Metafísica - Livro XIII 5
Livro XIII (Mi): crítica aos números e objetos matemáticos como substâncias, e às Formas
Por que as Formas de Platão são inúteis: não causam movimento, não explicam como as coisas surgem e nada acrescentam ao conhecimento
Acima de tudo, alguém poderia perguntar: o que, afinal, as Formas acrescentam às coisas perceptíveis pelos sentidos, sejam as eternas, sejam as que vêm a existir e depois deixam de existir? Pois elas não causam nelas nem movimento nem mudança de espécie alguma.
E também não ajudam em nada no conhecimento das outras coisas, já que nem sequer são a substância delas (se fossem, estariam dentro delas), nem ajudam quanto ao existir dessas coisas, visto que não estão presentes nos indivíduos que delas participam. Se ao menos estivessem, poderiam ser tidas como causas, do mesmo modo que o branco torna branco um objeto branco por entrar na composição dele.
Mas esse argumento, usado primeiro por Anaxágoras, depois por Eudoxo no exame que fez de certas dificuldades, e também por alguns outros, é muito fácil de derrubar, pois é simples reunir contra essa posição muitas objeções a que não há resposta.
Além disso, as outras coisas não podem vir das Formas em nenhum dos sentidos usuais da palavra 'vir de'. E dizer que as Formas são modelos e que as outras coisas participam delas é usar palavras vazias e metáforas poéticas. Pois o que é que produz as coisas olhando para as Ideias?
Qualquer coisa pode tanto existir quanto vir a existir sem ter sido copiada de outra, de modo que, exista Sócrates ou não, poderia surgir um homem parecido com Sócrates. E é claro que isso valeria mesmo que Sócrates fosse eterno.
Haveria, ainda, vários modelos da mesma coisa, e portanto várias Formas. Por exemplo, 'animal' e 'de dois pés', e também o 'homem em si', seriam todos Formas do homem. E mais: as Formas seriam modelos não só das coisas perceptíveis, mas das próprias Formas. Ou seja, o gênero seria o modelo das várias espécies dentro dele, de modo que a mesma coisa seria ao mesmo tempo modelo e cópia.
Além disso, parece impossível que a substância e aquilo de que ela é a substância existam separados um do outro. Como, então, poderiam as Ideias, sendo as substâncias das coisas, existir à parte delas?
No Fédon, a questão é posta assim: as Formas são causas tanto do existir quanto do vir a existir. Mas, ainda que as Formas existam, as coisas não passam a existir a menos que haja algo que dê origem ao movimento. E muitas coisas vêm a existir, por exemplo uma casa ou um anel, das quais eles dizem não haver Formas.
Fica claro, portanto, que mesmo as coisas das quais eles afirmam haver Ideias podem tanto existir quanto vir a existir por causas como as que produzem a casa e o anel, e não por causa das Formas. Mas, a respeito das Ideias, é possível, tanto por este caminho quanto por argumentos mais abstratos e precisos, reunir muitas objeções semelhantes às que já examinamos.