Antiguidades Judaicas - Livro III 6
Livro III: o deserto, o Sinai, a Lei e o tabernáculo
Sobre o tabernáculo que Moisés construiu no deserto para a honra de Deus e que se assemelhava a um templo.
Diante disso, os israelitas se alegraram com o que tinham visto e ouvido de seu líder, e não pouparam esforços dentro de suas possibilidades. Trouxeram prata, ouro, bronze e os melhores tipos de madeira, aquelas que não apodrecem com o tempo. Trouxeram também pelo de camelo e peles de ovelha, algumas tingidas de azul e outras de escarlate. Uns trouxeram o pigmento para a cor púrpura, outros para o branco, com lã tingida pelos pigmentos mencionados. Trouxeram ainda linho fino e pedras preciosas, do tipo que as pessoas que usam ornamentos caros engastam em encaixes de ouro. Trouxeram também grande quantidade de especiarias. Foi com esses materiais que Moisés construiu o tabernáculo, que em nada diferia de um templo móvel e transportável. Quando essas coisas foram reunidas com grande dedicação, pois cada um se empenhava em adiantar a obra até além de suas forças, Moisés nomeou arquitetos para os trabalhos, e isso por ordem de Deus. Eram exatamente os mesmos que o próprio povo teria escolhido, se a escolha lhe fosse permitida. Os nomes deles estão registrados nos Livros sagrados, e eram estes: Bezalel, filho de Uri, da tribo de Judá, neto de Miriã, irmã do líder do povo; e Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. O povo prosseguia no que havia começado com tanto entusiasmo que Moisés foi obrigado a contê-lo, fazendo proclamar que o material trazido já era suficiente, conforme os artesãos o haviam informado. Então começaram a trabalhar na construção do tabernáculo. Moisés também os instruiu, segundo a orientação de Deus, sobre quais deveriam ser as medidas e o tamanho, e quantos utensílios devia conter para o uso dos sacrifícios. As mulheres também se empenharam em fazer a sua parte, nas vestes dos sacerdotes e em outras coisas necessárias para a obra, tanto para ornamento quanto para o próprio serviço divino.
Quando tudo estava preparado, o ouro, a prata, o bronze e o que havia sido tecido, Moisés, depois de ter marcado de antemão uma festa e de ter determinado que cada um oferecesse sacrifícios conforme suas posses, levantou o tabernáculo. Tendo medido o pátio aberto, com cinquenta côvados de largura e cem de comprimento, ergueu colunas de bronze de cinco côvados de altura, vinte em cada um dos lados mais longos e dez colunas na largura dos fundos. Cada uma das colunas tinha uma argola. Seus capitéis eram de prata, mas as bases eram de bronze. Lembravam pontas afiadas de lanças, eram de bronze e ficavam fixadas no chão. Cordas eram passadas pelas argolas e amarradas nas extremidades a estacas de bronze de um côvado de comprimento, cravadas no chão junto a cada coluna, que impediam o tabernáculo de balançar com a força dos ventos. Uma cortina de linho fino e macio circundava todas as colunas e descia, fluida e solta, a partir dos capitéis, fechando todo o espaço, de modo que parecia bem como uma muralha ao redor. Essa era a estrutura de três dos lados desse recinto. Quanto ao quarto lado, que tinha cinquenta côvados de extensão e era a frente de todo o conjunto, vinte côvados serviam para a abertura dos portões, onde havia duas colunas de cada lado, à semelhança de portões abertos. Essas colunas eram inteiramente de prata e polidas, e isso por completo, exceto as bases, que eram de bronze. De cada lado dos portões havia três colunas, encaixadas nas bases côncavas dos portões e ajustadas a elas, e ao redor delas se estendia uma cortina de linho fino. Mas para os próprios portões, que tinham vinte côvados de extensão e cinco de altura, a cortina era feita de púrpura, escarlate, azul e linho fino, bordada com muitos e variados tipos de figuras, exceto figuras de animais. Dentro desses portões ficava a bacia de bronze para a purificação, com um recipiente embaixo, do mesmo material, onde os sacerdotes podiam lavar as mãos e aspergir os pés. Essa era a construção ornamentada do recinto em torno do pátio do tabernáculo, que ficava a céu aberto.
Quanto ao tabernáculo em si, Moisés o colocou no meio daquele pátio, com a frente voltada para o leste, para que, ao nascer o sol, os primeiros raios incidissem sobre ele. Seu comprimento, quando montado, era de trinta côvados, e sua largura de doze [dez] côvados. Uma de suas paredes ficava ao sul, a outra voltada para o norte, e na parte de trás ficava o oeste. Era necessário que sua altura fosse igual à largura [dez côvados]. Havia também colunas feitas de madeira, vinte de cada lado. Tinham formato quadrangular, com côvado e meio de largura e quatro dedos de espessura. Tinham finas placas de ouro fixadas em ambos os lados, por dentro e por fora. Cada uma tinha dois encaixes, inseridos em suas bases, e estas eram de prata. Em cada uma dessas bases havia um soquete para receber o encaixe. As colunas da parede oeste eram seis. Todos esses encaixes e soquetes se ajustavam com tal precisão que as junções ficavam invisíveis, e o conjunto parecia uma parede única e contínua. Estava recoberta de ouro, por dentro e por fora. O número de colunas era igual nos lados opostos, vinte de cada lado, e cada uma tinha a terça parte de um palmo de espessura. Assim, os trinta côvados eram inteiramente preenchidos por elas. Quanto à parede dos fundos, onde as seis colunas somavam apenas nove côvados, fizeram outras duas colunas, talhadas com a medida de um côvado, que colocaram nos cantos, deixando-as tão bem-acabadas quanto as demais. Cada uma das colunas tinha argolas de ouro fixadas em suas faces externas, como se tivessem brotado das colunas, dispostas em fileiras umas diante das outras ao redor. Por elas passavam barras revestidas de ouro, cada uma com cinco côvados de comprimento, que prendiam as colunas umas às outras, com a ponta de uma barra entrando na outra, à maneira de um encaixe inserido em outro. Quanto à parede dos fundos, havia apenas uma fileira de barras que atravessava todas as colunas, e nessa fileira entravam as pontas das barras de cada lado das paredes mais longas. O macho e a fêmea ficavam tão presos em suas junções que sustentavam o conjunto com firmeza. Por isso tudo era unido com tal solidez que o tabernáculo não balançava nem pelos ventos nem por qualquer outra causa, mas permanecia sempre quieto e imóvel.
Quanto ao interior, Moisés dividiu o comprimento em três partes. A uma distância de dez côvados da extremidade mais reservada, Moisés colocou quatro colunas, cuja fatura era exatamente igual à das demais, e que se apoiavam sobre bases iguais, cada uma a pequena distância da outra. O espaço dentro dessas colunas era o Lugar Santíssimo, mas o resto do espaço era o tabernáculo, que ficava aberto aos sacerdotes. Essa proporção das medidas do tabernáculo veio a ser uma imitação do sistema do mundo. A terça parte que ficava dentro das quatro colunas, à qual os sacerdotes não eram admitidos, é como um céu, reservado a Deus. O espaço dos vinte côvados é como o mar e a terra, onde vivem os homens, e por isso essa parte era reservada apenas aos sacerdotes. Na frente, onde se fazia a entrada, colocaram colunas de ouro, que se apoiavam em bases de bronze, em número de sete. Depois estenderam sobre o tabernáculo véus de linho fino e de cores púrpura, azul e escarlate, bordados. O primeiro véu tinha dez côvados em cada direção, e o estenderam sobre as colunas que dividiam o templo, mantendo oculto o Lugar Santíssimo. Esse véu era o que tornava essa parte invisível a qualquer pessoa. O templo inteiro chamava-se Lugar Santo, mas a parte que ficava dentro das quatro colunas, à qual ninguém era admitido, chamava-se Santo dos Santos. Esse véu era muito ornamentado, bordado com todos os tipos de flores que a terra produz, e nele se entreteciam toda sorte de variedades que servissem de ornamento, exceto as formas de animais. Havia outro véu que cobria as cinco colunas da entrada. Era semelhante ao primeiro em tamanho, textura e cor. No canto de cada coluna, uma argola o prendia de cima para baixo, até a metade da altura das colunas, e a outra metade permitia a entrada do sacerdote, que passava por baixo. Sobre este havia um véu de linho, do mesmo tamanho do anterior. Ele devia ser puxado para um lado ou para o outro por cordas, cujas argolas, fixadas ao tecido do véu e também às cordas, serviam para puxar e recolher o véu e para prendê-lo no canto, de modo que não atrapalhasse a vista do santuário, em especial nos dias solenes. Mas nos outros dias, sobretudo quando o tempo ameaçava nevar, ele podia ser estendido e servir de proteção ao véu de cores variadas. Daí vem aquele costume nosso, depois de o templo ter sido construído, de manter um véu de linho fino para ser puxado sobre as entradas. As outras dez cortinas tinham quatro côvados de largura e vinte e oito de comprimento, e tinham fechos de ouro para unir uma cortina à outra, o que era feito com tanta exatidão que pareciam uma cortina única. Essas eram estendidas sobre o templo e cobriam todo o teto e partes das paredes, dos lados e dos fundos, até a distância de um côvado do chão. Havia outras cortinas da mesma largura, mas em número de uma a mais, e mais compridas, pois tinham trinta côvados de comprimento. Estas eram tecidas de pelo, com a mesma delicadeza das de lã, e desciam soltas até o chão, formando uma frente triangular elevada junto aos portões, sendo a décima primeira cortina usada exatamente para isso. Havia também outras cortinas feitas de peles por cima dessas, que davam cobertura e proteção às que eram tecidas, tanto no calor quanto quando chovia. E era grande o assombro dos que viam essas cortinas de longe, pois pareciam em nada diferir da cor do céu. As que eram feitas de pelo e de peles desciam da mesma maneira que o véu dos portões, e protegiam do calor do sol e do dano que as chuvas pudessem causar. Foi assim que o tabernáculo foi erguido.
Havia também uma arca consagrada a Deus, feita de madeira naturalmente resistente e que não se corrompia. Era chamada Eron em nossa língua. Sua construção era assim: tinha cinco palmos de comprimento, e a largura e a altura eram cada uma de três palmos. Estava recoberta de ouro por inteiro, por dentro e por fora, de modo que a parte de madeira não aparecia. Tinha também uma tampa unida a ela por dobradiças de ouro, de modo admirável. Essa tampa se ajustava de forma perfeitamente uniforme e não tinha saliências que atrapalhassem o encaixe exato. Havia ainda duas argolas de ouro em cada uma das tábuas mais longas, que atravessavam toda a madeira, e por elas passavam barras douradas ao longo de cada tábua, para que a arca pudesse ser movida e transportada conforme a necessidade. Pois ela não era puxada num carro por juntas de bois, mas carregada sobre os ombros dos sacerdotes. Sobre essa tampa havia duas figuras, que os hebreus chamam de querubins. São criaturas aladas, mas sua forma não se parece com a de nenhuma das criaturas que os homens já viram, embora Moisés tenha dito que vira tais seres junto ao trono de Deus. Nessa arca Moisés colocou as duas tábuas em que estavam escritos os dez mandamentos, cinco em cada tábua, dois e meio de cada lado delas. E essa arca ele colocou no Lugar Santíssimo.
No Lugar Santo, Moisés colocou uma mesa semelhante às de Delfos. Seu comprimento era de dois côvados, a largura de um côvado e a altura de três palmos. Tinha também pés, cuja parte inferior era de pés completos, parecidos com os que os dórios punham em suas camas, mas a parte superior, em direção à mesa, era trabalhada em forma quadrada. A mesa tinha uma reentrância em cada lado, com uma borda de quatro dedos de profundidade que corria ao redor, em espiral, tanto na parte superior quanto na inferior do corpo da peça. Em cada um dos pés havia também uma argola encaixada, não muito longe da tampa, pela qual passavam por baixo barras de madeira, mas douradas, que podiam ser retiradas quando preciso. Havia uma cavidade no ponto em que a argola se juntava, pois não eram argolas inteiras: antes de fechar o círculo por completo, terminavam em pontas agudas, uma das quais se inseria na parte saliente da mesa e a outra no pé. Por elas a mesa era carregada durante as viagens. Sobre essa mesa, que ficava no lado norte do templo, não muito longe do Lugar Santíssimo, eram colocados doze pães sem fermento, seis em cada pilha, um sobre o outro. Eram feitos de duas dízimas da mais pura farinha, e essa dízima [um ômer] é uma medida dos hebreus que equivale a sete cótilas atenienses. Acima desses pães eram postos dois recipientes cheios de incenso. Depois de sete dias, outros pães eram trazidos em seu lugar, no dia que chamamos de sábado, pois chamamos de sábado o sétimo dia. Mas sobre o motivo dessa prática de colocar os pães aqui falaremos em outro lugar.
Defronte dessa mesa, perto da parede sul, ficava um candelabro de ouro fundido, oco por dentro, com o peso de cem libras, que os hebreus chamam de cinchares, palavra que, traduzida para o grego, significa um talento. Era feito com seus botões, lírios, romãs e taças, ornamentos que somavam setenta ao todo. Por esse arranjo, a haste se elevava ao alto a partir de uma única base e se ramificava em tantos braços quantos são os planetas, incluindo o sol entre eles. Terminava em sete cabeças, dispostas em uma fileira, todas paralelas umas às outras, e esses braços sustentavam sete lâmpadas, uma a uma, em imitação do número dos planetas. Essas lâmpadas voltavam-se para o leste e para o sul, pois o candelabro ficava posicionado de modo oblíquo.
Entre esse candelabro e a mesa, que, como dissemos, ficavam dentro do santuário, ficava o altar do incenso, feito de madeira, mas da mesma madeira de que eram feitos os utensílios anteriores, daquela que não estava sujeita à corrupção. Estava inteiramente revestido por uma placa de ouro. Sua largura em cada lado era de um côvado, mas a altura era o dobro. Sobre ele havia uma grade de ouro, que se projetava acima do altar, e tinha uma coroa de ouro que o cercava ao redor, à qual pertenciam argolas e barras pelas quais os sacerdotes o carregavam durante as viagens. Diante desse tabernáculo erguia-se um altar de bronze, mas feito de madeira por dentro, com cinco côvados de medida em cada lado, e altura de apenas três, igualmente adornado com placas de bronze, tão brilhantes quanto ouro. Tinha também uma fornalha de bronze em forma de grade, pois o chão por baixo recebia o fogo da fornalha, já que ela não tinha base para sustentá-lo. Junto a esse altar ficavam as bacias, os recipientes, os incensários e os caldeirões, feitos de ouro. Mas os outros utensílios, feitos para o uso dos sacrifícios, eram todos de bronze. Tal era a construção do tabernáculo, e esses eram os utensílios que lhe pertenciam.