Evangelho Armênio da Infância 5
A mais longa e detalhada das coletâneas da infância de Jesus, traduzida de um original siríaco hoje perdido. Reúne dezenas de episódios: o nascimento e a infância de Maria, a natividade na gruta, a longa adoração dos magos (três reis irmãos e o livro selado desde Adão), a fuga ao Egito e os prodígios do menino. Sobrevive em armênio e foi a fonte mais rica da tradição infantil cristã oriental
A anunciação a Maria e a virgindade preservada
Naquele momento, a palavra lhe foi dirigida pelo anjo, que dizia: "Alegra-te, virgem Maria." De repente Maria se perturbou; foi tomada de grande temor. E, olhando para a direita e para a esquerda, não viu ninguém. Disse a si mesma: "De onde partiu a voz que se dirigiu a mim?" E, tomando o seu cântaro, foi apressadamente refugiar-se em sua casa, fechou a porta e a trancou com cuidado. Depois, foi sentar-se silenciosamente no fundo da casa. E, no espanto de seu espírito, dizia a si mesma com admiração: "Que saudação é esta que me foi dirigida? Quem é aquele que me conhecia e sabia de antemão quem eu sou? Quem foi que eu vi em algum lugar que pudesse falar comigo nesses termos?" Pensando em todas essas coisas, ela estremecia e tremia.
E, tendo-se levantado, pôs-se em oração e disse: "Senhor Deus de nossos pais, Deus de Israel, olhai por mim na vossa misericórdia; atendei ao meu pedido e à oração do meu coração. Escutai-me, vossa miserável serva, que vos implora com esperança e confiança. Não me entregueis às tentações do inimigo nem às armadilhas do sedutor; mas livrai-me dos laços e da astúcia do caçador, porque espero em vós e porque guardareis a minha virgindade intacta, vós, meu Senhor e meu Deus." Tendo falado assim, Maria deu graças ao Senhor, chorando. Depois de ter permanecido nesse estado por três horas, tomou nas mãos a escarlata e pôs-se a fiá-la.
E eis que o anjo do Senhor veio e entrou junto dela, estando as portas fechadas. O incorpóreo lhe apareceu sob a aparência de um ser corpóreo e lhe disse: "Alegra-te, virgem Maria, serva imaculada do Senhor." Tendo de repente avistado o anjo, Maria teve medo e, em seu temor, era incapaz de responder. O anjo lhe disse: "Não te assustes, Maria, tu que és bendita entre as mulheres. Eu sou o anjo Gabriel, que fui enviado por Deus para te dizer isto: Eis que conceberás e darás à luz o filho do Pai Altíssimo. Ele será o grande rei que reinará sobre a terra inteira." Maria lhe disse: "De que falais? Que dizeis? Explicai-me isso." O anjo disse: "O que eu te disse, ouviste-o da minha boca. Recebe o convite contido nesta mensagem que acabo de te fazer e alegra-te." Maria disse: "O que aprendo de vós é de uma novidade desconcertante, que me lança no espanto e na admiração: eu conceberei e darei à luz como todas as mulheres! Como isso me acontecerá, a mim que não conheço homem algum?" O anjo disse: "Ó santa virgem Maria, não tenhas tais suspeitas e compreende a coisa de que falas. Não será assim. Pois isso não será obra de uma criatura humana, nem de um marido, nem da vontade de um homem, mas do poder da graça do Espírito Santo, que habitará em ti e agirá contigo como lhe aprouver." Maria disse: "O que dizeis me parece difícil de crer e extraordinário. Não posso nem aquiescer nem me resignar às coisas que dissestes. Pois os prodígios de que me falais são chocantes em princípio e inverossímeis de fato. Ao vos ouvir falar, minha alma estremece de medo e treme. Meu espírito permanece na perplexidade, e não sei que resposta dar aos vossos discursos." O anjo disse: "Por que te assustas e por que tua alma treme?"
A virgem santa disse: "Como posso, de fato, vos escutar ou dar crédito às vossas palavras, já que jamais ouvi de alguém tais propostas, e que nem mesmo compreendo o que dizeis?" O anjo disse: "Os discursos que te dirijo são a exata verdade. Não te falei ao acaso nem segundo minhas próprias ideias, mas te disse o que ouvi do Senhor, e que Deus me enviou para te anunciar e te expor. E tu tomas a minha linguagem por uma falsidade. Teme o Senhor e escuta-me." A santa virgem Maria disse: "Não é que eu tenha vossos discursos por vãos; mas estou tomada de profundo espanto: Aquele que o céu e a terra não podem conter, cuja divindade não podem envolver, de quem todas as falanges do exército celeste dos espíritos e dos seres ígneos não podem contemplar nem fitar a glória, como poderia eu sustentar e suportar o seu ardor infinito e abrigá-lo na minha carne? Como serei capaz de carregá-lo corporalmente no meu seio e de tocá-lo com as minhas mãos? Vosso discurso é inverossímil, a ideia é incompreensível e a realização desconcertante. É preciso mais do que toda a clarividência do espírito humano para o examinar e o compreender. Quereis enganar o meu espírito com um discurso ardiloso? Não será assim!" O anjo disse: "Ó bem-aventurada e santa virgem, escuta o que vou te dizer. Como Moisés, no monte Sinai, viu Deus com seus próprios olhos e a sarça não ardia como fogo, sem se consumir? Como a tenda de Abraão recebeu a Deus sob aparências corpóreas, sem que o fogo a tivesse aproximado? Como ele falou a Jacó, depois de ter lutado com ele? E a muitos outros patriarcas e profetas, como ele se manifestou? Eles o viram segundo o seu mérito. Tu também, não tenhas medo. Apenas crê e escuta o que te digo agora."
Maria disse: "Como o que dizeis me acontecerá? E como poderei saber em que dia e em que hora seu advento acontecerá; ensinai-me isso." O anjo disse: "Não fales assim daquilo que ignoras, e não recuses crer no que não compreendes; presta-me ouvido com humildade e crê em tudo o que eu te disser." Maria disse: "Não falo por desconfiança nem por incredulidade, mas quero assegurar-me com exatidão e saber ao certo como esta coisa me acontecerá e em que momento, a fim de que eu esteja efetivamente preparada." O anjo disse: "Seu advento pode acontecer a qualquer hora. Ao penetrar e habitar no teu seio, ele purificará e santificará toda a essência da tua carne, que se tornará o seu templo." Maria disse: "Como isso me acontecerá, já que não conheço homem algum?" O anjo disse: "O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. E Deus, o Verbo, tomará de ti um corpo; darás à luz o filho do Pai Altíssimo, e a tua virgindade permanecerá intacta e inviolada." Maria disse: "E como uma mulher, guardando a sua virgindade, pode ter um filho, sem a intervenção de um homem?"
O anjo disse: "Não será como dizes. Tua maternidade não será o efeito da concupiscência de uma paixão corporal; e tua gravidez não será o efeito de uma relação conjugal. Mas tua virgindade permanecerá santa e sem mancha. A entrada do Verbo de Deus não violará o teu seio, e quando ele sair com a sua carne, não destruirá a tua virgindade." Maria disse: "Tenho medo de vós; pois me entreteis com palavras agradáveis, e os ditos que me dirigis me causam viva surpresa. Quereis enganar-me com palavras ardilosas, como aconteceu a Eva, nossa primeira mãe, a quem o demônio, ao conversar com ela, persuadiu com discursos agradáveis e adoçicados, e que em seguida foi votada à morte?" O anjo disse: "Ó Maria, virgem santa, quantas vezes me dirigi a ti e te disse a exata verdade! E tu não crês nas ordens e na mensagem que te exprimo da minha boca, eu que aqui estou em tua presença. De novo, dirijo-me a ti em nome de Deus: Que o teu coração não se assuste com a minha visão. Que o teu espírito não duvide do Senhor teu Deus. E não desvies o teu coração das palavras que vou dizer, e que tu já ouviste e aprendeste de mim. Não é por nenhum artifício ardiloso de espécie alguma, nem por astúcia, nem por trapaça que vim falar contigo, mas para preparar em ti o templo e a habitação do Verbo." Maria disse: "Ao vos ouvir falar e diante da insistência dos vossos discursos, sinto-me agora interdita, e meu espírito se preocupa em saber que resposta darei às vossas palavras. E se eu não conseguir convencer a mim mesma, a quem poderei revelar a minha situação e persuadir de que é como eu digo?"
O anjo disse: "Ó santa virgem sem mancha, não te ocupes assim dessas vãs apreensões." Maria disse: "Não duvido das vossas palavras, e não tenho por incrível o que dizeis, mas antes estou feliz e me alegro vivamente com os vossos discursos. Mas minha alma se assusta e treme ao pensar que carregarei Deus na minha carne, para dá-lo à luz como um homem, e que em seguida a minha virgindade permanecerá inviolada. O prodígio! E quão maravilhosa é a coisa de que falais!" O anjo disse: "Quantas vezes te fiz longos discursos, dando-te meu testemunho verídico, e não me creste." Maria disse: "Eu vos peço, ó servo do Altíssimo, não fiqueis descontente com a minha insistência em vos questionar. Pois conheceis a natureza humana e sua incredulidade em toda matéria. Eis por que quero indagar com exatidão, para saber como é. E vós, não fiqueis descontente com as palavras que disse." O anjo disse: "Tens razão; mas tem fé em mim, que fui enviado por Deus para te falar e te anunciar a boa nova."
Maria disse: "Sim, creio nos vossos discursos, e aceito as ordens que me exprimistes: é bem realmente assim como dissestes. Mas escutai o que vou vos dizer: Até este dia, eu me guardei na santidade e na justiça, diante dos sacerdotes e diante de todo o povo, depois de ter sido legitimamente confiada a José para me tornar sua esposa. E agora foi-lhe encarregado guardar-me em sua casa, para velar por mim com cuidado, até o momento em que recebamos a coroa de bênção, com as outras virgens e celibatárias. Ora, se ele voltar e me encontrar grávida, que resposta terei a lhe dar? Que lhe dizer? E se ele me perguntar qual é a causa desta gravidez, que responderei à sua pergunta?" O anjo disse: "Ó bem-aventurada e santa virgem, escuta bem esta palavra, e guarda no espírito o que vou dizer. Isto não é obra do homem, e a coisa de que te falo não virá de pessoa alguma. É o Senhor que a realizará em ti. Ele tem, ele próprio, o poder de te subtrair a todas as angústias da provação." Maria disse: "Se a coisa é tal como dizeis, e se o próprio Senhor se digna abaixar-se até a sua serva e sua escrava, faça-se em mim segundo a vossa palavra." E o anjo a deixou.
No mesmo instante, enquanto a virgem santa dizia essas palavras e se humilhava, o Verbo de Deus penetrou nela pelo seu ouvido, e a natureza íntima de seu corpo animado foi santificada, com todos os seus sentidos e seus doze membros, e foi purificada como o ouro no fogo. Ela se tornou um templo santo, imaculado, e a morada da divindade do Verbo. E no mesmo momento começou a gravidez da santa Virgem. Pois quando o anjo levou a boa nova a Maria, estava-se no dia 15 de nisan, o que corresponde a seis de abril, numa quarta-feira, à terceira hora do dia.
E logo um anjo do Senhor partiu apressadamente para o país dos persas, a fim de avisar os reis magos para irem adorar a criança recém-nascida. E estes, depois de terem sido guiados pela estrela durante nove meses, chegaram ao destino no momento em que a virgem se tornava mãe. Pois, naquele tempo, o reino dos persas sobrepujava em poder e em vitórias todos os reis que existiam nos países do Oriente. E aqueles que eram os reis dos magos eram três irmãos: o primeiro, Melkon, que reinava sobre os persas; o segundo, Baltasar, que reinava sobre os indianos, e o terceiro, Gaspar, que possuía o país dos árabes. Tendo-se reunido por ordem de Deus, chegaram no momento em que a virgem se tornava mãe. Haviam apressado sua marcha e se encontraram ali no tempo preciso do nascimento de Jesus.
Ora, quando a virgem santa recebeu a anunciação do anjo, levantou-se e, prostrando-se com o rosto contra a terra, disse: "Ó Senhor do meu espírito e do meu corpo, vós tendes o poder de cumprir todas as vontades do vosso amor criador. Vós decidis livremente de toda coisa segundo o vosso bom prazer. E agora dignai-vos condescender às orações da vossa escrava: atendei-me e livrai a minha alma, porque vós sois o Deus meu Salvador e porque o vosso nome, Senhor, foi invocado sobre mim cotidianamente. E até este dia, eu me guardei na santidade, na justiça e na pureza, decidida, por vós, Senhor meu Deus, a conservar a minha virgindade firme e intacta, sem nenhuma cobiça das imundícies carnais. E agora, faça-se a vossa vontade."
Tendo falado assim, a santa Virgem Maria levantou-se e deu graças ao Senhor. Depois disso, passou-se uma hora. A virgem santa, tendo refletido, pôs-se a chorar e disse: "Que prodígio novo é este que se realiza em mim e que ainda não se vira no nascimento de um homem? De modo que me torno a fábula e o objeto das reprovações de todos, homens e mulheres. Agora, eis-me na perplexidade. Não sei o que fazer, nem que resposta dar a quem quer que se informe a meu respeito. A quem me dirigirei? E a quem informarei de tudo isto? Por que minha mãe me deu à luz? Por que meus pais me pediram a Deus, na tristeza de sua alma, para ser um motivo de reprovação a mim mesma e aos meus pais? Por que me votaram a guardar a virgindade no templo santo? Por que não recebi mais cedo a sentença de morte que me retiraria desta terra? E já que permaneci viva, por que meus pais não me deram em casamento, sem nada dizer, como as outras filhas dos hebreus? Ai! quem jamais ouviu, quem viu coisa semelhante? Quem disse ou creu que uma mulher tenha posto no mundo um filho, sem ter tido comércio com um homem, uma mulher que não conhece homem algum? A quem contarei esta coisa e a quem a direi, seja em público, seja em segredo, para que responda sem reticência? Das virgens ou das mulheres casadas, a quem poderei persuadir à força de palavras? Se eu lhes disser exatamente essas coisas, crerão que zombo; se eu falar sob a fé do juramento, far-me-ão disso uma culpa. Dizer falsidades me é impossível; e condenar a mim mesma quando sou inocente, é bem duro. Se me pedirem uma testemunha, não há pessoa que possa me justificar. E se eu repetir uma segunda vez a minha declaração, dizendo o que é, hão de me matar com desprezo. Todos os que ouvirem as minhas palavras, próximos ou estranhos, dirão: 'Ela quer enganar, com vãos subterfúgios, os irrefletidos e os insensatos.' Não sei o que fazer agora, nem quem me sugerirá uma resposta a dar a todos, a respeito deste assunto; nem como direi isto ao meu marido, aquele de quem recebi o nome no casamento; nem como ousarei tomar a palavra diante dos sacerdotes e do povo; nem como suportarei ser entregue diante de todo o mundo ao aparato da justiça humana. Se eu declarar a mulheres casadas que sou virgem, tendo concebido sem a operação de um homem, elas tomarão as minhas palavras por uma brincadeira e não crerão. Como poderei dar conta a mim mesma do que me aconteceu? Tudo do que tenho consciência é que a minha virgindade está salva e a minha gravidez certa. Pois o anjo do Senhor me disse a verdade, sem nenhuma falsidade. Ele não me enganou com vãs habilidades, mas me relatou exata e sinceramente as palavras pronunciadas pelo Espírito Santo. Que fazer, então, agora que me tornei um objeto de reprovação e de censura entre os filhos de Israel? Ó palavra espantosa! Ó obra surpreendente! Ó prodígio terrificante e desconcertante. Recusarão crer que eu jamais conheci homem algum e que a minha gravidez é sem exemplo. E se eu disser seriamente a alguém: 'Crede que estou grávida tendo permanecido virgem', dir-me-ão: 'Seja. Cremos que falais sincera e exatamente; mas explicai-nos como uma mulher virgem pode tornar-se mãe, sem que um homem tenha destruído a sua virgindade.' E, tendo-me oposto essas palavras, hão de me ridicularizar. Sei também que muitos falarão de mim maldosamente e me condenarão levianamente, apesar da minha inocência. No entanto, o Senhor me salvará do ultraje e das maledicências dos homens."
Tendo dito essas coisas, Maria cessou logo de falar. E, tendo-se levantado, abriu a porta da casa, para ver se não havia ali ninguém que prestasse ouvido às palavras que se diziam. Como não via nenhum ser humano, voltou para o interior da casa. Sentou-se e, tomando a púrpura e a escarlata que recebera antes dos sacerdotes, para fazer delas uma cortina para o templo, pôs-se a fiá-las. Quando terminou esse trabalho, foi levá-lo ao sumo sacerdote Zacarias. E este, tendo-o recebido das mãos da virgem santa, lhe disse: "Maria, minha filha, tu és bendita entre as mulheres, e bendito é o teu seio virginal. O Senhor exaltará o teu nome santo por toda a terra. Terás a preeminência sobre todas as mulheres e te tornarás, entre todas, a mãe das virgens. De ti virá a salvação de toda a terra." Assim falou o sumo sacerdote Zacarias. Maria prostrou-se diante dos sacerdotes e de todo o povo e voltou toda alegre para a sua casa.
Ora, quando teve lugar a anunciação do anjo a Maria, a gravidez de Isabel estava começada desde o dia 20 de tesrin, isto é, o nove de outubro; dessa data ao 15 de nisan, isto é, ao seis de abril, há cento e oitenta dias, o que faz seis meses. Foi então que começou a encarnação de Cristo, pela qual ele tomou carne da Santa Virgem. Um dia, pois, a santa Virgem Maria, tendo refletido, disse: "Eu me levantarei e irei ver a minha prima Isabel. Contar-lhe-ei todos os acontecimentos que me sobrevieram, e tudo o que ela me disser, eu o farei." Depois, tendo saído às escondidas, ao raiar do dia, foi para as montanhas da Judeia, na cidade de Judá; entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel.
E quando Isabel ouviu a voz de Maria, sua criança estremeceu de alegria no seu seio. Isabel foi cheia do Espírito Santo; ela ergueu a voz e disse: "Tu és bendita entre as mulheres e bendito é o fruto das tuas entranhas. De onde me vem que a mãe do meu Senhor tenha vindo a mim? Pois quando as tuas palavras de saudação tocaram o meu ouvido, a minha criança estremeceu no meu seio." E quando Maria a ouviu falar assim, ergueu para o céu os seus olhos cheios de lágrimas e disse: "Senhor, quem sou eu para que todas as nações me proclamem bem-aventurada; para que eu tenha sido posta em evidência entre todas as mulheres e filhas dos hebreus e para que o meu nome se torne célebre e famoso em todas as tribos dos filhos de Israel?" Maria havia esquecido a palavra que o anjo lhe dissera anteriormente.
E Maria permaneceu longos dias na casa de Isabel e, confidencialmente, contou-lhe em ordem tudo o que vira e ouvira do anjo. Isabel, vivamente surpresa, lhe disse: "Minha filha, o que dizes é uma obra muito maravilhosa de Deus. Mas escuta o que vou te dizer: Não te assustes com o que te acontece e não sejas incrédula. Pensamentos, atos, palavras, tudo aqui ultrapassa absolutamente o espírito humano. Olha para mim, que estou avançada em idade e já próxima da morte, estou agora grávida e me tornarei mãe apesar da minha velhice e dos meus cabelos brancos; pois não há nada de impossível a Deus. Quanto a ti, vai em silêncio fechar-te na tua casa. Não digas a ninguém o que viste e ouviste. Não o contes a nenhum dos filhos de Israel, com medo de que, enganados por vãs palavras, eles te ridicularizem; nem àquele que é chamado teu marido, com medo de que o firas no coração e de que ele te repudie. Espera que a vontade do Senhor se cumpra; ele te manifestará o que tem a intenção de fazer."
Maria disse: "Agirei segundo as vossas recomendações." Isabel disse: "Escuta e guarda o conselho que te dou. Volta em paz para a tua casa; guarda-te de ir e vir de um lado para outro; mas permanece silenciosamente na tua casa. Mantém-te escondida do mundo, a fim de que ninguém saiba nada. Tudo o que o teu marido te ordenou, faze-o. E, nas tuas provações, o Senhor saberá também te preparar uma saída. Não temas e alegra-te." Assim falou Isabel. Maria prostrou-se diante dela e voltou alegre para a sua casa. Ali permaneceu longos dias. E a criança se desenvolvia, de dia em dia, no seu seio. Temendo o mundo, ela se mantinha perpetuamente escondida, a fim de que ninguém soubesse nada.