Antiguidades Judaicas - Livro XII 5

Livro XII: a Septuaginta, Antíoco e os Macabeus

Como, a partir das brigas dos judeus entre si pelo sumo sacerdócio, Antíoco fez uma expedição contra Jerusalém, tomou a cidade, saqueou o templo e oprimiu os judeus. E também como muitos judeus abandonaram as leis de sua terra, e como os samaritanos seguiram os costumes dos gregos e deram ao seu templo no monte Gerizim o nome de templo de Júpiter Helênio.

Por essa época, com a morte do sumo sacerdote Onias, entregaram o sumo sacerdócio a Jesus, irmão dele, pois o filho que Onias deixou (Onias IV) ainda era apenas um bebê. No momento apropriado informaremos o leitor de tudo o que aconteceu a essa criança. Mas esse Jesus, irmão de Onias, foi destituído do sumo sacerdócio pelo rei, que estava irritado com ele, e o cargo passou ao seu irmão mais novo, também chamado Onias. Pois Simão teve esses três filhos, e o sumo sacerdócio coube a cada um deles, como informamos ao leitor. Esse Jesus trocou o próprio nome para Jasão, e Onias passou a se chamar Menelau. Quando o antigo sumo sacerdote, Jasão, levantou uma revolta contra Menelau, que fora ordenado depois dele, o povo se dividiu entre os dois. Os filhos de Tobias tomaram o partido de Menelau, mas a maior parte do povo apoiou Jasão. Por isso Menelau e os filhos de Tobias se viram em apuros e se retiraram para junto de Antíoco Epifânio, informando-o de que queriam abandonar as leis de sua terra e o modo judaico de viver segundo elas, e seguir as leis do rei e o modo grego de viver. Por isso pediram permissão para construir um ginásio em Jerusalém. Quando ele concedeu a licença, eles ainda esconderam a circuncisão de seus órgãos genitais, para que, mesmo nus, parecessem gregos. Assim, deixaram de lado todos os costumes próprios de sua terra e imitaram as práticas das outras nações.
Antíoco Epifânio, diante da situação favorável de seu reino, resolveu fazer uma expedição contra o Egito, tanto porque desejava conquistá-lo como porque desprezava o filho de Ptolomeu, agora fraco e ainda sem capacidade para conduzir assuntos de tamanha importância. Veio então com grandes forças até Pelúsio, enganou Ptolomeu Filometor por traição e tomou o Egito. Depois chegou à região de Mênfis e, tendo a ocupado, dirigiu-se às pressas a Alexandria, na esperança de tomá-la por cerco e de subjugar Ptolomeu, que ali reinava. Mas foi expulso não de Alexandria, mas de todo o Egito, pela ordem dos romanos, que o intimaram a deixar aquela terra em paz, conforme relatei em outro lugar. Darei agora um relato detalhado do que diz respeito a esse rei, de como ele subjugou a Judeia e o templo. Em minha obra anterior mencionei esses fatos de modo muito breve, e por isso achei necessário rever essa história, e com grande exatidão.
O rei Antíoco Epifânio, voltando do Egito por medo dos romanos, fez uma expedição contra a cidade de Jerusalém. Chegando lá, no ano cento e quarenta e três do reino dos selêucidas, tomou a cidade sem combate, pois os de seu próprio partido lhe abriram os portões. E quando se apoderou de Jerusalém, matou muitos do partido adversário e, depois de saqueá-la de grande quantidade de dinheiro, voltou para Antioquia.
Aconteceu então que, dois anos depois, no ano cento e quarenta e cinco, no vigésimo quinto dia do mês que nós chamamos de Quisleu e os macedônios chamam de Apeleu, na centésima quinquagésima terceira olimpíada, o rei subiu a Jerusalém e, fingindo paz, apoderou-se da cidade por traição. Nessa ocasião não poupou nem mesmo os que o admitiram dentro dela, por causa das riquezas que havia no templo. Movido pela sua cobiça (pois viu que ali havia muito ouro e muitos ornamentos de altíssimo valor que lhe tinham sido dedicados), e a fim de saquear a riqueza do templo, ousou romper o acordo que firmara. Deixou o templo despojado: levou os candelabros de ouro, o altar de ouro [do incenso], a mesa [dos pães da proposição] e o altar [do holocausto], e não poupou nem os véus, feitos de linho fino e de escarlate. Esvaziou também o templo de seus tesouros secretos e não deixou absolutamente nada, e desse modo lançou os judeus em grande lamentação. Pois lhes proibiu oferecer os sacrifícios diários que costumavam oferecer a Deus segundo a lei. E quando saqueou a cidade inteira, matou parte dos moradores e levou outra parte cativa, junto com suas mulheres e filhos, de modo que o número dos cativos tomados vivos chegou a cerca de dez mil. Incendiou também os edifícios mais belos e, depois de derrubar as muralhas da cidade, construiu uma cidadela na parte baixa da cidade, pois o lugar era alto e dava para o templo. Por isso fortificou-a com altas muralhas e torres, e nela instalou uma guarnição de macedônios. No entanto, nessa cidadela morava a parte ímpia e malvada do povo [judeu], pela qual os cidadãos acabaram sofrendo muitas e duras calamidades. E quando o rei construiu um altar idólatra sobre o altar de Deus, abateu porcos sobre ele e ofereceu assim um sacrifício que não estava de acordo com a lei nem com o culto religioso judaico daquela terra. Obrigou-os também a abandonar o culto que prestavam ao seu próprio Deus e a adorar aqueles que ele considerava deuses, e os obrigou a construir templos e a erguer altares idólatras em cada cidade e aldeia, e oferecer porcos sobre eles todos os dias. Ordenou-lhes ainda que não circuncidassem seus filhos e ameaçou punir qualquer um que fosse encontrado tendo transgredido sua determinação. Designou também fiscais para obrigá-los a fazer o que ordenara. E de fato houve muitos judeus que cumpriram as ordens do rei, fosse por vontade própria, fosse por medo da pena anunciada. Mas os melhores homens, os de alma mais nobre, não lhe deram atenção, e respeitaram mais os costumes de sua terra do que se preocuparam com a punição que ele ameaçava aos desobedientes. Por isso passavam todos os dias por grandes misérias e tormentos amargos. Pois eram açoitados com varas, e seus corpos eram dilacerados e crucificados enquanto ainda estavam vivos e respiravam. Estrangulavam também aquelas mulheres e seus filhos que tinham circuncidado, conforme o rei determinara, pendurando os filhos no pescoço delas enquanto estavam nas cruzes. E se algum livro sagrado ou a lei era encontrado, era destruído, e aqueles com quem eram achados pereciam miseravelmente também.
Quando os samaritanos viram os judeus sob esses sofrimentos, deixaram de admitir que eram parentes deles ou que o templo no monte Gerizim pertencia ao Deus todo-poderoso. Isso condizia com a natureza deles, como mostramos. E passaram a dizer que eram uma colônia de medos e persas. E de fato eram uma colônia desses povos. Então enviaram embaixadores a Antíoco Epifânio, com uma carta cujo conteúdo é o seguinte: "Ao rei Antíoco, o deus Epifânio: um memorial dos sidônios que vivem em Siquém. Nossos antepassados, por causa de certas pragas frequentes e seguindo uma antiga superstição, tinham o costume de observar aquele dia que os judeus chamam de sábado. E tendo erguido um templo no monte chamado Gerizim, ainda que sem nome, ofereciam sobre ele os sacrifícios apropriados. Agora, diante do justo tratamento dado a esses judeus perversos, os que administram os teus assuntos, supondo que somos parentes deles e que praticamos o que eles praticam, nos sujeitam às mesmas acusações, embora sejamos originalmente sidônios, como é evidente pelos registros públicos. Por isso te suplicamos, nosso benfeitor e salvador, que ordenes a Apolônio, governador desta parte da terra, e a Nicanor, procurador dos teus assuntos, que não nos perturbem nem nos imputem aquilo de que os judeus são acusados, que somos estrangeiros à nação deles e aos seus costumes. Que o nosso templo, que no momento não tem nome algum, seja chamado de Templo de Júpiter Helênio. Feito isso, não seremos mais perturbados, mas nos dedicaremos com mais empenho aos nossos próprios afazeres em tranquilidade, e assim traremos a ti uma receita maior." Quando os samaritanos solicitaram isso, o rei lhes enviou de volta a seguinte resposta, em uma carta: "O rei Antíoco a Nicanor. Os sidônios que vivem em Siquém me enviaram o memorial anexo. Quando, portanto, estávamos deliberando sobre o assunto com nossos amigos, os mensageiros por eles enviados nos expuseram que de modo algum têm a ver com as acusações que dizem respeito aos judeus, mas escolhem viver segundo os costumes dos gregos. Por isso os declaramos livres de tais acusações e ordenamos que, de acordo com o seu pedido, o templo deles seja chamado de Templo de Júpiter Helênio." Ele enviou também carta semelhante a Apolônio, governador daquela parte da terra. No ano quarenta e seis, no décimo oitavo dia do mês de Hecatombeon.