com a espada desembainhada na mão e foi para a porta, e atrás dele um segundo, e um terceiro armado da mesma forma, e estavam tão apavorados que não fizeram nenhum mal ao rei, e consideraram-se muito felizes por não sofrerem dano algum ao sair da casa. No entanto, no dia seguinte, ele cortou a cabeça de Papo, pois este havia sido morto, e a enviou a Feroras, como castigo pelo que o irmão deles sofrera por causa dele, pois foi ele o homem que o matou com sua própria mão.
Quando o rigor do inverno passou, Herodes deslocou seu exército, chegou perto de Jerusalém e armou seu acampamento bem junto à cidade. Ora, este era o terceiro ano desde que ele fora feito rei em Roma. E ao deslocar seu acampamento e chegar perto daquela parte da muralha onde podia ser atacada com mais facilidade, armou o acampamento diante do templo, com a intenção de fazer seus ataques da mesma forma que Pompeu fizera. Por isso cercou o lugar com três baluartes, ergueu torres, empregou muitas mãos na obra e cortou as árvores que havia ao redor da cidade. E quando designou pessoas adequadas para supervisionar as obras, mesmo enquanto o exército estava diante da cidade, ele próprio foi a Samaria, para concluir seu casamento e tomar por esposa a filha de Alexandre, filho de Aristóbulo. Pois a tinha desposado, como relatei antes.