Metafísica - Livro V 8
Livro V (Delta): o dicionário filosófico de Aristóteles, com trinta termos-chave definidos um a um
Os sentidos da palavra 'substância' (ousia): os corpos, a causa interna do ser, as partes que delimitam e a essência
Chamamos de 'substância', em primeiro lugar, os corpos simples, ou seja, a terra, o fogo, a água e tudo o que é desse tipo, e de modo geral os corpos e as coisas formadas a partir deles, tanto os animais quanto os seres divinos, além das partes dessas coisas. Todos esses são chamados de substância porque não são afirmados de um sujeito, mas, ao contrário, é tudo o mais que se afirma deles.
Em segundo lugar, chamamos de substância aquilo que, estando presente em coisas que não são afirmadas de um sujeito, é a causa do existir delas. É assim que a alma é a causa do existir de um animal.
Em terceiro lugar, são chamadas de substância as partes que estão presentes nessas coisas, delimitando-as e marcando-as como indivíduos, partes cuja destruição faz o todo inteiro se desfazer. Por exemplo, segundo alguns, o corpo se desfaz quando se destrói a superfície, e a superfície se desfaz quando se destrói a linha. De modo geral, alguns pensam que o número tem essa mesma natureza, pois, segundo eles, se ele for destruído nada mais existe, já que é o número que delimita todas as coisas.
Em quarto lugar, também é chamada de substância de cada coisa a sua essência, aquilo que a definição exprime.
Conclui-se, então, que 'substância' tem dois sentidos. No primeiro, é o substrato último, aquilo que já não se afirma de mais nada. No segundo, é aquilo que, sendo um 'isto aqui' determinado, também pode existir separadamente. E dessa segunda natureza é o feitio ou a forma de cada coisa.