Ética a Nicômaco - Livro III 2

Ação voluntária e involuntária, a escolha deliberada e a deliberação, e as virtudes da coragem e da temperança

Também não é vontade, embora pareça próxima dela. Pois a escolha deliberada não pode se referir ao impossível, e se alguém dissesse que escolheu o impossível seria tido como tolo, mas pode haver vontade até do impossível, por exemplo, da imortalidade. E a vontade pode se referir a coisas que de modo nenhum poderiam ser realizadas pelos próprios esforços, por exemplo, que um certo ator ou atleta vença numa competição, mas ninguém escolhe tais coisas, apenas aquilo que pensa poder realizar pelos próprios esforços. Além disso, a vontade se refere mais ao fim, e a escolha deliberada aos meios. Por exemplo, queremos ter saúde, mas escolhemos os atos que vão nos deixar saudáveis, e queremos ser felizes e dizemos que queremos, mas não soa bem dizer que escolhemos ser felizes, pois, em geral, a escolha deliberada parece se referir às coisas que estão em nosso próprio poder.