Capítulos

Metafísica - Livro II

O Livro II na Obra

O Livro II, conhecido como Alfa menor (em grego alpha elatton), é o mais curto da Metafísica, com apenas três capítulos. Tem o caráter de uma introdução geral ao estudo da verdade. Abre com a observação de que a investigação da verdade é, ao mesmo tempo, difícil e acessível: ninguém a alcança por inteiro, mas o esforço acumulado de muitos faz progredir o conhecimento. Em seguida argumenta que as séries de causas, seja a material, a eficiente, a formal ou a final, não podem regredir ao infinito: tem de haver um primeiro princípio em cada caso, sob pena de tornar o conhecimento impossível. O terceiro capítulo trata do método, lembrando que cada assunto admite um grau próprio de rigor e que não se deve exigir demonstração matemática onde a matéria não a comporta.

A Questão da Autenticidade

O Livro II é amplamente considerado um corpo estranho dentro da Metafísica. Pelo conteúdo e pela posição, parece uma peça introdutória independente, possivelmente um conjunto de notas de aula, e a maioria dos estudiosos sustenta que não fazia parte originalmente da obra, tendo sido inserido depois no arranjo editorial. Uma tradição antiga, registrada por comentadores gregos tardios e por um escólio em manuscrito medieval, atribui este livro não a Aristóteles, mas a Pasícles, dito sobrinho de Eudemo de Rodes e ligado à escola peripatética. Essa atribuição é antiga e disputada, e a discussão se sobrepõe a um debate paralelo sobre o Alfa maior, de modo que as fontes nem sempre concordam sobre qual dos dois livros a notícia visava. O ponto firme é mais modesto: o Livro II é tido como acréscimo ao núcleo da Metafísica, ainda que seu conteúdo seja compatível com o pensamento de Aristóteles.

Influência no Pensamento Cristão

Dois pontos deste livro curto repercutiram na teologia natural cristã. O primeiro é o argumento de que as séries de causas não regridem ao infinito e exigem um primeiro princípio: é o tipo de raciocínio que Tomás de Aquino, leitor de Aristóteles a quem chamava "o Filósofo", retomou ao formular provas da existência de Deus a partir do movimento e da causalidade. O segundo é a observação de que a verdade se alcança pelo esforço acumulado de muitos, que combina com a postura escolástica de construir o saber sobre as autoridades anteriores. A ressalva do terceiro capítulo, a de que cada assunto admite um grau próprio de rigor, foi igualmente útil a uma teologia que distinguia o que se demonstra do que se crê.

Relevância para o Cristão de Hoje

Para o leitor cristão de hoje, o interesse deste livro está no método mais do que nas conclusões. A ideia de que a verdade é difícil para cada um, mas acessível ao esforço comum, encoraja uma fé que não teme a razão e que se constrói em comunidade ao longo do tempo. O argumento contra a regressão infinita de causas continua a aparecer em discussões sobre a existência de Deus. Vale lembrar, porém, que o "primeiro princípio" de Aristóteles é o termo de uma cadeia causal, não o Deus pessoal e criador da fé bíblica: o cristão aproveita a forma do raciocínio sem importar com ela uma teologia que o texto não tem.

Conteúdo do Livro