Antiguidades Judaicas - Livro IX 13
Livro IX: Eliseu, os reis e a queda de Samaria
Como Peca morreu pela traição de Oseias, que pouco depois foi subjugado por Salmaneser. E como Ezequias reinou no lugar de Acaz, e quais atos de piedade e justiça ele praticou.
Por essa mesma época, Peca, o rei de Israel, morreu pela traição de um amigo seu chamado Oseias, que ocupou o reino por nove anos. Ele foi um homem perverso e desprezou o culto divino. Salmaneser, o rei da Assíria, fez uma campanha contra ele e o venceu (o que só pode ter acontecido porque ele não tinha a Deus a seu favor nem ao seu lado). Salmaneser o reduziu à submissão e o obrigou a pagar um tributo determinado. No quarto ano do reinado de Oseias, Ezequias, filho de Acaz, começou a reinar em Jerusalém. O nome de sua mãe era Abia, cidadã de Jerusalém. Sua índole era boa, justa e religiosa. Quando assumiu o reino, ele concluiu que nada era mais prioritário, mais necessário ou mais vantajoso para si mesmo e para os seus súditos do que adorar a Deus. Por isso reuniu o povo, os sacerdotes e os levitas, e fez um discurso a eles, dizendo: "Vocês sabem muito bem como, pelos pecados de meu pai, que violou a honra sagrada devida a Deus, passaram por muitas e grandes desgraças, enquanto eram corrompidos por ele na mente e levados a adorar aqueles que ele supunha serem deuses. Por isso eu peço a vocês, que aprenderam por triste experiência como a impiedade é perigosa, que tirem isso imediatamente da memória, que se purifiquem das contaminações de antes, que abram o templo a estes sacerdotes e levitas aqui reunidos, que o purifiquem com os sacrifícios de costume e que restaurem tudo à antiga honra que nossos pais lhe prestavam. Pois assim conquistaremos o favor de Deus, e ele afastará a ira que tem tido contra nós."
Quando o rei terminou de falar, os sacerdotes abriram o templo. Depois de organizar os utensílios de Deus e jogar fora o que estava impuro, ofereceram os sacrifícios de costume sobre o altar. O rei também enviou mensageiros ao território sob seu domínio e convocou o povo a Jerusalém para celebrar a festa dos pães sem fermento, pois ela tinha sido interrompida por muito tempo por causa da perversidade dos reis já mencionados. Ele também mandou mensageiros aos israelitas e os exortou a abandonar o modo de vida que levavam, a voltar às práticas antigas e a adorar a Deus, porque lhes dava permissão para vir a Jerusalém e celebrar todos juntos, em um só corpo, a festa dos pães sem fermento. E disse que isso era apenas um convite, a ser feito por vontade própria deles e para o próprio bem deles, e não por obediência a ele, porque os tornaria felizes. Mas os israelitas, quando os embaixadores chegaram e lhes apresentaram a mensagem que traziam do próprio rei, longe de aceitar, riram dos embaixadores e zombaram deles como tolos. Também ofenderam os profetas, que lhes davam as mesmas exortações e previam o que iriam sofrer se não voltassem à adoração de Deus. A ponto de, por fim, prenderem esses profetas e os matarem. E esse grau de transgressão não lhes bastou, pois tiveram planos ainda mais perversos do que os descritos. Nem pararam, até que Deus, como castigo pela impiedade deles, os entregou aos inimigos. Mas disso falarei mais adiante. No entanto, muitos das tribos de Manassés, de Zebulom e de Issacar obedeceram ao que os profetas os exortavam a fazer e voltaram à adoração de Deus. Todos esses vieram correndo a Jerusalém, a Ezequias, para adorar a Deus [ali].
Quando esses homens chegaram, o rei Ezequias subiu ao templo, com os líderes e todo o povo, e ofereceu por si mesmo sete touros e outros tantos carneiros, com sete cordeiros e outros tantos cabritos. O próprio rei e os líderes colocaram as mãos sobre a cabeça dos animais do sacrifício e permitiram que os sacerdotes completassem os ritos sagrados com eles. Assim, eles imolaram os animais e queimaram os holocaustos, enquanto os levitas ficavam ao redor com seus instrumentos musicais, cantavam hinos a Deus e tocavam seus saltérios, conforme Davi os tinha instruído a fazer. E isso enquanto os demais sacerdotes respondiam à música e tocavam as trombetas que tinham nas mãos. Quando terminaram, o rei e a multidão se prostraram com o rosto em terra e adoraram a Deus. Ele também sacrificou setenta touros, cem carneiros e duzentos cordeiros. E concedeu à multidão animais para um banquete: seiscentos bois e três mil outras cabeças de gado. Os sacerdotes cumpriram tudo conforme a lei. O rei ficou tão satisfeito com isso que fez um banquete com o povo e deu graças a Deus. Como já tinha chegado a festa dos pães sem fermento, depois de oferecerem o sacrifício chamado Páscoa, ofereceram em seguida outros sacrifícios durante sete dias. O rei deu à multidão, além do que eles mesmos consagraram, dois mil touros e sete mil outras cabeças de gado. O mesmo foi feito pelos líderes, pois deram mil touros e mil e quarenta outras cabeças de gado. Essa festa não tinha sido tão bem celebrada desde os dias do rei Salomão como foi agora, observada pela primeira vez com grande esplendor e magnificência. Quando a festa acabou, eles saíram pelo território, o purificaram e limparam a cidade de toda a contaminação dos ídolos. O rei também ordenou que os sacrifícios diários fossem oferecidos às suas próprias custas e conforme a lei, e determinou que os dízimos e as primícias fossem entregues pela multidão aos sacerdotes e levitas, para que eles se dedicassem constantemente ao serviço divino e nunca fossem afastados da adoração de Deus. Assim, a multidão trouxe aos sacerdotes e levitas todo tipo de seus frutos. O rei mandou construir celeiros e depósitos para esses frutos e os distribuiu a cada um dos sacerdotes e levitas, e aos filhos e esposas deles. E foi assim que voltaram à antiga forma de adoração divina. Depois de o rei resolver esses assuntos da maneira já descrita, ele fez guerra contra os filisteus, os derrotou e tomou todas as cidades dos inimigos, de Gaza a Gate. Mas o rei da Assíria mandou-lhe uma mensagem e ameaçou destruir todos os seus domínios, a não ser que ele pagasse o tributo que seu pai costumava pagar. O rei Ezequias, no entanto, não se preocupou com as ameaças, mas confiou em sua piedade para com Deus e no profeta Isaías, por meio de quem ele consultava e conhecia com exatidão todos os acontecimentos futuros. E isso basta por ora a respeito do rei Ezequias.