Capítulos

Imitação de Cristo - Livro II

Livro II: admoestações que conduzem à vida interior

Autoria e Data de Composição

A Imitação de Cristo (De Imitatione Christi) é um manual devocional cristão em quatro livros, composto em latim provavelmente entre cerca de 1418 e 1427 nos Países Baixos, no ambiente da Devotio Moderna, movimento que pregava uma piedade interior e pessoal em vez da religiosidade exterior. Circulou primeiro de forma anônima, o que alimentou uma controvérsia de autoria. A tradição majoritária e o consenso acadêmico atual atribuem a obra a Tomás de Kempis (Thomas a Kempis, c.1380-1471), cônego agostiniano do mosteiro do Monte Santa Inês, em Zwolle. No início do século XVII surgiram duas hipóteses concorrentes: a de Jean Gerson (1363-1429), chanceler da Universidade de Paris, e a de Giovanni Gersen, suposto abade beneditino de Vercelli. Hoje a maioria dos estudiosos considera a candidatura de Gerson improvável e a de Gersen historicamente duvidosa, mas a disputa não é encerrável com certeza absoluta, dado o anonimato original e a circulação manuscrita por diversos copistas.

O Livro II na obra

A obra divide-se em quatro livros. O Livro I trata da renúncia e do desapego das coisas exteriores; o Livro II, este volume, reúne admoestações que conduzem à vida interior; o Livro III, o mais longo, adota a forma de diálogo entre Cristo e a alma sobre a consolação interior; e o Livro IV trata da sagrada comunhão. Onde o Livro I olha para fora, o Livro II faz a virada para dentro. Em doze capítulos, ele percorre a conversão do coração, a paz da consciência, a humildade, o conhecimento de si e a amizade com Jesus, e culmina no caminho da cruz como via que conduz à intimidade com Cristo.

Argumento do Livro II

O livro abre afirmando que "o reino de Deus está dentro" do homem (

(Imitação de Cristo - Livro II 1:1)

) e que Cristo visita o homem interior que lhe prepara morada. O eixo central é o contraste entre a consolação que vem dos homens, descrita como frágil e mutável, e a fidelidade de Cristo, que "permanece para sempre" (

(Imitação de Cristo - Livro II 1:2)

). Daí o livro deriva a paz interior como fruto da humilde paciência e não da ausência de contrariedades (

(Imitação de Cristo - Livro II 3:3)

), e insiste em buscar Jesus em todas as coisas, porque "quem perde Jesus, perde em excesso" (

(Imitação de Cristo - Livro II 8:2)

). Os capítulos finais formam o núcleo mais conhecido do volume: a observação de que Jesus tem muitos amadores do reino celeste mas poucos carregadores da cruz, e a exposição da cruz como via régia da salvação.

"Tem Jesus muitos amadores do seu reino celeste, mas poucos carregadores da sua cruz. Acha muitos companheiros de mesa, mas poucos de abstinência."

Tomás de Kempis, Imitação de Cristo - Livro II 11:1

O capítulo final apresenta a cruz não como um acidente a evitar, mas como caminho inevitável: "para onde quer que vás, levas a ti mesmo contigo" (

(Imitação de Cristo - Livro II 12:4)

), e fecha o livro com a citação de Atos 14:22, de que "por muitas tribulações nos convém entrar no reino de Deus" (

(Imitação de Cristo - Livro II 12:15)

). O tom é ascético e interior, voltado originalmente à vida monástica, mas a obra foi adotada amplamente por leigos e tornou-se um dos textos de espiritualidade mais lidos da história.

Conteúdo do Livro

A virada para dentro

Pureza, conhecimento de si e consciência

O amor e a amizade com Jesus

Gratidão e o caminho da cruz

Texto e Tradução

Texto em português, traduzido do latim original (De Imitatione Christi, domínio público). A citação segue a divisão por livro, capítulo e versículo adotada nesta edição.