Antiguidades Judaicas - Livro III 10

Livro III: o deserto, o Sinai, a Lei e o tabernáculo

Sobre as festas, e como cada dia dessas festas deve ser observado.

A lei determina que, custeado pelas despesas públicas, um cordeiro de um ano seja morto todos os dias, no início e no fim do dia. Mas no sétimo dia, chamado sábado, eles matam dois e os sacrificam da mesma maneira. na lua nova eles realizam os sacrifícios diários e também matam dois touros, com sete cordeiros de um ano, além de um cabrito, para a expiação dos pecados, isto é, dos pecados cometidos por ignorância.
No sétimo mês, que os macedônios chamam de Hiperbereteu, eles acrescentam aos sacrifícios mencionados o sacrifício de um touro, um carneiro, sete cordeiros e um cabrito pelos pecados.
No décimo dia desse mesmo mês lunar, eles jejuam até a noite. Nesse dia sacrificam um touro, dois carneiros, sete cordeiros e um cabrito pelos pecados. Além disso, trazem dois cabritos. Um deles é enviado vivo para fora dos limites do acampamento, rumo ao deserto, como bode expiatório, para servir de expiação pelos pecados de toda a multidão. O outro é levado a um lugar de grande pureza, dentro dos limites do acampamento, e ali é queimado, com a pele, sem nenhum tipo de purificação. Junto com esse cabrito era queimado um touro, trazido não pelo povo, mas pelo sumo sacerdote, às suas próprias custas. Depois de morto o touro, ele levava parte do sangue ao lugar santo, junto com o sangue do cabrito, e aspergia o teto com o dedo sete vezes, e também o piso, e outras tantas vezes na direção do lugar [santíssimo] e ao redor do altar de ouro. Por fim, ele o leva ao pátio aberto e o asperge ao redor do grande altar. Além disso, eles colocam sobre o altar as extremidades, os rins, a gordura e o lobo do fígado. O sumo sacerdote também apresenta a Deus um carneiro como holocausto.
No décimo quinto dia desse mesmo mês, quando a estação do ano muda para o inverno, a lei nos ordena armar tendas em cada uma de nossas casas, de modo a nos proteger do frio dessa época do ano. Ordena também que, ao chegarmos à nossa própria terra e à cidade que então teríamos como metrópole, por causa do templo que ali seria construído, celebrássemos uma festa por oito dias, oferecendo holocaustos e sacrifícios de ação de graças. Nesses dias devíamos levar nas mãos um ramo de murta, um de salgueiro e um galho de palmeira, com o acréscimo da cidra. O holocausto do primeiro desses dias devia ser um sacrifício de treze touros, quatorze cordeiros e quinze carneiros, com o acréscimo de um cabrito como expiação pelos pecados. Nos dias seguintes oferecia-se o mesmo número de cordeiros e de carneiros, com os cabritos, mas reduzindo um touro a cada dia, até chegarem a apenas sete. No oitavo dia todo trabalho era suspenso e então, como dissemos antes, sacrificava-se a Deus um touro, um carneiro e sete cordeiros, com um cabrito como expiação pelos pecados. Essa é a solenidade habitual dos hebreus quando armam suas tendas.
No mês de Xântico, que chamamos de Nisã, e que é o início do nosso ano, no décimo quarto dia do mês lunar, quando o sol está em Áries, pois foi nesse mês que fomos libertados da escravidão sob os egípcios, a lei determinou que todos os anos matássemos aquele sacrifício que, como contei, matamos quando saímos do Egito, e que era chamado de Páscoa. Assim celebramos essa Páscoa em grupos, sem deixar nada do que sacrificamos para o dia seguinte. A festa dos pães sem fermento vem logo após a da Páscoa, cai no décimo quinto dia do mês e dura sete dias, durante os quais eles se alimentam de pães sem fermento. Em cada um desses dias são mortos dois touros, um carneiro e sete cordeiros. Esses cordeiros são inteiramente queimados, além do cabrito, que se acrescenta a todos os demais, pelos pecados, pois ele se destina a servir de alimento ao sacerdote em cada um desses dias. No segundo dia dos pães sem fermento, que é o décimo sexto dia do mês, eles partilham pela primeira vez dos frutos da terra, pois antes desse dia não os tocam. E, julgando apropriado honrar primeiro a Deus, de quem recebem essa provisão abundante, eles oferecem as primícias da sua cevada, da seguinte maneira. Pegam um punhado de espigas e as secam, depois as moem e separam a cevada da palha. Em seguida levam um décimo de efa ao altar, a Deus, e, lançando um punhado dele no fogo, deixam o restante para uso dos sacerdotes. depois disso é que podem fazer a colheita, em público ou em particular. Nessa partilha das primícias da terra eles também sacrificam um cordeiro como holocausto a Deus.
Quando passou uma semana de semanas após esse sacrifício, semanas que somam quarenta e nove dias, no quinquagésimo dia, que é o Pentecostes, mas que os hebreus chamam de Asartá, palavra que significa Pentecostes, eles trazem a Deus um pão feito de farinha de trigo, de dois décimos de efa, com fermento. Como sacrifícios, trazem dois cordeiros. Depois de apenas apresentá-los a Deus, eles são preparados para a ceia dos sacerdotes, e não é permitido deixar nada deles para o dia seguinte. Eles também matam três touros como holocausto, dois carneiros e quatorze cordeiros, com dois cabritos pelos pecados. Não nenhuma das festas em que não ofereçam holocaustos. Em todas elas também se permitem descansar. Assim, a lei prescreve, para todas, que tipos de animais devem sacrificar, como devem descansar por completo e como devem matar os sacrifícios para depois deles se alimentar.
No entanto, custeado pelas despesas comuns, era assado pão [colocado sobre a mesa dos pães da proposição], sem fermento, com vinte e quatro décimos de efa de farinha, pois é essa a quantidade gasta nesse pão. Dele se assavam dois montes, no dia anterior ao sábado, mas eram levados ao lugar santo na manhã do sábado e postos sobre a mesa sagrada, seis por monte, um pão sempre diante do outro, e sobre eles eram colocadas também duas taças de ouro cheias de incenso. Ali permaneciam até outro sábado, quando então outros pães eram trazidos em seu lugar. Os pães eram dados aos sacerdotes como alimento, e o incenso era queimado naquele fogo sagrado em que também todas as suas ofertas eram queimadas. Outro incenso era então colocado sobre os pães, no lugar do anterior. O sumo sacerdote também oferecia, às suas próprias custas, um sacrifício, e isso duas vezes por dia. Ele era feito de farinha misturada com azeite e assado lentamente ao fogo. A quantidade era de um décimo de efa de farinha. Ele levava metade ao fogo de manhã e a outra metade à noite. Darei um relato mais preciso desses sacrifícios mais adiante, mas creio que, por ora, adiantei o suficiente sobre eles.