Evangelho Armênio da Infância 13
A mais longa e detalhada das coletâneas da infância de Jesus, traduzida de um original siríaco hoje perdido. Reúne dezenas de episódios: o nascimento e a infância de Maria, a natividade na gruta, a longa adoração dos magos (três reis irmãos e o livro selado desde Adão), a fuga ao Egito e os prodígios do menino. Sobrevive em armênio e foi a fonte mais rica da tradição infantil cristã oriental
O massacre dos inocentes em Belém e o engano dos magos
Alcançavam o início de outro ano, ali em Belém, quando um homem ímpio daquela cidade, chamado Begor, foi avisar Herodes, o rei ímpio, e lhe fez o seguinte relato: «Os magos que enviastes a Belém, e a quem ordenastes que passassem por vossa casa, não voltaram, mas, tendo ido até lá, encontraram uma criança recém-nascida, da qual se dizia que era filho de rei; ofereceram-lhe toda sorte de coisas e presentes que tinham consigo e regressaram à sua terra por outro caminho.»
Ao ouvir dizer assim que havia sido enganado pelos magos, Herodes ordenou que se convocassem os príncipes e os grandes senhores do seu reino e lhes disse: «Que fazer? Essa gente, depois de nos ter ludibriado e zombado perfidamente, escapou de nós pela fuga. Que foi feito dessa criança e em que esconderijo oculto ela se furta a mim, de modo que ninguém no mundo a viu? Vamos, então, enviemos soldados a Belém, para que, tendo-a encontrado, se apoderem dela e matem seu pai e sua mãe.»
Os príncipes disseram: «Ó rei, escutai-nos. Belém é uma cidade em ruínas. Os fatos que dizem respeito a essa criança aconteceram há muitos dias. Ela já não estará neste lugar, mas terá fugido para um país distante.» Os príncipes, tendo falado assim a Herodes, por uma vontade divina, não se preocuparam mais com o assunto e não o revelaram a ninguém, graças a uma disposição do Espírito Santo, pois Jesus e os seus ainda habitavam ali.
Ora, esse malvado ímpio, na fúria do seu coração, não sabia o que fazer. Os príncipes disseram: «Ó rei, não vos aflijais desse modo e não perturbeis vosso coração com o vosso arrebatamento. Ordenai tudo o que quereis que façamos.» O rei disse: «Sim, sei o que vou fazer; quanto a vós, só tendes que estar prontos.» Em seguida, ele ordenou que se convocassem os chefes do exército e os comandantes dos distritos, e os enviou por toda a extensão do seu império, para procurar Jesus. Não o encontraram. Ao regressarem, fizeram ao rei este relato: «Percorremos todas as regiões da Judeia, e não o encontramos.» Então ele ordenou a dezoito quiliarcas dos seus exércitos que percorressem todo o território submetido ao seu domínio, e lhes deu a seguinte instrução: «Não tenhais nenhuma piedade das criancinhas, nem das lamentações de seus pais e de suas mães. Não vos deixeis persuadir nem pelos tesouros nem por juramentos enganosos; não tenhais nenhuma consideração pelas gratificações; mas em toda parte onde encontrardes crianças de dois anos para baixo, passai essas crianças ao fio da espada.»
Então todos os chefes e comandantes do exército se reuniram em torno dele, em número de um milhão, com suas espadas e suas armas. E, tendo partido, circularam por todos os lugares e mataram todas as crianças que encontraram em oitenta e três aldeias, em número de cerca de mil trezentas e sessenta. O tirano ímpio agia assim por causa de Jesus, na esperança de que talvez Jesus se encontrasse entre elas. Mas José e Maria, sabendo de todas essas coisas, ficaram intimidados pelo temor do rei e do seu exército. Maria tomou o menino Jesus, envolveu-o em suas faixas e o escondeu na manjedoura dos animais. Depois ganharam às escondidas as ruínas da cidade e ali se acocoraram em observação. E ninguém veio até eles, pois aqueles que os avistavam, não lhes dando atenção, não os olhavam.