Antiguidades Judaicas - Livro IX 12
Livro IX: Eliseu, os reis e a queda de Samaria
Como, com a morte de Jotão, Acaz reinou em seu lugar; como Rezim, rei da Síria, e Peca, rei de Israel, lhe fizeram guerra; e como Tiglate-Pileser, rei da Assíria, veio em auxílio de Acaz, devastou a Síria e, removendo os damascenos para a Média, colocou outros povos em seu lugar.
Jotão morreu aos quarenta e um anos de idade, depois de ter reinado dezesseis deles, e foi sepultado nos túmulos dos reis. O reino passou para seu filho Acaz, que se mostrou totalmente ímpio diante de Deus e transgressor das leis de seu país. Ele imitou os reis de Israel, ergueu altares em Jerusalém e oferecia sacrifícios sobre eles a ídolos. A esses ídolos ofereceu até mesmo o próprio filho em holocausto, segundo as práticas dos cananeus. Suas demais ações foram do mesmo tipo. Enquanto seguia nesse rumo insano, Rezim, rei da Síria e de Damasco, e Peca, rei de Israel, que então estavam em paz um com o outro, lhe declararam guerra. Depois de tê-lo empurrado para dentro de Jerusalém, sitiaram a cidade por muito tempo, mas avançaram pouco por causa da força de suas muralhas. O rei da Síria tomou a cidade de Elate, junto ao mar Vermelho, matou seus habitantes e a repovoou com sírios. Depois de matar os que estavam nas demais guarnições e os judeus da vizinhança, e de levar muito despojo, voltou com seu exército para Damasco. Quando o rei de Jerusalém soube que os sírios tinham voltado para casa, supôs que era páreo para o rei de Israel, lançou seu exército contra ele e, ao travar batalha, foi derrotado. Isso aconteceu porque Deus estava irado com ele por causa de suas muitas e grandes maldades. Por isso os israelitas mataram cento e vinte mil de seus homens naquele dia. O general deles, chamado Amazias, matou Zacarias, filho do rei, em seu combate contra Acaz, assim como o governador do reino, cujo nome era Azricão. Levou também cativo Elcana, comandante das tropas da tribo de Judá. Levaram igualmente cativas as mulheres e as crianças da tribo de Benjamim. E, depois de juntar grande despojo, voltaram para Samaria.
Havia naquele tempo em Samaria um profeta chamado Obede. Ele veio ao encontro do exército diante das muralhas da cidade e, em alta voz, lhes disse que tinham obtido a vitória não pela própria força, mas por causa da ira que Deus tinha contra o rei Acaz. Ele reclamou que não se contentavam com o bom êxito que tinham tido contra ele, mas chegavam ao ponto de fazer cativos entre seus próprios parentes, as tribos de Judá e Benjamim. Aconselhou também que os deixassem ir para casa sem causar nenhum dano, pois, se não obedecessem a Deus nisso, seriam castigados. Então o povo de Israel se reuniu em assembleia e examinou esses assuntos. Nisso um homem chamado Berequias, que era um dos de maior reputação no governo, levantou-se com outros três e disse: "Não vamos permitir que os cidadãos tragam esses prisioneiros para dentro da cidade, para que não sejamos todos destruídos por Deus. Já temos pecados suficientes que cometemos contra ele, como nos garantem os profetas. Por isso não devemos introduzir a prática de novos crimes." Quando os soldados ouviram isso, deixaram que fizessem o que achassem melhor. Então os homens já mencionados tomaram os cativos, soltaram-nos, cuidaram deles, deram-lhes provisões e os enviaram de volta ao seu próprio país sem causar nenhum dano. Esses quatro, no entanto, foram junto com eles e os conduziram até Jericó, que não fica longe de Jerusalém, e voltaram para Samaria.
Diante disso, o rei Acaz, depois de ter sido tão duramente derrotado pelos israelitas, enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei dos assírios, e pediu ajuda para sua guerra contra os israelitas, os sírios e os damascenos, prometendo enviar-lhe muito dinheiro. Ao mesmo tempo, mandou-lhe também grandes presentes. Esse rei, ao receber aqueles embaixadores, veio ajudar Acaz, fez guerra aos sírios, devastou seu território, tomou Damasco à força, matou Rezim, rei deles, transferiu o povo de Damasco para a alta Média e trouxe uma colônia de assírios, que estabeleceu em Damasco. Ele também afligiu a terra de Israel e tirou dela muitos cativos. Enquanto fazia isso com os sírios, o rei Acaz tomou todo o ouro que havia nos tesouros do rei, e a prata, e o que havia no templo de Deus, e os presentes preciosos que ali estavam, levou tudo consigo, foi a Damasco e entregou ao rei da Assíria, conforme o combinado. Assim confessou que lhe devia gratidão por tudo o que ele tinha feito por ele, e voltou para Jerusalém. Esse rei era tão tolo e tão descuidado com o próprio bem que não quis parar de adorar os deuses sírios, mesmo depois de derrotado por eles, e continuou a adorá-los como se eles fossem lhe garantir a vitória. Quando foi derrotado de novo, começou a honrar os deuses dos assírios, e parecia mais disposto a honrar quaisquer outros deuses do que o seu próprio Deus paterno e verdadeiro, cuja ira foi a causa de sua derrota. Chegou a tal grau de desprezo e menosprezo [pelo culto a Deus] que fechou o templo por completo, proibiu que se trouxessem os sacrifícios determinados e retirou os presentes que lhe tinham sido dados. Depois de ter ofendido Deus dessa maneira, morreu, tendo vivido trinta e seis anos, dos quais reinou dezesseis, e deixou seu filho Ezequias como sucessor.