Épico de Gilgamesh 9
Versão padrão babilônica (acádia), c. séc. XII a.C.
Por seu amigo Enkidu, Gilgamesh
chorava amargamente enquanto vagava pelo campo selvagem:
'Eu morrerei, e não serei então como Enkidu?
A tristeza invadiu meu coração.
Fiquei com medo da morte, por isso vago pelo campo selvagem,
rumo a Uta-napishti, filho de Ubar-Tutu,
sigo pela estrada, viajando depressa.
Cheguei certa noite aos passos da montanha,
vi alguns leões e fiquei com medo.
Levantei a cabeça e orei a Sin,
à [..., a] luz dos deuses, dirigi minhas súplicas:
'Ó [Sin e..., ] mantenha-me a salvo!''
Gilgamesh acordou de um sobressalto: era um sonho!
[... na] presença da lua ele ficou feliz por estar vivo.
Ele apanhou o machado em sua mão,
sacou [a adaga] do cinto.
Como uma flecha ele caiu entre eles,
golpeou os [leões, os] matou, os dispersou.
Então [...,] [...]...
ele lançou fora [...,]
Ele sacou [duas...,]
o nome do primeiro [era...,]
o nome do segundo [era...]
Ele levantou [a cabeça, orando a Sin,]
à [..., a luz dos deuses, dirigiu suas súplicas:]
'Ó [Sin...,]
deixe [...]
Como [...?]'
[Sin...]
Lacuna
O nome da montanha era Mashu.
Quando [ele] chegou ao monte Mashu,
que diariamente guarda o nascer [do sol]
seus picos [tocam] o tecido dos céus,
suas bases alcançam o mundo dos mortos
ali havia homens-escorpião guardando a porta,
cujo terror era pavoroso e cujo olhar era a morte,
cujo brilho aterrorizante envolvia as terras altas
ao nascer e ao pôr do sol eles guardavam o sol.
Gilgamesh os viu e cobriu o rosto de pavor e medo,
ele recolheu o ânimo e se aproximou da presença deles.
O homem-escorpião chamou a fêmea:
'Aquele que veio até nós, a carne dos deuses é o seu corpo.'
A esposa do homem-escorpião lhe respondeu:
'Dois terços dele são deus, mas um terço é humano.'
O homem-escorpião chamou,
dizendo uma palavra [ao rei Gilgamesh,] carne dos deuses:
'[Como você chegou aqui,] por uma estrada tão difícil?
[Como você atravessou os muitos rios,] até minha presença?
[Como você...] deixe-me saber sobre a sua [...]
[..., ] para onde seu [rosto] está voltado
[..., ] deixe-me saber [...]
[..., deixe-me ] saber [sobre a sua jornada!]'
Lacuna. Quando o texto recomeça, Gilgamesh está explicando sua missão:
'[Estou buscando] o [caminho] do meu antepassado, Uta-napishti.
Aquele que esteve diante da assembleia dos deuses, e [encontrou a vida,]
sobre a morte e a vida [ele vai me contar o segredo.]'
O homem-escorpião abriu a boca [para falar,]
dizendo [a Gilgamesh:]
'Nunca houve [ninguém,] ó Gilgamesh, [...] como [você,]
[ninguém] jamais [...]... Da montanha.
Por doze horas duplas seu interior [...,]
a escuridão é densa e [luz] não há nenhuma.
Para o nascer do sol [...,]
para o pôr do [sol...]
Para o pôr de [...,]
eles mandaram [...,]
... [...,]
e você, como [você...?]
Você vai [em...?]'
Longa lacuna. O texto recomeça perto do fim da resposta de Gilgamesh:
'Pela tristeza [...,]
pelo frio e pela queimadura [meu rosto está crestado.]
Pela exaustão [...:]
agora você [deve...]'
O homem-escorpião [abriu a boca para falar,]
[dizendo uma palavra ao rei Gilgamesh, carne dos deuses:]
'Vá, Gilgamesh [...,]
que as montanhas de Mashu [...,]
que as montanhas e colinas [...,]
em segurança você possa [...]'
'O portão da montanha [...]'
[Quando] Gilgamesh [ouviu isto,]
ao que [o homem-escorpião] lhe disse [...,]
ele [tomou] o caminho do sol [...,]
Uma hora dupla [......,]
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Duas horas duplas [...,]
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Três horas duplas [...,]
[a escuridão era densa, e luz não havia nenhuma:]
[ela não permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Quatro horas [duplas...,]
[a escuridão] era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Cinco horas duplas [...,]
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Quando [ele alcançou] seis horas duplas,
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Ao alcançar sete horas duplas [...,]
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não permitia que ele visse o que estava atrás [dele.]
Em oito horas duplas ele se apressava [como...,]
a escuridão era densa, [e luz não havia nenhuma:]
ela não [permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
Nove horas [duplas...] o vento norte,
[..., ]... seu rosto?
[a escuridão era densa, e] luz não havia [nenhuma:]
[ela não permitia que ele visse o que estava atrás dele.]
[Quando] ele alcançou [dez horas duplas,]
[..., ] estava muito perto.
[Em onze horas duplas... uma jornada] de uma hora dupla,
[..., ele] saiu diante do sol.
[...] havia brilho:
ao ver [...,] as árvores dos deuses, ele foi direto [até elas.]
Uma cornalina [árvore] estava em frutos,
com cachos de uvas pendurados, deliciosa de se ver.
Uma lápis-lazúli [árvore] tinha folhagem,
em pleno fruto e magnífica de se contemplar.
Pequena lacuna
[...] cipreste [...,]
[...] cedro [...,]
seus pecíolos eram de pedra pappardilu [e...]...
Coral marinho [..., ] pedra sasu,
em vez de espinho e abrolho [cresciam] pedras an.za.gul.me.
Ele tocou uma alfarroba, [era] pedra abashmu,
pedra shubu e hematita [...]...
Como [...] e... [...]... a planície,
como [...] turquesa.
De [...] concha do mar,
tinha [...]...
Enquanto Gilgamesh... [...] caminhava,
ela levantou [a cabeça para] observá-lo.