Épico de Gilgamesh 5
Versão padrão babilônica (acádia), c. séc. XII a.C.
Eles ficaram parados, maravilhados com a floresta,
observando a altura dos cedros,
observando o caminho que entrava na floresta,
Onde Humbaba andava havia uma trilha,
os caminhos estavam em boa ordem e o atalho bem pisado.
Eles estavam contemplando a Montanha dos Cedros, a morada dos deuses, o estrado dos tronos das deusas,
[na] face da montanha o cedro derramava sua abundância,
doce era sua sombra, cheia de prazer.
[Todo] enredado estava o mato espinhoso, a floresta era um dossel denso,
[...] cedros, árvores ballukku [...]
[...]... cerca de uma légua cada [...]
[...] cipreste por dois terços [...]
[...]... massa... [...]
[...]... como... [...]
[...] tudo [...]
Lacuna
Logo as adagas [...]
e das bainhas [...]
Os machados foram untados [...]
machadinhas [e] adagas em [...]
Um [...]
eles se esgueiraram [para dentro de...]
Humbaba [...]
ele não [...]
ele não [...]
Lacuna
Gilgamesh [abriu a boca para falar,] [dizendo a Enkidu:]
"Por quê, [meu amigo,...?]
[...]... [...]
[...]... [...]
[para] Enlil deixe [...]"
Enkidu [abriu] a boca [para falar,] [dizendo a Gilgamesh:]
"De Humbaba [...]
[sozinho] um, um único [...]
[Dois] vestimentas, contudo, [...]
[embora seja] uma ladeira de gelo [...] dois [...]
Dois trigêmeos [...]
uma corda de três fios [não se rompe facilmente.]
Quanto ao leão poderoso, [seus] dois filhotes [...]"
O encontro com Humbaba já começou quando o MS dd entra:
Humbaba abriu a boca para falar, dizendo a Gilgamesh:
"Que tolos sigam, Gilgamesh, o conselho de um idiota!
Por que você veio [aqui] à minha presença?
Venha, Enkidu, (você) cria de um peixe, que não conheceu seu pai,
ninhada de tartaruga e cágado, que não mamou o leite de sua mãe!
Quando você era jovem eu o observei, mas não chegava perto de você,
[Por que] você trouxe Gilgamesh diante de mim em [traição,]
e por que você se posta aqui como um inimigo hostil?
Vou [cortar] a garganta e o pescoço de Gilgamesh,
vou alimentar com a sua carne os pássaros "gafanhoto", as águias e os abutres vorazes!"
Gilgamesh abriu a boca para falar, dizendo a Enkidu:
"Meu amigo, os traços de Humbaba mudaram!
Audaciosamente viemos até aqui para o derrotar em seu covil,
mas o coração que se assustou não fica calmo num instante."
Enkidu abriu a boca para falar, dizendo [a] Gilgamesh:
"Por que, meu amigo, [você] fala como um fraco?
Com sua conversa covarde você me incomoda o coração!
Agora, meu amigo, resta apenas uma única coisa...
Para fundir o cobre (lingotes) dos moldes do canal do funidor de cobre,
para soprar nas brasas durante meia hora,... o que se acende durante uma hora dupla?
Mandar o Dilúvio para estalar o chicote!
[Não] recue, não bata em retirada,
[...]... torne o seu golpe bom e forte!"
Quando o texto recomeça após uma longa lacuna, a batalha está prestes a começar:
"[......] que ele seja banido!"
Ele o [ouviu] [(...) de] uma distância.
ele o feriu... ele esquadrinhou-o.
Aos pés deles a terra se rachava,
enquanto eles giravam ao redor, Sirara e o Líbano se partiam.
A nuvem branca tornou-se negra,
a morte chovia sobre eles como uma névoa.
Shamash levantou contra Humbaba as poderosas tempestades:
Vento Sul, Vento Norte, Vento Leste, Vento Oeste, Rajada,
Contra-rajada, Vendaval, Tempestade, Tufão,
Vento-do-mal, Rajada de Gelo, Furacão, Tornado.
Treze ventos se levantaram e a face de Humbaba escureceu,
ele não conseguia avançar para frente, não conseguia recuar,
e então as armas de Gilgamesh alcançaram Humbaba.
Implorando por sua vida, Humbaba disse a Gilgamesh:
"Você é jovem, Gilgamesh, (como quando) sua mãe o deu à luz,
mas você é a prole de [Ninsun, a Vaca Selvagem!]
Por ordem de Shamash você atacou as montanhas...,
Um rebento brotado de Uruk te criou, ó rei Gilgamesh!
[...], Gilgamesh, um homem morto não pode...,
[um escravo] vivo [pode......] para seu senhor.
Ó Gilgamesh, poupe a minha vida [......,]
deixe-me habitar aqui para você [......!]
Árvores tantas quantas você mandar de mim [......,]
vou guardar para você a murta, [......,]
madeira que é o orgulho de um palácio [...]"
Enkidu abriu a boca para falar, [dizendo a Gilgamesh:]
"Meu [amigo,] não dê ouvidos ao que Humbaba diz,
[...] suas súplicas... [...]"
Lacuna. Quando o texto recomeça, Humbaba está falando:
"Você é experiente no caminho da minha floresta, os caminhos [...,]
também você conhece todas as (melhores) coisas a dizer.
Eu deveria ter te pegado e te pendurado num galho à entrada da minha floresta,
eu deveria ter alimentado com a sua carne os pássaros "gafanhoto", as águias e os abutres.
Agora, Enkidu, [a minha] libertação depende de você,
fale a Gilgamesh para que ele poupe a minha vida."
Enkidu abriu a boca para falar, dizendo a Gilgamesh:
"Meu amigo, Humbaba, guardião da Floresta dos [Cedros,]
acabe com ele, mate-o, dê fim ao poder dele,
Humbaba, guardião da Floresta [dos Cedros,] acabe com ele, mate-o, dê fim ao poder dele,
antes que Enlil, o supremo, saiba (disso)!
Os [grandes] deuses ficariam furiosos conosco,
Enlil em Nippur, Shamash em [Larsa...]
Estabeleça um eterno [...,]
como Gilgamesh [matou] Humbaba [...]"
Humbaba ouviu [o que Enkidu disse,]
Humbaba [ergueu] a cabeça e [...]
Após uma longa interrupção, o texto recomeça com o fim de um discurso, provavelmente de Enkidu:
"Para onde [......?]
[Humbaba] ouviu [o que Enkidu disse,]
[Humbaba] ergueu [a cabeça e......]
O fim da resposta de Humbaba:
"[......]... conselheiro [......]
e aquele que mora em sua casa [...] hostilidades.
Você fica diante [dele] como um pastor,
e como um servo a seu serviço e ao seu chamado você [...]
Agora, Enkidu, [a minha] libertação depende de você, [......,]
fale a Gilgamesh para que ele [poupe] a minha vida!"
Enkidu abriu a boca para falar, [dizendo a Gilgamesh:]
"Meu amigo, Humbaba, guardião da Floresta [dos Cedros,] [acabe com ele,] mate-o, dê fim [ao seu poder,]
antes que [Enlil,] o supremo, saiba (disso)!
Os [grandes] deuses ficariam furiosos conosco,
Enlil em Nippur, Shamash em [Larsa...] Estabeleça um eterno [...,]
como Gilgamesh [matou] Humbaba [...]"
Humbaba ouviu... [...] e... [...]
Após uma curta lacuna o texto recomeça com Humbaba amaldiçoando seus captores:
"[Que] o par dos dois não envelheça,
exceto seu amigo Gilgamesh, que Enkidu não tenha ninguém para o enterrar!"
Enkidu abriu a boca para falar, dizendo a Gilgamesh:
"Meu amigo, eu falo com você mas você não me dá ouvidos!
Até que as maldições [......,]
[......] à boca dele."
[Gilgamesh ouviu as palavras] de seu amigo,
ele sacou a adaga [do lado dele.]
Gilgamesh [o golpeou] no pescoço,
Enkidu [......] até que ele arrancou os pulmões.
[...]... saltando,
[da] cabeça ele tirou as presas como espólio.
[... de] abundância caiu sobre a montanha,
[... de] abundância caiu sobre a montanha.
Lacuna. Quando o texto recomeça, Gilgamesh e Enkidu estão derrubando madeira:
[......]... eles cortaram,
[...] um quinto de um côvado eram as... de seu (cedro).
Enquanto Gilgamesh cortava as árvores, Enkidu procurava a melhor madeira.
Enkidu abriu a boca para falar, dizendo a Gilgamesh:
"Meu amigo, derrubamos um cedro elevado,
cuja copa tocava os céus.
Vou fazer uma porta com seis côvados de altura, dois côvados de largura, um côvado de espessura,
seu poste, pivô e batente inferior são todos de uma só peça.
Que o rio Eufrates a leve (até) Nippur,
que [se alegre] o [povo] de Nippur!
...... ramos [...] cipreste [...,]
eles amarraram juntos uma jangada, eles puseram [...]
Enkidu estava conduzindo [......,]
e Gilgamesh [...] a cabeça de Humbaba.
Ele lavou seu cabelo emaranhado, limpou [seu equipamento.]