Metafísica - Livro V 13

Livro V (Delta): o dicionário filosófico de Aristóteles, com trinta termos-chave definidos um a um

Os sentidos da palavra 'quantidade' (o quanto): a multiplicidade que se conta e a grandeza que se mede; quantidade por natureza e por acidente

Chamamos de 'quantidade' aquilo que pode ser dividido em duas ou mais partes que o compõem, sendo que cada uma dessas partes é, por natureza, algo 'um' e 'isto aqui' determinado.
A quantidade é uma multiplicidade quando se pode contá-la, e é uma grandeza quando se pode medi-la. Chamamos de 'multiplicidade' aquilo que é divisível em potência em partes separadas umas das outras, e de 'grandeza' aquilo que é divisível em partes contínuas, ou seja, partes ligadas entre si.
Dentro da grandeza, o que é contínuo numa dimensão é o comprimento; em duas dimensões, é a largura; em três dimensões, é a profundidade. E, dessas, a multiplicidade limitada é o número, o comprimento limitado é a linha, a largura limitada é a superfície e a profundidade limitada é o sólido.
Além disso, algumas coisas são chamadas de quantidade por sua própria natureza, e outras apenas por acidente. Por exemplo, a linha é uma quantidade por sua própria natureza, mas aquilo que tem música é quantidade por acidente.
Entre as coisas que são quantidade por sua própria natureza, algumas o são enquanto substâncias, como a linha (pois um certo tipo de quantidade presente na definição que diz o que a linha é), e outras são modos de ser e estados desse tipo de substância, como o muito e o pouco, o longo e o curto, o largo e o estreito, o fundo e o raso, o pesado e o leve, e todos os demais atributos desse gênero.
O grande e o pequeno, o maior e o menor, tomados tanto em si mesmos quanto em relação um ao outro, também são, por sua própria natureza, atributos daquilo que tem quantidade. Mas esses nomes são transferidos também para outras coisas.
Entre as coisas que são quantidade por acidente, algumas recebem esse nome no sentido em que se disse que aquilo que tem música e aquilo que é branco são quantidade, ou seja, porque aquilo a que a música ou a brancura pertencem é uma quantidade.
Outras são quantidade do modo como o movimento e o tempo o são, pois também estes são chamados de uma espécie de quantidade e de contínuos, que aquilo de que são atributos pode ser dividido. Não me refiro àquilo que se move, mas ao espaço percorrido no movimento. Como esse espaço é uma quantidade, o movimento também é uma quantidade, e como o movimento é uma quantidade, o tempo também o é.