Metafísica - Livro V 16
Livro V (Delta): o dicionário filosófico de Aristóteles, com trinta termos-chave definidos um a um
Completo (perfeito): o que não deixa faltar nenhuma parte, o que não pode ser superado em seu gênero e o que atingiu o seu fim
Chamamos 'completo' (perfeito), em primeiro lugar, aquilo fora do qual não é possível encontrar nem mesmo uma de suas partes. Por exemplo, o tempo completo de cada coisa é aquele fora do qual não se pode achar nenhum trecho de tempo que seja parte própria dele.
Em segundo lugar, chamamos 'completo' aquilo que, no que diz respeito a mérito e qualidade, não pode ser superado em seu gênero. Por exemplo, temos um médico completo ou um flautista completo quando nada lhes falta na forma da qualidade que é própria deles.
Transferindo a palavra também para coisas ruins, falamos de um caluniador completo e de um ladrão completo. Chegamos até a chamá-los de bons, ou seja, um bom ladrão e um bom caluniador. Isso acontece porque a qualidade é um tipo de completude: cada coisa está completa, e toda substância está completa, quando, na forma da qualidade que lhe é própria, não lhe falta nenhuma parte de sua grandeza natural.
Em terceiro lugar, chamamos 'completas' as coisas que atingiram o seu fim, sendo esse fim algo bom. Pois as coisas estão completas justamente por terem atingido o seu fim.
Como o fim é algo último, transferimos a palavra também para coisas ruins e dizemos que algo está completamente estragado e completamente destruído quando não falta nada para a sua destruição e nada para a sua maldade, mas está no seu ponto extremo. É por isso que a morte também é chamada de fim, por uma figura de linguagem, já que ambos são as últimas coisas. Mas o propósito último também é um fim.
As coisas chamadas completas por sua própria natureza recebem esse nome, portanto, em todos esses sentidos. Algumas porque, quanto à qualidade, nada lhes falta, não podem ser superadas e nenhuma parte própria delas pode ser encontrada fora delas. Outras, de modo geral, porque não podem ser excedidas em suas respectivas classes e nenhuma parte própria delas está fora delas.
Já os demais casos pressupõem esses dois primeiros, e são chamados de completos porque fazem ou possuem algo desse tipo, ou estão adaptados a isso, ou de algum modo se referem às coisas que se chamam completas no sentido primário.