Metafísica - Livro V 10
Livro V (Delta): o dicionário filosófico de Aristóteles, com trinta termos-chave definidos um a um
Os opostos: contradição, contrariedade, privação e relação; e o que difere em espécie ou em gênero
A palavra 'oposto' se aplica a vários casos: às coisas que se contradizem, aos contrários, aos termos relativos, à privação e à posse, e aos pontos extremos de onde algo parte e para onde algo chega quando passa a existir ou deixa de existir.
Também se chamam opostas as características que não podem estar presentes ao mesmo tempo numa coisa capaz de receber as duas, sejam essas características em si mesmas, sejam aquilo de que elas se compõem. Por exemplo, a cor cinza e a cor branca não estão ao mesmo tempo na mesma coisa. Por isso os elementos que as formam são opostos.
A palavra 'contrário' se aplica a cinco casos. Primeiro, às características que pertencem a gêneros diferentes e não podem estar ao mesmo tempo no mesmo sujeito. Segundo, às coisas mais diferentes entre si dentro de um mesmo gênero. Terceiro, às características mais diferentes entre si que estão num mesmo sujeito que as recebe.
Quarto, às coisas mais diferentes entre si que pertencem a uma mesma área ou capacidade. Quinto, às coisas cuja diferença é a maior possível, seja de modo absoluto, seja dentro de um gênero, seja dentro de uma espécie.
As demais coisas que chamamos de contrárias recebem esse nome de modo derivado: algumas porque possuem contrários do tipo descrito acima, outras porque são capazes de recebê-los, outras porque os produzem ou os sofrem, outras ainda porque são perdas ou ganhos, posses ou privações desses contrários.
Como as palavras 'um' e 'ser' têm muitos significados, todos os termos derivados delas precisam acompanhar essa variedade. Por isso 'mesmo', 'outro' e 'contrário' também têm sentidos variados, e devem ser entendidos de modo distinto em cada categoria do ser.
A expressão 'outro em espécie' se aplica às coisas que, sendo do mesmo gênero, não estão uma subordinada à outra. Aplica-se também às coisas que, estando no mesmo gênero, têm entre si uma diferença, e às coisas que têm em sua própria substância uma contrariedade.
Os contrários são, portanto, diferentes uns dos outros em espécie, sejam todos os contrários, sejam ao menos os que recebem esse nome no sentido primário. São também diferentes em espécie aquelas coisas cujas definições se distinguem dentro da última espécie de um gênero. Por exemplo, homem e cavalo são indivisíveis dentro do gênero (são espécies últimas, que não se subdividem mais), mas suas definições são diferentes.
E também são outras em espécie as coisas que, pertencendo a uma mesma substância, têm entre si uma diferença. Já a expressão 'mesmo em espécie' tem os vários sentidos opostos a esses.