Metafísica - Livro V 5
Livro V (Delta): o dicionário filosófico de Aristóteles, com trinta termos-chave definidos um a um
NECESSÁRIO: o que não pode ser de outro modo (condição, força e o que é por si)
Chamamos de "necessário" aquilo sem o qual, como condição, uma coisa não consegue viver. Por exemplo, respirar e se alimentar são necessários para um animal, porque ele não tem como existir sem isso.
Num sentido parecido, chamamos de necessárias as condições sem as quais o bem não pode existir ou surgir, ou sem as quais não conseguimos nos livrar de um mal. Por exemplo, tomar o remédio é necessário para que sejamos curados de uma doença, e a viagem de barco de um homem até Egina é necessária para que ele receba o dinheiro que lhe devem.
Num segundo sentido, chamamos de necessário aquilo que é forçado, e à própria força. É aquilo que nos impede e atrapalha, indo contra o nosso impulso e a nossa vontade. Por isso o que é forçado recebe o nome de necessário, e daí o necessário ser doloroso. Como diz o poeta Eveno: "Toda coisa necessária é sempre penosa".
A força é uma forma de necessidade, como diz Sófocles: "Mas a força me obriga a este ato". E se considera, com razão, que a necessidade é algo que não se deixa convencer, porque ela vai contra o movimento que segue a vontade e o raciocínio.
Num terceiro sentido, dizemos que aquilo que não pode ser de outro modo existe necessariamente como é. É deste sentido de "necessário" que todos os outros, de algum modo, derivam.
Veja: dizemos que uma coisa faz ou sofre o que é necessário, no sentido de forçado, justamente quando ela não consegue agir segundo o seu próprio impulso por causa das forças que a obrigam. Isso mostra que a necessidade é aquilo por causa do qual a coisa não pode ser de outro modo.
O mesmo vale para as condições da vida e do bem. Quando o bem, num caso, e a vida e a existência, no outro, não são possíveis sem certas condições, essas condições são necessárias, e esse tipo de causa é uma espécie de necessidade.
Também a demonstração é uma coisa necessária, porque a conclusão não pode ser de outro modo, desde que tenha havido demonstração no sentido pleno do termo. As causas dessa necessidade são as premissas iniciais, ou seja, o fato de as afirmações das quais o raciocínio parte não poderem ser de outro modo.
Ora, algumas coisas devem a sua necessidade a outra coisa fora delas; outras não, mas são elas mesmas a fonte da necessidade nas demais. Portanto, o necessário no sentido primeiro e mais estrito é o simples.
Pois o simples não admite mais de um estado, de modo que não pode estar ao mesmo tempo num estado e em outro. Se admitisse, já estaria em mais de um estado. Logo, se existem coisas que são eternas e imóveis, nada de forçado ou contrário à sua natureza se prende a elas.