Antiguidades Judaicas - Livro XII 9
Livro XII: a Septuaginta, Antíoco e os Macabeus
Sobre a morte de Antíoco Epifânio. Como Antíoco Eupátor lutou contra Judas e o sitiou no templo, e depois fez as pazes com ele e partiu. Sobre Alcimo e Onias.
Foi por essa época que o rei Antíoco, ao atravessar as regiões do interior, ouviu falar de uma cidade muito rica na Pérsia, chamada Elimaida, onde havia um templo de Diana extremamente rico, repleto de toda sorte de oferendas dedicadas a ele, e também de armas e couraças. Ao investigar, descobriu que tudo aquilo fora deixado ali por Alexandre, filho de Filipe, rei da Macedônia. Movido por esses motivos, foi às pressas para Elimaida, atacou a cidade e a sitiou. Mas os que estavam dentro não se assustaram com o ataque nem com o cerco, e o enfrentaram com muita coragem. Por isso ele viu frustradas as suas esperanças, pois eles o expulsaram da cidade, saíram e o perseguiram, de modo que ele fugiu até a Babilônia e perdeu boa parte do exército. Enquanto se afligia com esse fracasso, algumas pessoas lhe contaram da derrota dos comandantes que ele deixara para trás para combater contra a Judeia, e da força que os judeus já haviam reunido. Quando essa preocupação se somou à anterior, ele ficou perturbado, e a ansiedade o levou a adoecer. Como a doença se prolongou e as dores aumentaram, ele finalmente percebeu que morreria em pouco tempo. Então chamou os amigos, disse-lhes que a doença o atormentava com severidade e confessou que aquela calamidade lhe fora enviada por causa das misérias que trouxera sobre a nação judaica, quando saqueou o templo deles e desprezou o Deus deles. Tendo dito isso, expirou. Por isso causa espanto Políbio de Megalópolis, que, embora fosse um homem de bem em outros aspectos, diz que "Antíoco morreu porque tinha o propósito de saquear o templo de Diana na Pérsia". Pois propor-se a fazer algo, sem de fato fazê-lo, não merece punição. Mas, se Políbio podia pensar que Antíoco perdeu a vida por esse motivo, é muito mais provável que esse rei tenha morrido por causa do saque sacrílego do templo em Jerusalém. Não vamos, no entanto, disputar sobre esse assunto com os que possam julgar que a causa apresentada por esse Políbio de Megalópolis está mais perto da verdade do que a apresentada por nós.
Antes de morrer, contudo, Antíoco chamou Filipe, que era um dos seus companheiros, e o fez guardião do seu reino. Deu-lhe o diadema, a veste e o anel, e o encarregou de levá-los e entregá-los ao seu filho Antíoco, pedindo-lhe ainda que cuidasse da educação do menino e preservasse o reino para ele. Esse Antíoco morreu no ano cento e quarenta e nove. Mas foi Lísias quem anunciou a morte ao povo e nomeou o filho dele, Antíoco, como rei (de quem no momento cuidava) e o chamou Eupátor.
Foi nessa época que a guarnição da cidadela de Jerusalém, junto com os judeus desertores, causou grande dano aos judeus. Pois os soldados daquela guarnição investiam de repente e matavam os que subiam ao templo para oferecer seus sacrifícios, já que essa cidadela ficava junto ao templo e o dominava do alto. Como essas desgraças se repetiam com frequência, Judas resolveu destruir aquela guarnição. Por isso reuniu todo o povo e sitiou com vigor os que estavam na cidadela. Isso aconteceu no ano cento e cinquenta do domínio dos selêucidas. Ele construiu máquinas de guerra, ergueu baluartes e pressionou com muito empenho para tomar a cidadela. Mas não eram poucos os desertores dentro do lugar que saíam de noite para o campo, juntavam-se a outros homens perversos como eles, iam ter com o rei Antíoco e lhe pediam que "não permitisse que fossem abandonados, sob as grandes dificuldades que pesavam sobre eles vindas dos da sua própria nação. E isso porque o sofrimento deles fora causado por culpa do pai dele, quando abandonaram o culto religioso dos seus pais e preferiram o que ele havia mandado que seguissem. Havia o perigo de que a cidadela e os que o rei designara para guarni-la fossem tomados por Judas e os que estavam com ele, a menos que ele lhes enviasse socorro". Quando Antíoco, que não passava de uma criança, ouviu isso, ficou irado, mandou chamar os capitães e os amigos e deu ordem para que reunissem um exército de mercenários, junto com homens do seu próprio reino que estivessem em idade de guerrear. Assim foi reunido um exército de cerca de cem mil soldados de infantaria, vinte mil cavaleiros e trinta e dois elefantes.
O rei tomou então esse exército e marchou às pressas para fora de Antioquia, com Lísias, que tinha o comando de tudo. Chegou à Idumeia e dali subiu à cidade de Bete-Zur, uma cidade forte e que só com grande dificuldade se podia tomar. Postou-se diante dela e a sitiou. E, enquanto os habitantes de Bete-Zur o enfrentavam com coragem, faziam investidas contra ele e queimavam as suas máquinas de guerra, muito tempo se passou no cerco. Mas, quando Judas soube da chegada do rei, levantou o cerco da cidadela, foi ao encontro do rei e armou o acampamento em certos desfiladeiros, num lugar chamado Bete-Zacarias, à distância de setenta estádios do inimigo. O rei logo retirou as forças de Bete-Zur e as conduziu àqueles desfiladeiros. Assim que amanheceu, dispôs os seus homens em formação de batalha e fez os elefantes seguirem um atrás do outro pelas passagens estreitas, porque não podiam ser postos lado a lado. Ao redor de cada elefante havia mil soldados de infantaria e quinhentos cavaleiros. Os elefantes traziam também torres altas [sobre o dorso] e arqueiros [dentro delas]. Ele fez ainda o restante do exército subir os montes, pôs os amigos à frente dos demais e deu ordem para que o exército gritasse bem alto, e assim atacou o inimigo. Expôs também à vista os escudos de ouro e de bronze, de modo que deles saía um esplendor glorioso, e quando gritaram os montes ecoaram. Quando Judas viu isso, não se assustou, mas recebeu o inimigo com grande coragem e matou cerca de seiscentos das primeiras fileiras. Mas, quando seu irmão Eleazar, a quem chamavam Aurã, viu o mais alto de todos os elefantes armado com couraças reais e supôs que o rei estivesse sobre ele, atacou-o com grande rapidez e bravura. Matou também muitos dos que cercavam o elefante e dispersou os demais. Em seguida passou por baixo do ventre do elefante, feriu-o e o matou. O elefante caiu então sobre Eleazar e, com o seu peso, esmagou-o até a morte. Assim chegou ao fim esse homem, depois de ter primeiro destruído com coragem muitos dos seus inimigos.
Mas Judas, vendo a força do inimigo, recuou para Jerusalém e se preparou para suportar um cerco. Quanto a Antíoco, enviou parte do exército a Bete-Zur para sitiá-la e, com o restante das tropas, marchou contra Jerusalém. Mas os habitantes de Bete-Zur se assustaram com a força dele e, vendo que as provisões escasseavam, renderam-se sob a garantia, jurada, de que não sofreriam mau trato do rei. E, tendo Antíoco tomado a cidade dessa forma, não lhes fez outro dano além de mandá-los embora despidos. Colocou também na cidade uma guarnição própria. Quanto ao templo de Jerusalém, manteve o cerco por muito tempo, enquanto os de dentro o defendiam com bravura. Pois, fossem quais fossem as máquinas que o rei dispunha contra eles, eles dispunham outras máquinas para enfrentá-las. Mas então as provisões lhes faltaram. Os frutos da terra que haviam armazenado se esgotaram, e a terra, por não ter sido arada naquele ano, ficou sem ser semeada, porque era o sétimo ano, no qual, por nossa lei, somos obrigados a deixá-la sem cultivo. Além disso, tantos dos sitiados fugiram por falta do necessário que só poucos restaram no templo.
Essas eram as circunstâncias dos que estavam sitiados no templo. Mas então, como Lísias, o general do exército, e Antíoco, o rei, foram informados de que Filipe vinha contra eles da Pérsia e tentava tomar para si a gestão dos assuntos públicos, decidiram levantar o cerco e ir às pressas contra Filipe. Resolveram, contudo, não deixar que isso fosse conhecido pelos soldados nem pelos oficiais. O rei ordenou a Lísias que falasse abertamente aos soldados e aos oficiais, sem dizer uma palavra sobre o caso de Filipe, e que lhes desse a entender que o cerco seria muito longo, que o lugar era muito forte, que já estavam com falta de provisões, que muitos assuntos do reino precisavam ser regulados e que era bem melhor fazer um acordo com os sitiados e tornar-se amigos de toda a nação deles, permitindo-lhes observar as leis dos seus pais (já que eles só haviam entrado nesta guerra porque foram privados delas), e assim partir de volta para casa. Quando Lísias discursou dessa forma para eles, tanto o exército quanto os oficiais ficaram satisfeitos com essa resolução.
Assim, o rei mandou mensagem a Judas e aos que estavam sitiados com ele, e prometeu conceder-lhes paz e permitir que usassem das leis dos seus pais e vivessem segundo elas. E eles receberam de bom grado as propostas. Tendo obtido garantia, sob juramento, do cumprimento delas, saíram do templo. Mas, quando Antíoco entrou no templo e viu como o lugar era forte, quebrou os seus juramentos e ordenou ao exército que ali estava que derrubasse as muralhas até o chão. Feito isso, voltou para Antioquia. Levou consigo também Onias, o sumo sacerdote, que era chamado igualmente Menelau. Pois Lísias aconselhara o rei a matar Menelau, se quisesse que os judeus ficassem em paz e não lhe causassem mais distúrbio, pois esse homem era a origem de todo o mal que os judeus lhes haviam feito, por ter persuadido o pai dele a obrigar os judeus a abandonarem a religião dos seus pais. Por isso o rei enviou Menelau a Berea, uma cidade da Síria, e ali mandou matá-lo, depois de ter sido sumo sacerdote por dez anos. Ele fora um homem perverso e ímpio que, para tomar o governo para si, havia obrigado a sua nação a transgredir as próprias leis. Após a morte de Menelau, Alcimo, que era chamado também Jacimo, foi feito sumo sacerdote. Mas, quando o rei Antíoco descobriu que Filipe já se apoderara do governo, fez guerra contra ele, subjugou-o, capturou-o e o matou. Quanto a Onias, filho do sumo sacerdote, que, como já lhes informamos, ficou menino de idade quando o pai morreu, ao ver que o rei matara o seu tio Menelau e dera o sumo sacerdócio a Alcimo, que não era da linhagem dos sumos sacerdotes, mas foi induzido por Lísias a transferir essa dignidade desta família para outra casa, fugiu para Ptolomeu, rei do Egito. E, ao perceber que gozava de grande estima junto a ele e à sua esposa Cleópatra, pediu e obteve um lugar no nomo de Heliópolis, onde construiu um templo semelhante ao de Jerusalém. Sobre isso, portanto, daremos depois um relato, em lugar mais apropriado para tanto.